O futebol é um desporto que desperta as mais variadas emoções aos adeptos que o seguem.

Somos projectados para uma dimensão diferente da realidade quando nos deparamos com um jogo de futebol. Uma paixão repleta de sentimentos que nos invade a alma de forma genuína.

A forma como cada adepto, individualmente, vive os jogos, depende em primeiro lugar da proximidade com o clube em questão e seguidamente, da intensidade do jogo. Na época da globalização e da diminuição da distância real de tempo, torna-se possível seguir com atenções redobradas os principais escalões do futebol mundial.

Mas existem adeptos que não se limitam a acompanhar os grandes campeonatos, principalmente quando se tratam de clássicos, onde o conceito de intensidade está bem presente a cada lance disputado. As rivalidades são eternas e alimentam-se época após época.

Falemos dos clássicos mais apaixonantes e menos conhecidos do futebol mundial.

Europa

Na Europa, para além dos duelos entre os três grandes portugueses, existem clássicos de grandes agitações.

O grande rival do Barcelona é o Real Madrid, mas nenhum catalão despreza o duelo entre Barcelona e Espanyol, pela proximidade e as razões históricas. O Barça foi fundado em 1899 e o Espanyol nasceu em 1900. Desde cedo que o Camp Nou, na época o Les Corts, e o Sarriá, protagonizaram clássicos emocionantes e de grande tensão, com mais de 150 edições.

Partindo para Itália, não faltam candidatos ao prémio do melhor clássico italiano. Numa vertente de fair-play, o derby della Lanterna, entre Génova, criado em 1893, e Sampdória, fundado em 1946. A distância temporal não impediu que a paixão e a rivalidade genovense fosse crescendo entre a parte mais central de Génova e os bairros mais periféricos que representavam o Sampdória.

Áustria Viena - Rapid Viena

Em Viena, Rapid e Áustria, ou operariado e burguesia, defrontam-se no campo

Com mais de 1,7 milhões de pessoas, Viena é considerada como uma das capitais europeias com maior peso cultural. Desde a década de 1950 que a cidade da música tem sido o palco do clássico entre Rapid e Áustria de Viena. O primeiro surgiu em 1898 e tem na classe operária a sua essência, contrariamente ao Áustria, criado em 1911, que é um clube ligado à burguesia.

Partizan – Estrela Vermelha é o clássico que faz incendiar Belgrado. O derby eterno ou veciti derbi é protagonista de um dos clássicos mais espectaculares de sempre. Há mais de 60 anos que os coveiros, ou grobari, e os heróis, ou delije, do Estrela Vermelha rivalizam de tal forma que os efeitos pirotécnicos vindos das bancadas são vistos a larga distância do epicentro do jogo. O Partizan e o Estrela nasceram ambos em 1945. Os vermelhos de Belgrado representam o Partido Comunista, enquanto o Partizan foi fundado pelo Exército.

Na Europa de Leste também podemos destacar o Steaua e o Dínamo em Bucareste, o Levski e o CSKA, em Sófia e o Hajduk Split e o Dínamo de Zagreb.

Por estes relvados fora podem existir muitos clássicos mas dificilmente algum tem a dimensão de um Celtic – Rangers. Uma batalha que ultrapassa a barreira desportiva e invade Glasgow por questões religiosas. Tudo começou com um jogo de carácter amigável a 28 de Maio de 1888. As diferenças filosóficas e religiosas estão no centro desta rivalidade. De um lado, o Celtic, fundado em 1887 e de cariz católico. Por outro, o Rangers, assente numa política segregacionista e de religião protestante. Actualmente, o Rangers disputa o segundo escalão escocês, pelo que não é possível assistir a este duelo histórico.

América

Grémio - Internacional

Em Porto Alegre, um derby centenário, Grémio – Internacional

Os torcedores brasileiros vivem praticamente um clássico por jornada mas o Gre-Nais é considerado, por muitos, como o grande derby canarinho. O Grémio e o Internacional, fundados em 1903 e 1909, respectivamente, assumem um papel de relevância no panorama de Porto Alegre. O Tricolor e o Colorado já somam mais de um século de clássicos e prometem não parar por aqui.

No México, o América e o Chivas representam um desafio entre os ricos contra pobres, capital contra interior, estrangeiros contra locais, contratações sonantes contra jovens da formação. O América foi criado em 1916 e o Chivas em 1906, mas só na década de 50 é que a rivalidade aumentou de tom.

A Liga Deportiva Universitaria de Quito, mais conhecida por LDU, foi fundada em 1930 em contraponto com a Sociedad Deportivo Quito, clube construído em 1955. Os albos e os azulgranas não perderam tempo em transformar os seus embates em domínio nacional, assumindo hoje o carácter de jogo mais importante do Equador.

Ásia

A China apresenta hoje um potencial enorme de crescimento. Em 1994, viu o seu campeonato de futebol tornar-se em profissional e com isso aquecer uma rivalidade, já existente, entre o Beijing Guoan e o Shanghai Shenhua, representando Pequim e Xangai, os dois maiores centros chineses que divergem, em muitos pontos de vista, sendo o futebol um deles.

Na Coreia do Sul, o clássico entre Suwon Bluewings e o FC Seoul começou em 1996. Os vizinhos separaram-se quando a K League obrigou o Seoul a mudar-se para Anyang, uma cidade próxima da capital. O clube de Suwon, situa-se a 30 km de Seoul. Uma rivalidade que se estende ao mundo dos negócios com a LG a patrocinar o Seoul e a Samsung o Suwon.

África

Kaizer Chiefs - Orlando Pirates

As vuvuzelas não se calam em Joanesburgo, no derby entre Kaizer CHiefs e Orlando Pirates

Os faraós e as pirâmides do Egipto não são indiferentes quando o Al-Ahly e o Zamalek entram em campo. Um dos maiores derbys do futebol mundial. O Nilo agita-se e os 16 milhões de habitantes do Cairo não se sentem indiferentes, despertando um efeito de paixão e magia. Os fiéis do Al-Ahly e do Zamalek, fundados em 1907 e 1911, apoiam os seus clubes de forma incondicional com um sentimento único.

Vuvuzelas, cornetas e muita animação. É assim que os sul-africanos se alimentam na rivalidade entre Kaizer Chiefs e Orlando Pirates. Os clubes de Joanesburgo nasceram em 1970 e 1937, e pouco mais de quatro décadas os seus jogos já são reconhecidos a nível mundial.

Um conjunto de rivalidades que se estende muito mais do que os 90 minutos dentro de campo. São 365 dias com o mesmo pensamento: ganhar ao rival. Um fenómeno universal que move multidões.

Boas Apostas!