As casas de apostas espanholas apontaram Nuno Espírito Santo como o treinador favorito a sofrer a primeira chicotada psicológica. A actual campanha do emblema espanhol tem ido contra as expectativas dos apostadores e dos adeptos de futebol.

O investimento que Peter Lim, novo presidente do Valencia, realizou no início da época apresentou resultados no imediato. O empresário multimilionário de Singapura tornou-se recentemente dono do Valencia, ao fim de dez meses de duras negociações. Uma operação que custou mais de 300 milhões de euros. 230 destinados à redefinição da dívida do clube espanhol e 100 para a compra de acções.

Confirmada a saída de Juan Antonio Pizzi, Nuno Espírito Santo foi o escolhido para completar a difícil missão de voltar a engrandecer o Valencia que vivia um período cinzento depois de há 10 anos ter conquistado a Europa. As mexidas não se ficaram pelo comando técnico. Jogadores como Jonas, Guardado, Postiga, Vargas, Oriol Romeu, Senderos, Keita, Pabon, Bernat, Rami, Mathieu, Vicente, Guaita, Cissokho, Ricardo Costa, Banega e muitos outros, rumaram para novas paragens. Otamendi, Rodrigo, André Gomes, Mustafi, Rodrigo de Paul, Cancelo, Orbán, Zucilini, Filipe Augusto e Negredo são algumas das caras novas do Valencia de 2014/2015.

Um projecto assente numa estratégia sustentada e de futuro que começa a colher os primeiros frutos da excelente capacidade de Nuno Espírito Santo e dos talentos do clube che.

4x3x3

Com 20 pontos em 9 jogos, o Valencia tem sido das equipas sensações neste início de temporada. 6 vitórias, 2 empates e 1 derrota, no total de 20 golos marcados e 8 sofridos.

André Gomes

O ex-benfiquista André Gomes é uma peça fundamental do meio-campo da equipa de Nuno Espírito Santo

Nuno Espírito Santo adoptou em Espanha o mesmo sistema táctico que implementou com sucesso no Rio Ave. O clube de Vila do Conde alcançou a final da Taça da Liga e da Taça de Portugal na época transata.

Com uma média de idades de 24,3 anos, o Valencia é o clube mais jovem da primeira liga. Uma equipa composta por jovens de valor e que têm vindo a afirmar-se no futebol europeu.

Do ponto de vista táctico, o Valencia alinha em 4x3x3 com uma defesa consistente, um meio-campo dinâmico e um ataque imprevisível. A qualidade dos jogadores que Nuno tem à sua disposição permite-lhe optar por diferentes variantes tácticas. André Gomes e Rodrigo, antigos jogadores do Benfica, têm sido peças importantes na manobra ofensiva da equipa. O médio português assume com Parejo o meio-campo e as despesas das manobras de construção e organização. Rodrigo joga como falso avançado, partindo do corredor direito para aparecer em zonas de finalização junto de Alcácer. Uma dupla de sonho.

Uma equipa muito bem organizada defensivamente que procura pressionar os adversários logo na primeira fase de construção. Foi assim que o Valencia surpreendeu o Atlético de Madrid. Quando têm a bola, privilegiam o ataque posicional e um futebol vertical e objectivo.

No Valencia mais português de sempre são os espanhóis que tentam deixar a sua marca em campo. Gaya, Javi Fuego, Parejo, Rodrigo e Alcácer procuram cimentar as suas posições para serem chamados a participar no processo de reformulação de Espanha depois do fracasso no Mundial. Gaya é o jovem que mais atenções tem despertado. O treinador português não tem medo de arriscar no lateral-esquerdo de 19 anos que já soma 9 jogos. Trata-se de um ala vertical, tacticamente disciplinado e tecnicamente evoluído.

Até ao momento o resultado mais positivo aconteceu diante do Atlético de Madrid em casa, com o Valencia a bater os campeões por 3-1. Por outro lado, a derrota em casa do Deportivo por 3-0 constitui o maior entrave, até à data, do percurso do treinador português no Mestalla.

Memórias

Valencia CF & a Supertaça 2004

Em 2004, período de glória, o Valencia CF ganhou a Supertaça Europeia ao FC Porto

Não é preciso recuar muitos anos para nos lembrarmos do melhor Valencia de sempre. Em 2003/2004 o conjunto espanhol venceu a Liga e a Taça UEFA. Seguiu-se a conquista da Supertaça frente ao Porto.

O Mestalla vestiu-se de adeptos ambiciosos e exigentes na esperança de voltarem a viver jogos inesquecíveis. Os valencianos olham para esta equipa e vislumbram traços de 2004 com Diego Alves a fazer de Cañizares, com Gaya, Otamendi, Mustafi e Barragán a imitarem Carboni, Ayala, Marchena e Torres. Javi Fuego, Parejo e André Gomes remetem para Albelda, Baraja e Aimar. Na frente de ataque, Rodrigo, Piatti e Alcácer reproduzem o trio Rufete, Vicente e Mista.

Em 2004, Rafa Benítez dispunha de soluções válidas no banco. O mesmo acontece esta época, com Nuno a contar com Carles Gil, Feghouli, Vezo, Cancelo, Orbán, Filipe Augusto e Negredo.

Um sentimento nostálgico renasce na cidade de Valência com 2004 tão vivo na memória dos adeptos. Uma estreita ligação entre o futebol, a paixão e o renascimento de um dos maiores clubes de Espanha.

Boas Apostas!