Munida de um leque alargado boas opções para as “asas”, a “águia” já prepara a temporada que se avizinha. A abundância de extremos é um dos traços que marca a realidade do plantel do Benfica nesta fase de preparação. As contingências de mercado poderão provocar um “emagrecimento” no número de flanqueadores do plantel, mas Rui Vitória continuará a ter uma “dor de cabeça agradável” na hora de decidir quem serão os flanqueadores de serviço no último terço do campo.

31 em estágio

Foto: "MaisFutebol"

Foto: “MaisFutebol”

O Benfica instalou-se em St. George’s Park com uma comitiva composta por 31 atletas. Depois da participação na Algarve Football Cup que culminou com a conquista do troféu, Rui Vitória optou por rumar ao estágio em Inglaterra com a totalidade do plantel, abdicando de riscar alguns nomes. a abundância de extremos obrigará o técnico benfiquista a preterir de alguns atletas talhados para essas funções.

Nico Gaitán abandonou a Luz para rumar ao Atlético de Madrid e chegaram Cervi, Zivkovic, Carrillo e Benítez para aumentar o número de soluções para o ataque – Pizzi, Salvio, Carcela e Gonçalo Guedes já militavam na Luz. A última temporada foi profícua em lesões e Rui Vitória quer ter várias opções de qualidade para prevenir qualquer eventualidade, até porque o calendário é apertado sobretudo se a participação nas provas europeias se prolongar. Nico Gaitán falhou vários encontros devido a lesão e Salvio, operado ao joelho, também só participou em alguns jogos na reta final, apresentado-se longe da melhor forma. O antigo detentor da camisola “10” já rumou ao Vicente Calderón e, segundo a imprensa portuguesa, a transferência de “Toto” Salvio poderá estar em andamento – a confirmar-se a saída de Salvio, a permanência de Benítez (agenciado pela mesma entidade) no plantel é uma hipótese que ganha força.

Cervi

O Benfica antecipou-se à concorrência e garantiu os serviços de Franco Cervi em setembro de 2015, oficializando de imediato a contratação de um dos atletas mais bem cotados do futebol argentino. O acordo celebrado com o Rosario Central permitiu que o jogador continuasse a apresentar o seu futebol no Gigante de Arroyito até final da temporada, assumindo-se como uma figura preponderante da equipa na Libertadores 2016 ao apontar dois golos e rubricar quatro assistências em dez encontros. Formado no Rosario, ainda aguarda a primeira internacionalização pela seleção argentina, mas esteve no lote de pré-convocados para participar nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Apontado como sucessor de Nico Gaitán no flanco esquerdo da equipa do Benfica, os pormenores técnicos que saem do seu pé esquerdo remetem imediatamente para uma comparação com o compatriota que se transferiu para o Atlético de Madrid. “Chuky” – alcunha que utiliza na camisola em alusão a uma personagem de um filme de terror – quer causar estragos nas defesas contrárias, procurando fazer valer a capacidade de desequilíbrio que possui. Com um porte físico aparentemente frágil, destaca-se pela velocidade que incute nas respetivas ações e é um jogador que gosta de gozar de alguma liberdade, situação que lhe confere uma dimensão versátil.. O facto de procurar constantemente movimentos em diagonal também nos remete para um comparação com as caraterísticas de Nico Gaitán, explorando constantemente zonas interiores para tentar alvejar a baliza contrária. Aos 22 anos, o irreverente Franco Cervi cumpre a primeira experiência no futebol europeu e quer ser opção habitual na asa esquerda do esquema de Rui Vitória.

Carrillo

A transferência de Carrillo para a Luz é, indubitavelmente, uma das movimentações que marca o defeso. Há muito que havia acordo entre o clube e o jogador, mas a transferência só foi oficializada a 1 de julho, depois de ter terminado o contrato que vinculava o atleta ao Sporting. Não compete a título oficial desde outubro, altura em que jogou pela seleção peruana depois de ter sido afastado das escolhas de Jorge Jesus em virtude da intransigência perante a hipótese de renovar contrato com o Sporting. Luís Filipe Vieira chegou a acordo com o atleta e André Carrillo procura notabilizar-se do outro lado da 2ª Circular. A possibilidade de se ainda se transferir parece ser remota, uma vez que Rui Vitória já fez saber junto da direção que conta com o contributo de André Carrillo para o ataque à nova temporada.

