A Liga espanhola parece, este ano, mais equilibrada do que é habitual, com várias equipas a entrarem no grupo dos primeiros lugares durante o primeiro terço da competição. No então, cumprida que foi a décima-quarta jornada na Liga BBVA este fim-de-semana, a corrida parece reduzida aos dois milionários espanhóis, ao campeão em título e, eventualmente, ao Sevilla, que tenta resistir mais próximo dos primeiros. Valencia, Villarreal e Málaga terão, pelos vistos, que se satisfazer com outras lutas.

Os milionários do costume

Sergio Ramos Real Madrid

O Real está um passo à frente da concorrência

Real Madrid e Barcelona, Cristiano Ronaldo e Messi, a defesa da Liga da Paz ou a luta pelos direitos dos adeptos. Entre os milionários do costume, como é habitual, tudo parece tema para questionamentos. O Real Madrid está mais forte este ano, com Cristiano Ronaldo a fazer uma época incrível e com Carlo Ancelotti a conseguir resolver o puzzle deixado pelas movimentações no mercado orientadas por Florentino Pérez. No entanto, as lesões vão aumentando o nível da dificuldade da condução do italiano, que continua a dar uma resposta quase-perfeita. Por sua vez, o Barcelona teve dificuldades e escolhas discutíveis no mercado, mas Luis Enrique, contando com um Messi que parece voltar, aos poucos, ao seu melhor, mantém-se firme na discussão do primeiro lugar e apenas a derrota frente ao seu maior rival o separa da primeiro lugar.

Mas há mais. Como todos os anos, a discussão sobre quem será o melhor do mundo afeta as duas maiores cidades espanholas, que surgem como que contaminadas por uma questão que nunca terá uma resposta definitiva. É simplesmente impossível poder escolher entre Cristiano Ronaldo e Lionel Messi para melhor do mundo porque eles são os dois melhores do mundo, cada um ao seu estilo e na sua posição específica, parecendo hoje cada vez mais aceitável que ambos caberiam num mesmo onze, hipoteticamente, de uma qualquer seleção para um confronto galático. Finalmente, enquanto o Real Madrid expulsa adeptos do seu estádio em nome das novas regras da Liga da Paz, Luis Enrique vai fazendo a defesa do direito dos adeptos em poderem insultar quem eles quiserem no estádio de futebol.

Todos os ingredientes parecem prontos, assim, para transformar estes dois elementos da corrida, os mais poderosos, numa infinidade de histórias de guerra por disputar. Mas haverá mais gente a intrometer-se.

O campeão ainda é o campeão

Elche Atl Madrid

Pressão colchonera em Elche

O Atlético de Madrid foi colocado fora da corrida muito antes desta começar, quando Diego Costa e Thibault Courtois foram anunciados no Chelsea. Mais tarde, Filipe Luis acompanhou as duas referências da equipa e parte importante dos colchoneros campeões parecia desfeita. Não podemos, ainda assim, subestimar a capacidade de Diego Simeone criar referências onde elas não existem. Moyá, chegado do Getafe, começa a fazer por merecer um espaço na seleção espanhola, Mandzukic reencontrou-se com os golos e nomes que eram já centrais na equipa no ano passado (os dois centrais, Godin e Miranda, Tiago, Gabi, Koke) encontram companhias em Giménez ou Siqueira para fazer uma equipa bastante forte. O campeão ainda é o campeão e está em condições para se manter na disputa do título de melhor equipa espanhola.

Vitória em Vallecas dá direito ao sonho

O Sevilla mantém-se como o quarto passageiro desta corrida, ainda que exista a tradição de ver o quarto (e muitas vezes, o terceiro) elemento a cair, formando-se um fosso entre os primeiros lugares e as restantes equipas que tentam marcar presença na Liga dos Campeões. Vencer em Vallecas, perante o combativo Rayo Vallecano, renova as esperanças da equipa da Andaluzia, ainda que Unai Emery se vá dando por satisfeito por ser o primeiro dos que estão na corrida pelo playoff da Liga dos Campeões, mais do que pensar em outros voos. No entanto, em Sevilla parece existir matéria-prima e talento capaz de materializar uma equipa com o espírito dos colchoneros. Bacca é a referência ofensiva e voltou a marcar, enquanto Banega lidera a ofensiva da criatividade. Na defesa, três nomes portugueses voltaram a estar entre os titulares, ainda que Daniel Carriço tenha visto o cartão vermelho. Beto e Diogo Figueiras, por sua vez, aguentaram até ao fim dos noventa minutos a tentativa do Rayo em dar a volta ao resultado.