Filho de pais Etíopes, nascido na Alemanha, cresceu nos Estados Unidos e procura agora a sua sorte em Londres. Falo de um nome que pode ser estranho para a maioria do público em geral mas que já dá que falar dentro do meio futebolístico.

Gedion Zelalem nasceu em Berlim a 26 de Janeiro de 1997 e apenas com cinco anos ingressou no BFC Germania 1988, um dos clubes da cidade tendo-se mudado para a academia do Hertha em 2003. O ano de 2005 foi difícil para Gedion, a morte da sua mãe foi um duro golpe para um menino de oito anos. No ano seguinte o seu pai decide deixar a Alemanha e procurar a sorte nos Estados Unidos. Em terras do Tio Sam, Zelalem continuou o seu percurso no futebol durante sete anos tendo representado o MSC United, o Bethesda Soccer Club e o Olney Rangers.

Londres, a nova casa de Zelalem

Um dos muitos olheiros da famosa rede de Scouting de Arsene Wenger deu conta do talento do jovem médio, o que lhe valeu a oportunidade de integrar a Academia do Arsenal em Londres. Depois de Alemanha e Estados Unidos, Gedion conhece uma nova casa, muitas mudanças para um jovem de apenas 15 anos e que certamente o fizeram crescer muito, em pouco tempo. A sua entrada no clube Londrino foi pela porta dos sub 16 mas rapidamente subiu na hierarquia dos “Gunners” integrando a equipa de sub 21 apenas com 16 anos.

Em Julho de 2013, foi chamado por Wenger a fazer parte dos nomes que viajaram para a Asia para os habituais trabalhos de pré época tendo dado boas indicações do seu talento e deixando certamente apontamentos importantes para o futuro. Quando questionado sobre o jovem médio, Arsene Wenger dava mostras que não faltava muito para que este aparecesse na equipa principal, tal aconteceu em Janeiro de 2014, dois dias antes de completar dezassete anos no jogo da FA CUP frente ao Coventry.

O perfil “Wenger”

Arsene Wenger chegou ao Arsenal em 1996 (curiosamente ainda Gedion não tinha nascido) e o seu modelo sempre deu grande preponderância aos jovens que despontavam nas camadas jovens do clube. São inúmeros casos de jogadores a quem Wenger deu asas para voar no xadrez dos “Gunners”. Os casos mais recentes e talvez mais marcantes são os de Fabregas, recrutado ao Barcelona ainda muito jovem, Jack Wilshere, Ramsey ou Walcott. Se nos focarmos no perfil de jogador de Fabregas, Wilshere e Ramsey, vamos encontrar um elo de ligação com o futebol de Gedion Zelalem, todos eles médios de grande qualidade técnica, e muito marcados pelo ADN do futebol de passe de Wenger.

Luta a três

Etiopia, Alemanha e Estados Unidos. São estes os países que lutam por Gedion. Sendo filho de país Etiopes e nascido em território Alemão, Zelalem pode jogar por qualquer das duas seleções. Como se isso não bastasse, o jovem médio viveu sete anos nos Estados Unidos com o seu pai tendo este feito o pedido de cidadania o que de acordo com a “Child Citizenship Act of 2000” faz de Gedion também cidadão Norte-americano e apto para jogar pelo país. Gedion tem feito o seu percurso nas seleções jovens Alemãs, onde já representou os sub 15, sub 16 e sub 17. Contudo o futuro de Zelalem não está ainda definido e este tem afirmado que está apenas concentrado em chamar a atenção de Wenger e ganhar o seu espaço na equipa do Arsenal, deixando esta discussão para outra altura.

Entre 6 e 8, um médio moderno

Entre a posição 6 e 8 está o espaço onde Zalelam se sente confortável e onde tem vindo a fazer um crescimento sustentável mas muito rápido, quase ao ritmo com que faz o movimento de girar sobre si próprio com a bola colada ao pé deixando os adversários desconcertados. É esse um dos movimentos preferidos do médio “Gunner” e fá-lo com mestria, quando não encontra soluções num lado do campo, gira sobre si e um novo leque de opções surge.

Todo o futebol de Gedion é um futebol apoiado, de toque e desmarcação, um futebol exigente tanto a nível técnico como a nível mental, que exige uma excelente e rápida leitura de jogo. É um médio moderno, daqueles que consegue vir buscar jogo á posição 6 e aparecer depois na entrada da área contrária. Os seus pontos mais fracos, ou menos fortes, prendem-se com alguma falta de intensidade, talvez normal para a idade, e fragilidade física quando chamado a contextos mais exigentes, o que para ocupar a posição mais recuada do meio campo pode ser arriscado.

Na minha opinião, Gedion é um 8, um jogador com grande qualidade de passe, que parece andar sempre com uma antena ligada na procura de espaços e uma visão de jogo muito apurada. Certamente que mais cedo ou mais tarde irá aparecer aos poucos na equipa principal do Arsenal como mais um produto de luxo do “cantera Gunner”.

Boas Apostas!