Terminados os encontros da primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, não há volta a dar – a equipa sensação fala português, com Leonardo Jardim a fazer a sua definitiva afirmação na alta roda do futebol europeu. A história do técnico madeirense é feita deste género de dificuldades, desde os tempos de estudante universitário, até à subida a pulso pelos escalões secundários do futebol nacional. Também esta temporada, quando pensaria ter em mãos um projeto milionário com craques como James Rodríguez ou Falcao, foi-lhe puxado o tapete e Leonardo Jardim soube como reunir as peças muito jovens que tem para estar, agora, a um passo dos quartos-de-final.

Leonardo Jardim AS Monaco

Agora todos conhecem Jardim

No Emirates, o AS Monaco apresentou-se pleno de limitações. Sem Raggi, Ricardo Carvalho, Toulalan e Germain, o técnico português optou por algumas inovações que acabaram por resultar totalmente. Na sua linha defensiva, apostou na juventude de Almamy Touré e Wallace, puxando Fabinho para o meio-campo, onde concretizou uma dupla de respeito com Kondogbia. A equipa fechava em duas linhas de quatro, no momento defensivo, com Moutinho e Berbatov abertos na pressão sobre a bola, e quando recuperava estendia-se pelas faixas, com Dirar e Martial a levarem o perigo até perto da baliza dos Gunners. Se o Arsenal foi surpreendido na primeira parte do jogo, na segunda acabou por, na tentativa de reduzir a desvantagem, entregar a eliminatória aos monegascos, que nunca desistiram de procurar o golo, mesmo a ganhar por 0-2. Um Jardim de sonho prepara-se para defender, em casa, o apuramento para os quartos-de-final.

Uma ronda de equilíbrios

Se olharmos para os resultados desta primeira mão, para além do Monaco, só o Real Madrid leva uma vantagem bem confortável para o próximo jogo, depois de vencer o Schalke 04 por 0-2, na Alemanha. Se o Barcelona voltou a confirmar que o Manchester City não tem estrutura técnica para abordar com sucesso os confrontos contra as equipas mais preparadas da Europa, equipas como o Paris SG ou o Shakhtar Donetsk surpreenderam pela forma como “empataram” os seus adversários. Os parisienses obrigarão o Chelsea a não errar na segunda mão, enquanto o Bayern terá que provar que, com Guardiola, conhece melhores caminhos para chegar ao título.

Deve-se, no entanto, sublinhar o bom jogo disputado entre Bayer Leverkusen e Atlético de Madrid, na última noite da Liga dos Campeões. Para começar, as duas equipas apresentam uma estrutura mental muito semelhante, sendo que ambos se colocaram em campo em certo encaixe. Diego Simeone foi obrigado a mexer na equipa devido às lesões de Siqueira e Saúl. A intensidade apresentada pelos colchoneros, durante o primeiro tempo, acabou por se transformar numa postura mais conservadora, oferecendo a iniciativa de jogo ao Bayer Leverkusen e com menos procura dos espaços para dar resposta. Com isto, a equipa alemã conseguiu chegar ao golo e leva uma vantagem preciosa para a segunda mão.

Recital de Porto

Danilo FC Porto

Danilo festeja o golo

Julen Lopetegui conseguiu, frente ao Basel, o seu melhor dia como treinador do FC Porto. Na Suíça, o espanhol jogava grande parte das suas credenciais para se manter na frente da equipa. Com um plantel de maior talento do que o adversário, era o projeto coletivo que estava à prova e a capacidade de, no imediato, competir ao mais alto nível na Europa para, no médio prazo, começar a ganhar títulos. Talvez Paulo Sousa sinta que a lesão de Derlis González lhe retirou o fator criatividade-velocidade a partir da faixa que poderia, durante mais tempo, fazer estremecer a estrutura defensiva dos Dragões. Mas, ao mesmo tempo, a forma como defendeu a magra vantagem pouco espaço lhe dava para ser feliz. O Basel escolheu a forma como quis perder a vantagem e o FC Porto aproveitou para dominar e ganhar confiança para a segunda mão. O aviso que Lopetegui terá que fazer aos seus jogadores, é para não adormecerem no que aconteceu neste jogo. O Basel, já o sabemos, tem várias peles, e Paulo Sousa não entrará derrotado no jogo da segunda mão.