E depois deste fim-de-semana alargado que nos roubou as alegrias e tristezas de um futebol de paixão, trocado por um futebol poucochinho enfeitado com as cores nacionais, o que fica desta Selecção de Portugal de Fernando Santos?

Primeiro que tudo, é preciso dizê-lo, Fernando Santos tem mais sorte que Paulo Bento. Tem também um discurso mais desempoeirado que o antigo seleccionador nacional. E, o melhor da comparação, Fernando Santos não coloca a mão à frente da boca para impedir que se perceba o que diz. Fernando Santos não tem medo. Não tem medo do que faz, nem do que diz. Mesmo que esteja errado. Fernando Santos assume o peso do erro, quando ele é seu. E, aparentemente, não foge.

Para já, é o que esta selecção tem de diferente: mais sorte e menos medo.

É claro que a sorte também é coisa que se procure. Se não se procurar, também não se encontra.

Então vamos lá a ver. O golo de Portugal, ontem, num jogo pouco mais que medíocre, onde a sorte acabaria por ser encontrada por quem a procurou, acabou por ser marcado por Raphael Guerreiro, uma aposta de Fernando Santos num renascimento, obrigatório, do lado esquerdo da equipa, por ausência forçada dos habituais titulares. Fernando Santos arriscou e viu recompensada a sua ousadia. Raphael Santos não se amedrontou e viu recompensada a sua valentia. E Portugal, sem saber muito bem como, acabou por vencer a uma equipa que passou 70% do jogo ao ataque, a rematar, à procura do golo.

É claro que era um jogo a feijões. Feijões caros, porque mexeu com muitos milhões de euros. Mas sabe sempre bem o retrato que fica para a história: a Selecção de Portugal bateu a vice-campeã do Mundo, a Argentina, por 1 a 0, em terreno neutro, já nos restinhos de jogo aos quais muitos jogadores, geralmente, já não ligam.

Mas para quem foi ontem a Old Trafford para ver um embate de gigantes, para ver os dois melhores jogadores do Mundo em acção, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, saiu do teatro dos sonhos com alguma frustração. Os dois jogadores saíram ao intervalo, talvez com os seleccionadores a pensarem nas necessidades das equipas a que pertencem e que lhes pagam, afinal, o salário. Mas quem foi ao estádio pagar bom dinheiro, também lá foi na expectativa de ver os superlativos.

Raphael Guerreiro

Raphael Guerreiro, uma novidade de Fernando Santos a marcar o golo da vitória, com outra novidade, José Fonte e um regresso, José Bosingwa

Enfim. Deu para degustar.

Quem perdeu uma oportunidade dourada de fazer ver o erro cometido foi Nani, proscrito por Van Gaal, renascido em Alvalade, que até tem tido boas prestações na selecção, acabou por passar ao lado de uma exibição de luxo. Boa, mas não excelente. Não é assim que poderá vir a convencer Louis Van Gaal. Já as suas palavras no final do jogo, desnecessárias, poderão abrir brechas no seu Sporting CP.

Por outro lado, quem anda de pé quente é o rebelde Ricardo Quaresma, verdadeiro abono em assistências mortíferas para esta equipa. Ontem voltou a ser dele o passe para o golo iniciático do miúdo Raphael Guerreiro. Mas também já se percebeu que Quaresma rende mais se entrar com o jogo a desenrolar-se, do que quando entra de início. Enfim, preciosismos.

Fazendo uma limpeza geral a este fim-de-semana alargado, não se percebe a aposta em José Bosingwa. Não se percebe o desnorte de André Gomes, que até está a ter um excelente ano na sua equipa, o Valencia CF. Não se percebe a trapalhice de Éder, que tinha tudo para ser o ponta-de-lança da selecção e está a começar a passar-lhe ao lado. Não se percebe, de novo, a inclusão de Hélder Postiga. Aliás, como muita gente diz, o que é que tem o Hélder Postiga que só os treinadores é que vêm e aos adeptos desespera?

No fundo, só se espera que Fernando Santos continue com este registo de vitórias. Só se pedem mais golos. Para bem do nosso espectáculo.

Boas Apostas!