Sven-Göran Eriksson nasceu em Torsby, na Suécia, em 1948.

Filho do pós-guerra, de uma Suécia protestante e rica, Eriksson apaixonou-se pelo futebol. Sem grandes dotes para a finta e para o remate, nunca tendo passado, enquanto jogador, dos escalões secundários, Eriksson dedicou-se ao estudo da técnica e da táctica.

Embora tenha passado por outras equipas da sua fria terra natal, é quando chega ao IFK Göteborg, onde está desde 1979 até 1982, ano em que ganha a Taça UEFA, que dá nas vistas. E é precisamente de um país quente, pobre e católico, nos antípodas da sua Suécia natal, que surge um convite: do Sport Lisboa e Benfica.

Mas o SL Benfica apareceu porque o jovem Sven-Göran Eriksson, que surgiu praticamente do nada, conquistou a Europa com um clube sueco sem pergaminhos.

Eriksson deixou de ser jogador de futebol por um problema num joelho, mas a verdade é que também não era lá grande jogador, actuando em equipas de escalões secundários. Assim, deixa de jogar, mas não deixa o futebol. E passa para a parte técnica do jogo, tornando-se adjunto numa equipa dos escalões secundários, equipa essa onde, um dia, chega a treinador principal. O bom trabalho nessa equipa balança-o para outros voos e, no ano seguinte está, surpreendentemente, no IFK Göteborg, um desconhecido para os seus jogadores.

Sven-Göran Eriksson está 4 épocas no IFK Göteborg. Logo na primeira temporada, consegue levar o clube ao segundo lugar do principal campeonato sueco e ganhar a Taça da Suécia, pela primeira vez na história do clube. Na temporada seguinte cai para o terceiro lugar, mas na terceira época, volta de novo a conseguir chegar a vice-campeão sueco. Na época de 1981/82, Sven-Göran Eriksson viveu um ano de sonho, com o IFK Göteborg a ganhar o Campeonato Sueco, a Taça da Suécia e, pela primeira vez na história do futebol da Suécia, a Taça UEFA. Eriksson estava assim, no topo do Mundo.

Cobiçado por meia Europa, é ao SL Benfica que Eriksson vem parar.

O Benfica

É assim que, acabado de ganhar a Taça UEFA, Eriksson chega ao Estádio da Luz para transformar o SL Benfica.

Ericksson, Toni & Eusébio

Um trio de respeito à frente dos destinos do SL Benfica: Ericksson, Toni e Eusébio

Durante as duas épocas seguintes, entre 1982 e 1984, Eriksson transforma a maneira de jogar dos encarnados. Adepto do futebol inglês, adopta o 4-4-2, mas tendo sempre como objectivo principal o resultado. E entra no goto dos benfiquistas, que não o esquecem, e que o leva a regressar em 1989, para mais 3 épocas.

Eriksson viveu feliz em Lisboa, e no Algarve, onde parece que ainda tem casa e onde vem para descansar sempre que pode, e os benfiquistas também ficaram felizes com ele.

Não ganhou tudo o que havia para ganhar, longe disso, mas conseguiu trazer de volta ao SL Benfica o prestígio que tinha sido um pouco perdido, pelo menos internacionalmente.

O FC Porto estava a começar o seu enorme período de hegemonia. O SL Benfica estava a estagnar. O Sporting CP estava a desaparecer. Ou seja, a história estava a transformar-se a olhos vistos.

A chegada do sueco Sven-Göran Eriksson, vindo do frio, trouxe uma lufada de ar fresco ao tipo de jogo habitual das equipas e dos jogadores do SL Benfica, para além de trazer, com ele, jogadores suecos que vieram para ficar nos anais da história do clube: Glenn Strömberg, Jonas Thern e Stefan Schwarz. Mats Magnusson chegou antes de Eriksson, mas acabou por sair com ele. Quanto a Michael Manniche, chegou já durante o tempo de Eriksson, mas era dinamarquês.