Para Carrillo, realizar um bom trabalho durante esta pré-temporada é essencial. O internacional peruano esteve demasiado tempo sem competir oficialmente e, por muito que tenha conseguido manter a forma física, há aspetos competitivos que só serão ganhos com um trabalho intenso em contexto de jogo. Embora parta atrás da generalidade dos colegas nesse aspecto, a verdade é que goza de uma vantagem em relação aos outros reforços: Direção, corpo técnico e adeptos já conhecem o potencial de um dos melhores extremos do futebol nacional. A equipa técnica chefiada por Rui Vitória certamente estará a gerir o caso de “La Culebra” com uma atenção particular, ciente de que Carrillo tem capacidade para assumir um papel preponderante na manobra ofensiva da equipa com o seu futebol vertigem.

Zivkovic

O “namoro” entre Benfica e Zivkovic foi duradouro e teve um final feliz. O jovem sérvio abandonou o Partizan de Belgrado com destino à Luz e quer demonstrar que o esforço feito pelos “encarnados” valeu a pena. Figura de proa nos escalões jovens da seleção sérvia, aos 20 anos, já se estreou pela seleção principal. Campeão mundial de sub-20 em 2015, é um jogador versátil, capaz de atuar em qualquer posição no último terço do terreno – Rui Vitória parece querer colocá-lo sobre uma das alas.

Andrija Zivkovic impressiona pela capacidade do ponto de vista técnico. O esquerdino sérvio é um desequilibrador nato, forte no 1×1, sem receio de partir para cima do adversário. Privilegia um “drible” curto, executa com rapidez e destaca-se pela facilidade com que toca a bola. Sagaz a assumir ações de condução, é um elemento importante na condução da transição defesa-ataque. Jogou pouco tempo nos primeiros três encontros de preparação dos “encarnados”, situação que se justifica tendo em conta que gozou de mais alguns dias de férias que os colegas para resolver questões legais e um problema com o passaporte atrasou a sua chegada ao estágio em Inglaterra. Nos minutos que lhe foram concedidos patenteou qualidade na relação com a bola, demonstrando que quer entrar nas contas de Rui Vitória.

Benítez

Óscar “Junior” Benítez é um dos reforços em melhor plano nesta pré-temporada, situação que faz com que a possibilidade de permanecer no plantel ganhe cada vez mais força. Chegou a Portugal proveniente do Lanús e a imprensa abordou a possibilidade de rumar ao Boca Juniors por empréstimo, mas os clubes não chegaram a acordo antes das meias-finais da Libertadores e a situação fez com que o interesse do emblema de Buenos Aires esmorecesse.

Rui Vitória tem concedido oportunidades a Benítez para se mostrar. Em virtude da quantidade de extremos que possui, fê-lo atuar numa posição mais central para poder atuar mais minutos e as indicações que deixou são positivas. A combatividade que denota e a agressividade que incute nas suas ações parecem agradar ao técnico “encarnado”. Forte em progressão, utiliza bem o porte físico e a singularidade das suas caraterísticas no plantel – o jogador que mais se aproxima da ssuas caraterísticas é Salvio – poderão garantir-lhe um lugar no plantel.

Carcela

A imprensa portuguesa  coloca-o na lista de atletas transferíveis para a direção do Benfica, tanto que o futuro de Carcela poderá não passar pela Luz. Chegou ao futebol português na última temporada, proveniente do Standard Liège, mas nunca se conseguiu afirmar como uma pedra basilar no esquema da equipa. Ainda assim, quando chamado a jogo, a sua utilidade foi visível e tem a sua quota de responsabilidade na campanha benfiquista que culminou com a conquista do tricampeonato. Em virtude do excesso de extremos que se verifica, Mehdi Carcela poderá ser uma das vítimas do “emagrecimento” do plantel, até porque está bem cotado e tem mercado. O facto de estar a ser pouco utilizado por Rui Vitória nesta pré-temporada é um claro indício de que poderá estar de saída. Frente ao Sheffield Wednesday, entrou a 10 minutos do apito final para desempenhar funções de lateral-esquerdo.

