O Sporting ofereceu como prenda a todos os seus adeptos o anúncio de um blackout em semana de Natal, isto depois das palavras do presidente Bruno Carvalho e do treinador Marco Silva terem demonstrado que o ambiente que se respira em Alvalade começa a ser tóxico para toda a estrutura.

Marco Silva Bruno Carvalho

Fim da estrada para Bruno Carvalho e Marco Silva?

Marco Silva sempre foi claro nas suas intenções. Subindo um degrau na sua carreira, do Estoril Praia para o Sporting, o técnico esperava beneficiar de jogadores e estrutura para lutar por outros objetivos. No entanto, apesar de estar num grande português, a realidade é bem diferente daquilo que o treinador ambicionava. As contratações não foram, todas, assinadas pelo técnico, que terá sentido que algumas das apostas da estrutura, nas quais foram gastos alguns milhões de euros, pouco beneficiariam as respostas imediatas exigidas pelas competições onde o Sporting entra este ano. A candidatura ao título apresentada por Bruno Carvalho foi, desde cedo, olhada com desconfiança por todos. No papel, o plantel do Sporting está muito longe de ter as opções que os seus principais rivais têm e aquilo que os Leões apresentaram durante a temporada passada – onde não houve competições europeias – dificilmente poderia ser comparado com o nível que a equipa poderia atingir já neste ano. Nani escondeu, até certo ponto, as limitações do plantel do Sporting, e poderá continuar a fazê-lo assim que regressar a 100%. Mas Marco Silva precisa de mais gente para conseguir lutar pelo terceiro lugar e garantir uma presença honrada na Liga Europa, agora que se aproxima a segunda metade da temporada. E sim, ainda há a Taça de Portugal, onde o sorteio “ofereceu” um rival frágil para a próxima ronda, mas onde se terá que ultrapassar uma das equipas madeirenses para chegar à final.

O blackout lança, também, uma dúvida sobre a análise que pode ser feita à política de Bruno Carvalho. O presidente do Sporting foi acusado, desde a sua eleição, de gostar de utilizar algumas bombas comunicacionais para se elevar no panorama futebolístico nacional. Desde esse momento tem vindo a comprar guerras com adversários, fundos e Ligas, mas a sua viragem de armas para dentro do clube foi um erro que nem o próprio será capaz de prever as consequências. Tendo ficado claro que os jogadores deixaram de o ver com o mesmo entusiasmo de antes, depois das críticas – desmesuradas – feitas após a derrota em Guimarães, a sua tentativa de “queimar” o treinador na praça pública também apresenta uma saída cuja única certeza é a de que em nada beneficiará o seu clube. Perante a fragilidade desta relação, Bruno Carvalho só pode manter o seu poder se Marco Silva sair. O problema é que essa decisão ignorará todo o percurso desportivo que a equipa vem fazendo, dentro das suas possibilidades, em detrimento de uma luta por afirmação que pouco sentido faz. Já se viu isso no Sporting, em tempos passados, e conhecem-se bem os resultados gerados.

Bruno Carvalho acaba por voltar a confirmar a velha máxima de que só estamos certos até ao momento em que passamos a estar errados. Para o presidente do Sporting, no entanto, a única forma de estar é absoluta. Absolutamente errado e perdido no caminho que apresentou quando se candidatou ao lugar que hoje ocupa.