Certo é que, na época em que chega, o SL Benfica é o campeão nacional. Depois de, na temporada anterior, 1981/82, o SL Benfica ter sido vice-campeão de uma Primeira Divisão ganha pelo rival Sporting CP, as duas épocas seguintes, 1982/83 e 1983/84, sob a orientação técnica do sueco, o SL Benfica volta a ser campeão. Ainda na primeira temporada, o SL Benfica junta a Taça de Portugal ao Campeonato. Vitória sobre o FC Porto, na final, por 1 a 0. Infelizmente para os benfiquistas, não conseguiria ganhar a Supertaça Cândido de Oliveira ao FC Porto. Nessa mesma época chegam à final da Taça UEFA com os belgas do Anderlecht, com os quais perdem, no conjunto das duas mãos.

No final dessas 2 temporadas, Sven-Göran Eriksson saiu do SL Benfica e foi para o calcio, o melhor campeonato na altura, e onde se ganhava, realmente, bom dinheiro. Assim, os próximos 5 anos serão em Itália. 3 temporadas na AS Roma e 2 na Fiorentina. E depois… E depois, o regresso.

Ericksson & Glenn Strömberg

Glenn Strömberg foi o primeiro dos jogadores suecos que vieram para a Luz e apaixonou o Terceiro Anel

Depois de 5 temporados no calcio, Sven-Göran Eriksson voltou onde foi muito feliz, onde gostavam muito dele, e onde deixou obra e muitas saudades.

Regressa então, assim, na temporada de 1989/90. E ficará pela Luz por 3 épocas.

Nas 3 épocas de SL Benfica neste seu regresso, Sven-Göran Eriksson não foi tão feliz nas disputas internas. Chega em 1989, para pegar numa equipa que tinha sido campeã, e acaba em segundo lugar, atrás do FC Porto, já dominador. Na temporada seguinte, 1990/91, Eriksson consegue voltar a ser campeão ao vencer o Campeonato Nacional, com 2 pontos de vantagem sobre o FC Porto e vencer, também, a Supertaça Cândido de Oliveira.. Mas logo na época seguinte, a do adeus, o SL Benfica volta a ser vice-campeão de um campeonato ganho pelo FC Porto. E nestas 3 épocas do regresso, o SL Benfica não consegue ganhar nenhuma Taça de Portugal.

No entanto, na primeira temporada de regresso, em 1989/90, onde não ganhou nada em Portugal, Eriksson conseguiu levar o SL Benfica à final da Taça dos Campeões que acabaria por perder, por 1 a 0, para os italianos do AC Milan.

No final da temporada de 1991/92, Sven-Göran Eriksson diz adeus, pela segunda vez, ao SL Benfica.

Não tendo ganho muita coisa neste seu regresso, Eriksson deixou por cá um grande historial de simpatia e de reconhecimento do seu trabalho que, anos mais tarde, ainda é recordado com bastante saudade.

Depois de sair do SL Benfica, Eriksson rumou, de novo, para o calcio.

Globetrotter

De regresso a Itália, Ericksson vai experimentar outros emblemas. Assim, depois de na década anterior ter treinado a AS Roma e a Fiorentina, desta vez lança-se à UC Sampdoria e à SS Lazio. E em ambas por longo tempo de trabalho. Ericksson vai estar 9 épocas em Itália, neste seu regresso, dos quais 5 em Génova, à frente da UC Sampdoria, e 4 em Roma, a comandar a SS Lazio.

Ericksson & Mancini

Ericksson e Roberto Mancini numa SS Lazio onde o treinador sueco ganhou a maior quantidade de troféus da sua carreira

Na UC Sampdoria, Ericksson ganha uma Taça de Itália, mas é à frente da SS Lazio que Sven-Göran Ericksson vai ganhar quase tudo o que há para ganhar. Na SS Lazio, Ericksson ganha a Serie A italiana (o scudetto), pela segunda vez na história da SS Lazio, e a Taça de Itália, em dobradinha (evento muito difícil de acontecer até então), a Supertaça de Itália, vence, ainda, a última Taça das Taças da UEFA e a Supertaça Europeia, por 1 a 0, frente ao Manchester United.

