Tudo a cair assim, em catadupa. Como chuva que cai atrás de chuva.

Em Espanha não há tempo para lamber feridas nem festejar alegrias. Jogo terminado, outro a começar. Rápido. Um atrás do outro. Sem dar tempo para respirar ou pensar demais. As equipas existem para jogar.

No caso do clássico de Domingo em La Liga, quando o FC Barcelona receber o Atlético Madrid para a 18ª jornada do principal campeonato espanhol, vão defrontar-se duas das melhores equipas espanholas da actualidade, vindas de duas vitórias saborosas na Taça do Rei, mas com uma delas a tentar camuflar uma crise em torno de um certo mal-estar entre algumas peças da equipa, e com a outra demasiado no ar dos sonhos pelo que tem vivido nos últimos tempos.

Entre o céu e o inferno, ambas as equipas vão a jogo para ganhar. O FC Barcelona para não deixar fugir o Real Madrid, que teve oportunidade de ultrapassar e foi displicente, e o Atlético Madrid para descolar do FC Barcelona e continuar na perseguição aos rivais da capital.

As três principai equipas espanholas estão coladas umas às outras. O Real Madrid em primeiro com mais um ponto que FC Barcelona e Atético Madrid, com o Valencia FC a olhar do seu quarto lugar, à distância de cinco ponto do primeiro.

Assim, este jogo de gigantes em Camp Nou, embora não vá decidir nada, vai ajudar a preparar caminho e a definir a vida próxima de alguns dos seus executantes. Mais importante para os catalães, o jogo tem tudo para ser um grande jogo.

Que venham, também, os golos.

Em Barcelona os Assobios

Depois dos problemas das últimas semanas, a vitória do FC Barcelona ontem, perante o Elche, em casa, na primeira-mão dos oitavos-de-final da Taça do Rei, por 5 a 0, veio trazer alguma acalmia e promover uma espécie de paz podre. É que por mais acalmia que se propague com as vitórias, existem bastantes problemas com o FC Barcelona que urge resolver pois não vão desaparecer por obra e graça do Espírito Santo. Há um choque de egos e de responsabilidades. Alguém tem de tomar conta do assunto e arriscar decisões. Porque há riscos no horizonte.

FCBarcelona

Com a vitória por 5 a 0 ao Elche, em jogo da Taça do Rei, o FC Barcelona tenta camufler a crise interna

Na memória de toda a gente ainda está bem presente a derrota em San Sebastián, com o Real Sociedad, por 1 a 0, com Lionel Messi e Neymar no banco, as saídas da direcção de Zubizarreta e Puyol, e o não aproveitamento da derrota do Real Madrid para passar para a frente do campeonato.

Contudo, mesmo com uma vitória folgada por 5 a 0, durante a semana, o Elche foi difícil de vergar, com quase toda a equipa atrás da linha da bola, o nulo no marcador ainda se prelongou até aos 35 minutos de jogo. A partir daí, sim, o jogo simplificou-se. Mas até ao primeiro golo o FC Barcelona mostrou a sua dificuldade em transpor a estratégia do adversário, rematando de longe, variando o flanco de jogo e insistindo em tentativas individuais, até que, finalmente, lá surgiu a bola dentro da baliza que libertou, finalmente, a alma dos jogadores blaugrana e aqueceu o pouco público gelado nas bancadas de Camp Nou (cerca de 28 mil adeptos).

E o resultado de ontem veio com a assinatura dos craques: duplo de Neymar, Lionel Messi, Luis Suárez e depois mais um de Jordi Alba. Os presentes entoaram o nome de Lionel Messi. E quando alguns, poucochinhos dos pouco, ensaiaram entoar o nome de Luis Enrique, foi grande a vaia dos outros, mais dos poucos, que estavam em Camp Nou. Portanto, tudo explicado. O povo gosta de Messi, o povo não gosta de Luis Enrique. Que se percebam os sinais.

Com isto tudo, ou Luis Enrique ensaia uma vitória sobre o Atlético Madrid no próximo Domingo ou terá, eventualmente, de procurar novo clube que, a massa associativa não perdoa. Menos ainda se se confirmar que Lionel Messi estará mesmo a pensar sair do clube e ainda mais agravado se for para o Chelsea do arqui-inimigo José Mourinho. É que, para muito dos adeptos do FC Barcelona, o desejo de Lionel Messi sair do clube deve-se ao mau estar com Luis Enrique. mas na verdade, esse mal estar já vem de trás.

De Madrid com Amor

Alegre e contente, confiante nos amanhãs que cantam, vai a equipa do Atlético para Barcelona, em traje de passeio mas consciente de que tem de trabalhar duro.

Atlético Madrid

O Atlético Madrid vem embalado pela vitória por 2 a 0, aos seus rivais do Real, em jogo da Taça do Rei

Depois da reconfortante vitória sobre os rivais do Real, por 2 a 0, na primeira-mão dos oitavos-de-final da Taça do Rei, o Atlético vai a Barcelona, colado à equipa de Luis Enrique, ambos com 38 pontos, menos um que o líder da Liga, o Real Madrid, que tem 39 pontos. Sem medo de jogar onde quer que seja, os pupilos de Diego Simeoni vão para lutar pelos 3 pontos e seguir em frente, não perdendo o primeiro lugar de vista. Os colchoneros gostaram de terem voltado a ser campeões de Espanha e gostariam de repetir a gracinha.

Ainda por cima, agora que Fernando Torres voltou ao seu clube natal, e se espera que faça a sua estreia em Camp Nou para La Liga, são golos, muitos golos, o que se espera da linha mais avançada do Atlético. Com a fome de bola e de mostrar que não é um equívoco, El Niño terá ganas de comer a relva e levar a vitória para Madrid, aproveitando o ambiente mais carregado na equipa do Barcelona, onde equipa técnica e jogadores estão de costas voltadas.

Para rivalizar com El Niño, o Atlético tem lá o meio-campista Antoine Griezmann, que já leva 8 golos marcados, e o avançado Mario Mandzukic, com 6 golos, dos 34 que o Atlético tem marcados (o Real leva 56 e o Barcelona 41). Na defesa, as duas equipas de Madrid já encaixaram 15 golos cada, enquanto o Barcelona só sofreu 8 golos, o que leva a pensar que na Catalunha, os jogadores do Atlético têm de se esmerar para violar as redes de Claudio Bravo.

Domingo é um belo dia para ficar colado ao ecran do televisor para ver este que promete ser um grande jogo. Ou ir a Camp Nou, quem puder.

Boas Apostas!