Depois do que o Leicester fez na temporada passada podemos ser levados a pensar que há vinte candidatos ao título em Inglaterra. Não é, de todo, o caso. Mas esta continuará a ser, sem dúvida, a liga mais competitiva e imprevisível do futebol mundial. De sete concorrentes não nos livramos. Para simplificar  vamos dividi-los em dois grupos: os favoritos e os que correm por fora. Este texto trata de United, City e Chelsea, os predadores de topo.

Mourinho ao ataque

Os reforços do United foram poucos mas escolhidos a dedo.

Os reforços do United foram poucos mas escolhidos a dedo.

O Manchester United tem uma vantagem considerável em relação aos rivais. José Mourinho é o único que tem experiência de Premier League e isso é importante. O conhecimento dos adversários mas sobretudo do ritmo e das expetativas desta liga. O português conseguiu os reforços que pretendia, incluindo a multimilionária contratação de Paul Pogba, mas ainda há uns quantos pesos mortos para despachar de Old Trafford. Para já, os Red Devils receberam uma injeção de personalidade e mentalidade vencedora para anular a anestesia de Van Gaal. O United arrancou a temporada a vencer, o que dá o primeiro indício de estar na direção certa. Não seria a primeira vez que Mourinho ganhava à primeira.

Chelsea sem distrações europeias

O técnico italiano quer ver nos seus jogadores a mesma paixão e intensidade.

Inteligência, intensidade e entrega total é o mínimo que Conte exige aos seus jogadores.

O ano passado foi absolutamente desastroso para o Chelsea. O décimo lugar é o menos mau, depois de assistirmos a uma equipa que se autossabotou e depois não foi capaz de sair do buraco que cavou. Antonio Conte tem pela frente uma tarefa e tanto mas o italiano é homem para sair vitorioso disto. A maior vantagem é que vai ter alguma margem para trabalhar e não ter compromissos europeus podem ser uma bênção no imediato. Os Blues gastaram até agora oitenta milhões de euros em dois jogadores: Kanté e Batshuayi, que encaixam como uma luva nas ideias do treinador. Com Zouma ainda a recuperar da lesão no joelho e Baba Rahman despachado as opções para a defesa não são muitas para além dos habituais titulares. Diego Costa, se ficar, e Eden Hazard vão estar sob forte escrutínio despois do falhanço da época anterior.

Guardiola City

Aguero foi um dos mais entusiastas da vinda de Guardiola para o City e a revolução precisa do argentino.

Aguero foi um dos mais entusiastas quanto à vinda de Guardiola para o City e a revolução precisa do argentino.

No Manchester City é tudo novo e excitante. Pep Guardiola não para de ver crescer a sua constelação de talentos mas se há pessoa capaz de fazer deste conjunto de estrelas uma equipa é ele. Entusiasmante e competitivo o City será, sem dúvida. Resta saber quanto tempo vai ser preciso para que todas as peças se deixem moldar pelas ideias do catalão. Com as adições de Gundogan, Nolito, Sané e Zinchenko os Citizens ficam com uma equipa tremenda do meio campo para a frente. Convém lembrar que ainda há que contar com Aguero, Silva, De Bruyne, Sterling e Iheneacho. Mas a defesa suscita preocupações. A chegada de Stones, só por si, não resolve o problema do envelhecimento. Tanto Denayer como Mangala não agradam a Guardiola e devem ser emprestados.

A dúvida é perceber quando esta formação vai entrar em velocidade de cruzeiro. Já na próxima terça o City vai à Roménia para a primeira mão do play-off da Champions e daí não deve vir surpresa. O arranque do campeonato também é uma receção ao Sunderland, deve ser tranquilo. Mas não há margem para grande curva de aprendizagem.

Aconteça o que acontecer este confronto entre três treinadores extraordinários vai ser um regalo de acompanhar. Todos têm muito trabalho pela frente até conseguirem que as respetivas equipas reflitam a sua visão e personalidade. Mas é uma questão de tempo. E quem chegar lá primeiro deve sagrar-se campeão de Inglaterra, já esta temporada.

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