Depois deste enorme sucesso em Itália, Ericksson é convidado para ser seleccionador inglês, proposta que aceita, tornando-se no primeiro treinador estrangeiro à frente da Selecção de Inglaterra. Está por lá entre 2001 e 2006.

Em 2002 conduz a Selecção de Inglaterra aos quartos-de-final do Campeonato do Mundo da Coreia do Sul – Japão, onde foi eliminada pela selecção brasileira, comandada por Luiz Felipe Scolari, e que iria ser a campeã do Mundo, por 2 a 1.

Dois anos mais tarde, vai com a Selecção de Inglaterra à fase final do Campeonato da Europa, em Portugal, onde chega aos quartos-de-final, outra vez, e é eliminada pela Selecção de Portugal, treinada também por Luiz Felipe Scolari (que chegaria à final que perderia para a Selecção da Grécia), por 6 a 5, na marcação de grandes penalidades, depois de um empate a 2 golos durante o tempo regulamentar e prolongamento.

Em 2006 repete uma fase final de um Campeonato do Mundo, desta vez na Alemanha, onde volta a ser eliminado nos quartos-de-final, outra vez com a Selecção Portuguesa, também treinada por Luiz Felipe Scolari, a sua besta negra (e que chegaria ao quarto lugar), por 3 a 1, na marcação de grandes penalidades, outra vez, depois do 0 a 0 durante o tempo regulamentar.

Ericksson na Costa do Marfim

Em 2010 está no Campeonato do Mundo da África do Sul com a Selecção da Costa do Marfim, mas fica-se pela fase de grupos, ultrapassado pelo Brasil e Portugal, habituais bestas negras do sueco (falta Luiz Felipe Scolari)

Depois deste Mundial, Ericksson despediu-se da Selecção de Inglaterra e foi treinar o Manchester City, equipa que treinou durante uma época, sem grande sucesso, e que voltaria a repetir em Inglaterra, com outras equipas, em curtas passagens, em breves momentos de tempo, entre uma viagem e outra. É assim que volta em 2009, para o Notts County, o clube de futebol mais antigo do Mundo, mas para o qual vai como director para o futebol. Mas, não dura uma época inteira. Volta ainda em 2010, ao Leicester City, também sem grande história para contar.

Entre estes seus regressos a Inglaterra, Sven-Göran Ericksson ainda teve tempo para ser seleccionador do México, em 2008/09, mas foi dispensado antes de cumprir um ano à frente dos destinos da Selecção Mexicana.

Em 2010 aceita o convite para conduzir a Selecção da Costa do Marfim no Campeonato do Mundo de 2010 (o que o leva a estar em 3 fases finais de Mundiais seguidas). Mas as coisas não correm nada bem para Ericksson e a Costa do Marfim. Na fase de Grupos, Ericksson teve o azar de calhar no Grupo G juntamente com a Coreia do Norte e… Portugal e Brasil.

A Selecção da Costa do Marfim é eliminada na fase de Grupos, tendo ficado em terceiro lugar com 4 pontos, resultantes de 1 vitória, 1 empate e 1 derrota, com 4 golos marcados e 3 golos sofridos. A Costa do Marfim ganhou 3 a 0 à Coreia do Norte, empatou a 0 com Portugal e perdeu por 3 a 1 com o Brasil.

Em 2013, Erickson esteve como Coordenador Técnico no Al-Nasr, dos Emirados Árabes Unidos, mas não ficou lá por muito tempo.

Nesse mesmo ano, 2013, Ericksson mudou-se para a China, onde ainda está. Primeiro, esteve uma época no Guangzhou R&F. Actualmente está no Shanghai Dongya. Amanhã, não se sabe onde estará.

Mas cá por Portugal, ainda há muita gente que suspira pelo seu regresso.

Boas Apostas!