Depois de, no fim-de-semana, os adversários mais directos, SL Benfica e Sporting CP, terem ganho os respectivos jogos, e provocado pressão sobre o FC Porto, este não tinha outra alternativa que não a de vencer o seu oponente de ontem, o Boavista, mesmo que no Bessa, mesmo que num piso sintético.

E foi isso que aconteceu. O FC Porto deslocou-se ao Bessa e venceu o Boavista por 2 a 0, com golos de Jackson Martinez e Yacine Brahimi.

Mas desengane-se quem pensar que foi um jogo fácil com uma vitória simples e tranquila. A 10′ do fim do jogo reinava o zero no marcador. E o FC Porto tinha uma posse de bola esmagadora, com 72%. Mas a equipa de Lopetegui tem dificuldade em traduzir por golos a posse de bola conquistada. Não que o FC Porto marque poucos golos (tem o Melhor Ataque da Primeira Liga com 52 golos marcados, mais 1 que o SL Benfica, o segundo Melhor Ataque), mas porque tem dificuldade em iniciar a sua marcação, mesmo com posses de bola esmagadores, como foi ontem o caso.

Mas ontem não se podem lançar todas as culpas sobre o futebol de rodriguinhos de Lopetegui. O Boavista vendeu cara a sua derrota, com as deficientes condições com que sobrevive. É que o Boavista está a travar a sua própria batalha, a de garantir a permanência na Primeira Liga, uma batalha bem difícil onde estão, para já, as 6 últimas equipas separadas por 5 pontos, sendo o Boavista o primeiro desse grupo, mas já distante 4 pontos da primeira equipa, por enquanto, livre desta guerra, o Estoril, que vai à Luz no próximo fim-de-semana.

Uma Equipa de Resistência

Mas quem começou por ganhar este jogo de ontem no Bessa foi o Boavista. Aguentar as balizas invioladas por 80′, é obra. Principalmente se se pensar na forma como o Boavista chegou à Primeira Liga este ano, por decreto, sem estar preparado, sem ter equipa e sem ter dinheiro. Tinha um estádio com um tapete sintético, e era tudo. Mas Petit, à sua imagem enquanto jogador, tem conseguido transformar este Boavista em qualquer coisa mais que uma equipa que se viu no meio dos grandes sem saber ler nem escrever. Paulatinamente, Petit vai conseguindo levar a água ao seu moinho.

Hernâni

Hernâni fez a sua estreia na Primeira Liga, mas não foi muito feliz, tendo feito um jogo muito fraquinho

6 vitórias e 3 empates concedem-lhe os 21 pontos em 22 jornadas. Não está mau para quem foi jogado às feras, sem aviso. Mas Petit tem feito das tripas, coração. E os adversários já vão avisados a sua casa.

Foi o que aconteceu a Lopetegui. Até porque já estava escaldado pelo que acontecera na primeira volta, no Dragão, onde o marcador ficou a zeros. E ontem arriscou terminar da mesma forma. Mas avisado, Lopetegui fez entrar, aos 55′, Cristian Tello para o lugar do joven Hernâni, muito apagado, e o futebol portista ganhou outra dimensão e acutilância.

Mais uma vez, o FC Porto jogou, dominou a bola, fê-la circular, mas teve enormes dificuldades em atingir o seu objectivo, marcar golo. Claro que pela frente encontrou uma equipa compacta, bem organizada e resistente, mas tendo isso em conta, Lopetegui demorou a efectuar mudanças no esquema de jogo.

Viveu então, este FC Porto, após a entrada de Tello e Brahimi, da magia e desconcerto das suas novas peças. Aquilo que costuma fazer Ricardo Quaresma quando entra em jogos já adiantados (Quaresma foi opção inicial e acabou substituído aos 83′, tendo passado um pouco ao lado do encontro), foi agora feito por Cristian Tello e Yacine Brahimi, especialmente o espanhol que teve o condão de acordar o futebol azul-e-branco da monotonia do passe sem consequências, tendo assistido Jackson e Brahimi para os seus respectivos golos da suada vitória

Quando, aos 79′ de jogo, Jackson Martinez recebe um passe de Cristian Tello e remata à baliza, tendo a sorte de ainda tabelar no defesa axadezado, Carlos Santos, Julen Lopetegui pode, finalmente, respirar de alívio. O mais difícil estava feito. Abertas as portas da baliza de Mika, bem guardadas por um equipa de contenção que estava a por muito nervoso o FC Porto, não foi de estranhar que, aos 87′, Brahimi elevasse o resultado para 2 a 0, respondendo, de novo, a um passe do espanhol Tello. As portas já estavam escancaradas. Agora era só forçar um bocadinho.

No Caminho Traçado

Depois do jogo que opôs as duas equipas do Porto na Primeira Liga, ambas se preparam para seguir os seus caminhos, já traçados anteriormente.

Boavista

Por mais malabarismos que o Boavista tenha feito, não conseguiu parar a máquina vencedora do FC Porto

O Boavista que, na próxima jornada vai a Barcelos defrontar o Gil Vicente, prepara-se para um tempo de grandes batalhas para permanecer entre os grandes. O Gil Vicente, que até há pouco tempo estava definitivamente despromovido, encetou uma recuperação que só foi parada pelo Sporting CP. 4 pontos separam agora o Boavista e o Gil Vicente. A diferença entre estar acima e abaixo da linha-de-água. Um bom jogo em perspectiva.

Já o FC Porto, que voltou a aproximar-se a 4 pontos do SL Benfica e a distanciar-se a 5 pontos do Sporting CP é com este que vai jogar no próximo fim-de-semana.

Jogo grande então, no próximo Domingo, entre o FC Porto e o Sporting CP. Uma vitória dos dragões afastará o Sporting CP do segundo lugar e da entrada directa na Liga dos Campeões, para além de o afastar definitivamente de uma hipotética luta pelo título, e manterá o FC Porto a fazer pressão sobre o SL Benfica. Um empate deixará tudo na mesma entre os dois clubes, sendo que abrirá maior folga à equipa do SL Benfica na sua caminhada pelo título, continuando, na mesma, a afastar o Sporting CP de qualquer veleidade sobre o título. Já uma vitória do Sporting CP no Estádio do Dragão, abriria uma janela pelo segundo lugar aos leões, com a respectiva entrada directa na Liga dos Campeões, para além de aliviar o SL Benfica no seu caminho e no que falta a este fazer (por exemplo, receber o FC Porto no Estádio da Luz).

Não terá sido por acaso que este fim-de-semana, contra os axadrezados, não tenham jogado Danilo, Casemiro e Alex Santo, para não se virem forçados a faltar ao jogo mais importante deste horizonte da Primeira Liga para o FC Porto e para continuar a acalentar esperança neste campeonato.

E como uma dificuldade nunca vem só, depois deste FC Porto – Sporting CP, os dragões deslocam-se a Braga para defrontar o SC Braga, em vésperas de defrontarem o FC Basel, na segunda-mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões. E se quer lutar em todas as frentes, este FC Porto tem muito que trabalhar.

Para já, lá continua a meio, entre as duas equipas da Segunda Circular, não largando a da frente, e tentando desligar-se da que vem atrás.

Boas Apostas!