Como disse Barry Glendening, “The Premier League is just bonkers!” Está tudo doido! Não bastava a intrincada contagem de pontos, e jogos em atraso, que vai decidir o título e a luta pela manutenção no fundo da tabela. Tiveram que arranjar uma dramática disputa pela quarta posição, aquele lugar mágico que carimba a entrada na Liga dos Campeões da próxima temporada. Com quatro jogos para o fim do campeonato, de agora em diante todos os jogos são finais, de vida ou morte. E como ninguém joga sozinho, já dizia o outro, isto anda tudo ligado e pode mudar num abrir e fechar de olhos.

Alinham-se os candidatos

Arsenal, 67 pontos. Everton, 66. Tottenham, 60. E Manchester United com 57. Teoricamente, qualquer um destes candidatos pode conseguir agarrar o quarto lugar da Liga Inglesa. Até os Red Devils, na longínqua hipótese de os adversários não pontuarem daqui até ao fim do campeonato. Há doze pontos em disputa, quinze para os de Manchester que têm um jogo em atraso. Mas claramente Gunners e Spurs são favoritos. A expressão mais repetida neste texto será “em teoria”, sendo que a prática tem a mania de se fazer engraçada.

Quanto maior o salto, maior a queda

Comecemos por analisar o que espera a equipa de Arsène Wenger nestas próximas semanas. Desloca-se ao Hull City e ao Norwich, pelo meio recebe nos Emirates o Newcastle United e o West Brom Albion. No papel este é o calendário mais fácil dos quatro candidatos. Os Magpies, desde que perderam Yohan Cabaye, andam de rastos, e os restantes são adversários modestos para o Arsenal. Mas, o problema de defrontar equipas destas nesta altura da competição é que a luta pela sobrevivência é uma motivação tremenda, como o Manchester City pode comprovar na quarta-feira passada. E se há coisa que ficou evidente pelos dois últimos dois jogos dos Gunners é que a equipa continua à deriva e com falta de inspiração. Tanto no caso do Wigan, nas meias-finais da FA Cup, como no do West Ham, para a Liga, o resultado final mascara o sufoco que a equipa sentiu durante as partidas e o facto de terem estado, em ambas as situações, perto de derrotas embaraçosas. O mau momento nem sequer é de agora. O registo que tem nos últimos dez encontros da Liga é muito fraco (3V/ 3E/ 4D) para um clube que ainda há meia dúzia de semanas estava na disputa do título. Uma vez mais, os Gunners deram razão aos cínicos e falharam nos momentos decisivos. Ainda assim, nesta contenda pela quarta posição dependem apenas de si. Embora no caso do Arsenal isso não seja muito reconfortante.

Fazer história

Passemos então ao Everton. Perder com o Crystal Palace não estava, de todo, nos planos, apesar da equipa de Tony Pulis ser um adversário traiçoeiro nesta segunda metade do campeonato. Roberto Martínez mostrou a tristeza pela derrota. Não tanto pelos pontos desperdiçados, que são importantes, até porque o técnico espanhol não acredita que o Arsenal seja capaz de uma ponta final sem tropeçar. O que perturbou Martínez foi a exibição incaracterística dos seus homens nos primeiros quarenta e cinco minutos do desafio. Numa palavra, receosa. Em teoria, os Toffees têm os compromissos mais complicados, os dois clubes de Manchester em casa, Southampton e Hull City fora. À exceção dos Saints, que têm a época decidida, todos os restantes têm uma agenda própria. O City arrisca o título, o Hull a despromoção e o United há-de fazer uma derradeira tentativa para salvar a face. Desde que foram eliminados da taça, os de Merseyside estiveram ao rubro, vencendo seis jogos de seguida, um caminho dominante que o Palace interrompeu na terça-feira. Quando, no início da época, o espanhol sucedeu a David Moyes, houve quem temesse pelo período de transição. Mas o novo técnico acalmou rapidamente as hostes. A quatro jogos do final da sua temporada de estreia, o trabalho fala por si. Uma pontuação recorde do clube, desde que a Liga Inglesa tem este formato, leva muitos adeptos a pensar que perder Moyes foi a melhor coisa que lhes podia ter acontecido.

A correr por fora

Adebayor Rooney

A correr por fora mas ainda a sonhar

Seguem-se o Tottenham e o United, ambos a correr por fora mas ainda não descartados da corrida. Tim Sherwood queixava-se há dias que com Gareth Bale os Spurs estariam a lutar pelo título. Eu respondo que, se calhar, com André Villas-Boas, mesmo sem Bale, o quarto lugar já estaria garantido. Adiante. O Tottenham recebe o Fulham e o Villa, vai ao terreno do Stoke e West Ham. Daqui não sairão pontos fáceis. Os homens de David Moyes partem para esta discussão com dez pontos de atraso para o Arsenal mas enquanto for matematicamente possível não podemos riscá-los. São os únicos candidatos com cinco jogos pela frente, em virtude de uma partida em atraso. Mas apesar da surpreendente prestação diante do Bayern de Munique ninguém acredita que os Red Devils têm o que é preciso para levar esta avante. A próxima temporada da Liga dos Campeões não vai passar por Old Trafford.

Boas Apostas!