De tempos a tempos, é assim.

Cristiano Ronaldo está em depressão e precisa ameaçar que tem de sair para se sentir melhor. Mais amado. Mais acarinhado. Se calhar, mais bem pago. Ou então é alguém que quer promever a vinda de Cristiano Ronaldo para glória dos adeptos e/ou simpatizantes. Ou ainda, a promoção de um regresso às origens, mas as de segunda boda.

Manchester deve ter acordado para o pesadelo que está a ser o pós-Alex Ferguson. Nada dá certo naquele clube. Primeiro foi David Moyes. Agora é Louis Van Gaal. Parece que o United está a descobrir que nada é tão mau que não possa ser pior. E que o fundo não tem chão.

Mal refeitos de todas estas misérias, e conscientes que o passado não regressa ao futuro, que Alex Ferguson está na sua reforma e que nada o fará de lá sair, até porque não faria sentido e, algumas vezes, o fim significa mesmo o fim, alguns adeptos voltam-se para o único passado com futuro: Cristiano Ronaldo, volta para casa. Como se Manchester fosse a sua casa. Ah, mas é! Funchal, Lisboa e Manchester. E, claro, Madrid. Mas Manchester claro que sim, pois claro. Na verdade foi ali que ele se tornou estratosférico: 100 milhões de euros foram o seu bilhete de libertação da cidade inglesa.

Então, e fartos da tristesa que tem sido o futebol do Manchester United depois da saída de sir Alex Ferguson, os mesmo adeptos que pagaram a um avião para sobrevoar Old Trafford com uma tarja a dizer Wrong One, a reclamar o despedimento de David Moyes, quer pagar a um avião para sobrevoar El Madrigal (o estádio do Villarreal, onde o Real Madrid irá jogar amanhã), com uma tarja a dizer Come Home, Ronaldo. Sintomático, quando as vitórias não aparecem. Há sempre necessidade de um D. Sebastião. O de Manchester é, nesta altura, Cristiano Ronaldo. Ainda está novo, na posse dos seus atributos e, sejamos sinceros, melhor que nunca.

Cristiano Ronaldo

Cristiano Ronaldo está com um início de época fulgurante, com 9 golos nas 4 primeiras jornadas da Liga Espanhola

O problema é que… O problema é que Cristiano Ronaldo é, neste momento, o Real Madrid.

O craque, que já o era em Lisboa e depois o foi em Manchester, foi em Madrid que entrou na galeria dos [muito] poucos extraordinários. E se a saída de alguém como Ángel di María deu no que deu, imagina-se que a saída de CR7 provocaria uma revolução na capital espanhola. No entanto…

No entanto não é a primeira vez que se fala nisso. Nem será a última e, algum dia, poderá ser o dia.

De tempos a tempos, a ideia constroi-se na cabeça de alguém. Por vezes, até, na cabeça do próprio Cristiano Ronaldo. Regresso a Manchester.

Cristiano Ronaldo precisa de competição, de sentir que corre para alguma finalidade. Superar-se a ele próprio. E com gente ao lado dele, pronta para o acompanhar (não sendo de estranhar o, geralmente, mais fraco desempenho de Cristiano Ronaldo na Selecção Portuguesa). Cristiano Ronaldo foi campeão europeu na última época, com o Real Madrid. Mas esse título, saboroso, não apaga as caminhadas em vazio por onde o Real Madrid tem andado. Veja-se o tempo com José Mourinho e a dificuldade em conquistar títulos em casa, para uma equipa que se queria a melhor do Mundo, com o melhor do Mundo. Talvez se esteja a fechar um capítulo. Talvez se esteja na altura de começar tudo de novo. Outros objectivos, outros horizontes, outras conquistas.

Só que este ano, Cristiano Ronaldo está endiabrado.

Depois de um Mundial muito mau por parte da Selecção Portuguesa, no qual Cristiano Ronaldo foi um dos principais responsáveis, de repente, parece ganhar uma vitalidade que nunca tinha tido. Do que será feito este tipo?

Nunca Cristiano Ronaldo tivera um início de época tão prometedor, com tantos golos marcados nas primeiras jornadas do campeonato. Já leva 9 golos apontados. O máximo que se aproximou deste número, foi na época de 2009/10, a sua primeira em Madrid, quando conseguiu marcar 5 golos. Em Manchester, o melhor que conseguiu foi 2 golos à 4ª jornada, na época de 2008/09, a sua última em Inglaterra.

Daí também a pergunta: não estará Cristiano Ronaldo a precisar de novos desafios? É que em Inglaterra, os números nunca foram tão galáticos como o foram/são, em Madrid. Ou seja, os adeptos de Manchester nunca viram o verdadeiro Cristiano Ronaldo. Não seria um prazer para CR7 mostrar-se no seu melhor na equipa que melhor o preparou para o futuro?

Mas o clube que pagou 100 milhões de euros pelo seu préstimo, diz que só o deixará ir por 179 milhões de euros. Alguém está disposto a pagar esta quantia?

Cristiano Ronaldo nunca negou que gostaria de voltar a Manchester. E ele terá pensado no United quando o disse, mas o City é outro dos clubes que aparece quando se fala em interessados em CR7. E terá dinheiro. Mas terá equipa que aconchegue o craque? Olhando para os dois plantéis, é de supor que o do United será mais próximo de Cristiano Ronaldo que o do City. Mas, e Van Gaal? Haverá espaço em Manchester para dois egos descomunais?

Os próximos tempos serão decisivos. Florentino não quererá deixar sair o jogador. Mas os euros poderão falar mais alto. Como dizia Giuseppe Tomasi di Lampedusa através da voz do seu Leopardo, “é preciso que tudo mude, para que tudo continue na mesma”. E Florentino Perez deve querer continuar a ser o Senhor do Real Madrid. Se para isso tiver que continuar a agradar a Cristiano Ronaldo… Ou, por outro lado, a deixá-lo ir…

Boas Apostas!