Jogador que impressiona pela componente técnica associada à relação com a bola, é um desequilibrador nato que também se destaca pela velocidade. Peca pelo excesso de tempo que passa com a bola no pé e apresenta alguma dificuldade a nível da tomada de decisão. Carcela é figura habitual no lote de convocados da seleção marroquina, formação que tem a qualificação para a CAN 2017 bem encaminhada. Se o apuramento se confirmar, deverá estar ao serviço do conjunto africano durante o mês de janeiro.

Salvio

À semelhança do que acontece com Carcela, Salvio é apontado como um dos elementos que poderá abandonar o plantel do Benfica neste defeso. Embora tenha recuperado a tempo de dar o respetivo contributo à equipa na segunda volta da última época, a ausência prolongada deixou sequelas em “Toto” Salvio, incapaz de se exibir ao nível que outrora apresentou e agradou aos adeptos do Benfica. Desse ponto de vista, tendo em conta as próprias caraterísticas de um jogador veloz, forte no arranque e com um jogo muito físico na resistência ao choque, recuperar a capacidade de outrora exigirá muito trabalho. Aos 26 anos, o argentino sabe que é possível regressar à melhor forma com um trabalho de preparação intenso. Resta saber se permanecerá na Luz, uma vez que a imprensa portuguesa tem indicado que a sua saída é um cenário que ganha cada vez mais força, até porque está bem cotado no mercado internacional e Luís Filipe Vieira não quer perder a oportunidade de triar algum proveito económico de um atleta que foi recrutado por um valor considerável. No entanto, caso permaneça, é um forte candidato a assumir a titularidade na ala direita.

Gonçalo Guedes

Na última temporada, o facto de ter perdido espaço na equipa principal fê-lo regressar à equipa B, a tempo de dar um importante contributo na luta pela permanência no segundo escalão. A julgar pelos primeiros ensaios de pré-temporada, Gonçalo Guedes tem todas as condições para garantir um lugar no plantel e o facto de poder jogar na ala ou a segundo avançado agrada a Rui Vitória. Dificilmente integrará o onze titular e o excesso de unidades para as alas poderá fazer com que atue sobretudo pelo centro do terreno, vivendo na “sombra” de Jonas – para isso, terá que “ganhar o concurso” a Jovic e Rui Fonte. Fisicamente disponível, rápido, inteligente a explorar os espaços e de remate fácil, as caraterísticas de Guedes, cada vez mais maduro, serão úteis para encarar a temporada que se avizinha. A possibilidade de ser emprestado parece, para já, descartada.

Na “Liga Milionária”, prova em que já tem história ao ter marcado o golo que deu a vitória ao Benfica no Vicente Calderón (2015/16), contará como formado localmente, factor que também nos merece nota. Embora não tenha marcado sido convocado por Fernando Santos para a fase final do campeonato da Europa, Gonçalo Guedes quer ganhar o seu espaço no Benfica para regressar aos convocadas da seleção principal.

Pizzi

Às ordens de Rui Vitória voltou a atuar na ala, beneficiando da ausência de Salvio para se assumir na direita. Foi o extremo mais utilizado ao longo da última temporada e é um jogador que dá outro tipo de garantia pelo envolvimento na manobra da equipa tanto em momento ofensivo como defensivo. Pode não ser tão virtuoso do ponto de vista técnico quanto outros companheiros de posição, mas cresceu muito e assumiu um papel preponderante na última época.

A saída de Renato Sanches deixou uma vaga no meio-campo que, nesta pré-temporada, tem sido preenchida por André Horta. Caso Rui Vitória considere que o médio proveniente do Vitória de Setúbal não está pronto para assumir o lugar no imediato, há uma possibilidade que deve ser colocada: Pizzi poderá voltar a ser “sacrificado” para pisar um terreno que não lhe é desconhecido, sobretudo se o Benfica não for ao mercado recrutar outra solução para a posição. Para já, tem atuado sobre a ala direita, apresentando-se no registo habitual.

Boas Apostas!