Jorge Jesus terminou o jogo em Penafiel a falar de um novo Benfica, uma segunda equipa, construída pela necessidade imposta após a saída de Enzo Pérez e as lesões de Eliseu, Luisão e Salvio, para além da suspensão de Samaris. Mas o técnico português parece ignorar que as equipas não se constroem apenas com onze jogadores. Dotado de um plantel onde se começam a perceber as prioridades, destapada a ocasião com tantas ausências, o técnico benfiquista provou, uma vez mais, uma outra coisa. Para ganhar em Portugal, excetuando talvez os quatro primeiros classificados nos lugares seguintes ao Benfica, um lote de jogadores “por trabalhar” basta.

Avaliação por setores

Se no lado esquerdo da defesa já era clara a opção por André Almeida como “tapa-buracos” nas laterais, visto que mesmo com Eliseu lesionado há algumas semanas, Benito continuou sem ter opções, Jorge Jesus não se sentirá ainda cómodo para dar minutos a Sílvio. O outro internacional português da defesa encarnada continua sem merecer a chamada, depois de recuperado de lesão, mas parece-nos mais importante a definitiva arrumação de André Almeida como lateral, mesmo quando, no meio-campo, poderia esta semana haver espaço para a sua maior experiência. Outra das soluções apresentadas clarificou, também, a hierarquia dos defesas-centrais encarnados, com Lisandro López a surgir na frente de César. O jovem brasileiro deverá continuar a fazer a sua formação no estilo-Jesus sem minutos de jogo.

Benfica Penafiel

Talisca regressa à sua casa tática

A meio-campo, sem os seus dois jogadores mais utilizados, Jorge Jesus fez as opções ditas mais óbvias. Para a posição mais recuada, utilizou Cristante, um médio italiano que, apesar de ainda não estar sintonizado na rotação esperada para aquela posição, será um elemento com atributos técnicos de valor, com fortes possibilidades de poder a vir reivindicar o lugar a Samaris, que poderá ser opção a 8. Para esse lugar a aposta de Jesus caiu em Talisca, que recupera assim o seu posicionamento de formação, numa altura em que perdia gás em terrenos mais adiantados, até pela excelente temporada que vem fazendo Jonas. O jovem brasileiro surgiu um pouco perdido nas suas tarefas, mas demonstra também que Pizzi, outro dos jogadores que veio sendo falado para o lugar, terá muito que batalhar para conseguir ser mais do que a terceira(?) opção para o posto.

Finalmente, Jesus voltou a chamar Ola John à equipa titular e utilizou Sulejmani pela primeira vez no campeonato. Na frente de ataque, Jonas e Lima parecem funcionar melhor juntos, o que acaba por abrir espaço para outras opções no plantel, ficando Derley como o único avançado suplente do plantel principal. Curioso assinalar que Bebé ficou de fora para dar lugar a Gonçalo Guedes (que segundo um dos jornais de hoje estará a caminho do Gil Vicente), tendo o técnico referido Rui Fonte como uma opção a ter em conta para a segunda metade da temporada – a verdade é que o irmão de José Fonte poderá ser o jogador com mais condições de ocupar ambos os lugares da frente, tendo qualidade para jogar como avançado centro ou segundo atacante.

O que importa é ganhar

No entanto, encontrada, ou não, uma segunda equipa dentro do plantel, o que importa para Jorge Jesus e para todos os benfiquistas é ganhar. O Benfica recebe na próxima semana o Vitória de Guimarães e defrontará o Sporting no início de fevereiro. Para a próxima semana, estão alinhavados os nomes que serão opção – Jesus fará modificações consoante recuperem fisicamente os “verdadeiros” titulares que estão lesionados -, para o jogo de fevereiro será necessário compreender se haverá mais surpresas até ao fecho do mercado. O Benfica, como se sabe, resistirá a deixar sair mais alguém, mas o dinheiro fala, muitas vezes, mais alto.