Pausa para compromissos internacionais.

O termo provoca um certo aborrecimento no adepto comum, sedento pelo refúgio que o fim-de-semana constitui quando nos transporta para os grandes palcos das principais ligas europeias, não esquecendo os 90 minutos despendidos no estádio, no sofá ou no café, inteiramente dedicados ao clube que faz o coração bater com superior veemência.

As seleções têm a sua magia nas fases finais, onde só estão os melhores e num contexto mais sério, quando os mais fervorosos pintam as respetivas cores no rosto e conservam o hábito de estender a bandeira nas varandas. Mas enquanto decorrem os melhores campeonatos e as cores clubísticas se encontram em prova, os jogos das seleções são quase que um inconveniente para o adepto, e uma pedra no sapato da maioria dos treinadores.

A parca qualidade das equipas em fases de qualificação, por vezes pouco rotinadas na sequência de necessárias renovações, não ajuda a atrair o adepto. Certo é que o tempo dos “toscos” terminou e, as nações de menor tradição, por vezes aproveitam o relaxamento das grandes seleções para baterem o pé. A emancipação de microestados merece-nos destaque nesta ronda de jogos de qualificação para o Europeu de 2016, importando também abordar o abandono de Volkan Demirel perante os apupos dos compatriotas ou a interrupção do Itália x Croácia.

Emancipação

Grécia 0 - 1 Ilhas Feroé

A Selecção Grega perdeu, em casa, 1 a 0 com a Selecção das Ilhas Faroé, e demitiu o seu treinador, Claudio Ranieri

É definitivamente uma das seleções mais underground do futebol europeu e a antepenúltima no ranking de equipas do velho continente, mas pode gabar-se de ter sido responsável por (mais) uma demissão do italiano Claudio Ranieri. A vitória por 0-1 na Grécia, foi a quinta nos últimos dez anos, e a quarta fora de portas, em 24 anos de história. Para a história fica o golo de Joan Edmundsson, que permitiu ao conjunto nórdico gelar Atenas. No que diz respeito às redes sociais – onde pode ver a euforia que se seguiu ao triunfo dentro do balneário – as Ilhas Faroé certamente merecem um lugar mais prestigiante.

San Marino e Liechtenstein. A população de cada um dos países não chegaria para encher qualquer estádio dos ditos três grandes portugueses. Somadas, excederiam por pouco a lotação do Estádio da Luz, o maior recinto no contexto nacional. A única vitória da formação que ocupa o último lugar do ranking FIFA desde a sua constituição foi em 2004, num jogo amigável, precisamente à custa… do Liechtenstein.

13. Passaram-se 13 anos desde que San Marino havia conquistado um ponto oficial e, pelo meio, no ano de 2008, sofreu o mesmo número de golos numa derrota frente à Alemanha. Nessa altura, o microestado europeu conseguira empatar a uma bola diante da Lituânia, em jogo de qualificação para o Campeonato do Mundo. No entanto, em 24 anos de história, nunca tinham pontuado em jogos de qualificação para um europeu… até ontem, na receção à Estónia. Chegava ao fim uma série de 61 derrotas e, portanto, escusado será dizer que a euforia tomou conta dos jogadores samarineses, muito apoiados durante o jogo por uma claque infantil que trauteava insistentemente o nome do microestado.

Moldávia 0 - 1 Liechtenstein

A Selecção Moldava permitiu, em casa, a vitória da fraquíssima Selecção do Liechtenstein

O Liechtenstein, que naturalmente já esqueceu a derrota de há uma década diante de San Marino, também quis ser protagonista desta jornada e foi à Moldávia vencer por 0-1, com um golo de bela execução apontado pelo capitão Franz Burgmeier. Quatro remates, um golo. Eficácia forasteira a contrastar com a prestação moldava, que não conseguiu marcar apesar dos 18 remates concretizados. Mais de três anos e 16 jogos depois, uma vitória!

Na Turquia, um caso insólito. Antes do pontapé de saída do Turquia x Cazaquistão, Volkan Demirel, guarda-redes titular pela seleção otomana, abandonou o recinto de jogo quando ainda realizava exercícios de aquecimento. Atleta do Fenerbahçe, foi fortemente apupado e insultado pelos adeptos do Galatasaray presentes na Turk Telekom Arena, casa do clube. Aos 33 anos, sentindo-se desrespeitado, o guardião não se fez rogado e abandonou o relvado.

Em San Siro, nova dor de cabeça para a UEFA. Depois do episódio que levou ao caos no Sérvia x Albânia e consequente suspensão do jogo, ontem, no encontro entre Croácia e Itália, novos incidentes que obrigarão o organismo que tutela o futebol europeu a agir. O arremesso de tochas por parte da fação ultra afeta à seleção croata levou à interrupção da partida. O treinador Niko Kovac repreendeu a atitude, dirigiu-se às bancadas aquando da paragem, e no final voltou a demonstrar o seu desagrado na conferência de imprensa.

Ronaldo x Messi

Relativamente à agenda do seleção nacional, esta terça-feira há jogo diante da Argentina. Quaresma, na conferência de imprensa de antevisão, disse que Cristiano Ronaldo está acima do “outro”. O “outro”, que é só Lionel Messi. A desvalorização de um dos melhores de sempre é uma coisa quase tão portuguesa quanto criticar a seleção e questionar todas as escolhas do selecionador. Acredito que o segundo hábito persistirá, é algo que nos caracteriza, mas também estou em crer que daqui a uns anos vamos olhar paras trás e perceber que dificilmente se assistirá à coexistência de dois jogadores de nível tão elevado.

Boas Apostas!