E depois de uma semana em que os principais clubes, utilizando equipas de segundo plano, conseguiram levar a melhor sobre os seus oponentes na Taça da Liga, mantendo em aberto a hipótese de estarem, os principais clubes nacionais, nas meias-finais, aproxima-se o fim-de-semana de fecho da primeira metade do campeonato da Primeira Liga.

A partir daqui a responsabilidade aumenta. Começa a haver menos hipóteses de recuperação. Os jogos já não se repetem. Começa-se a queimar as etapas com o horizonte do fim cada vez mais próximo. As possibilidades de inverter caminhos começam a anular-se.

As equipas do fundo da tabela guerreiam-se para tentar fugir aos últimos lugares. Se até agora Gil Vicente e Penafiel estavam tombados lá para trás, nada garantia a sua despromoção. A partir de agora, cada ponto perdido significa mais uma queda na agonia da descida e cada ponto ganho mais um degrau na esperança da permanência. Porque o caminho tende a estreitar. E começam uns a querer subir à custa dos outros. Alguém tem de descer.

Mas também na parte de cima da tabela a guerra é de tudo ou nada. Se, até agora, os 6 pontos de vantagem que o SL Benfica tem sobre o FC Porto não significava mais nada que 2 vitórias de diferença, numa altura em que os grandes ainda têm jogos entre si que podem voltar a colocar, de novo, tudo ao mesmo nível, a apartir daqui, cada jogo que se ultrapassa, mantendo a distância, é um aproximar do título. E quanto mais uma equipa se aproxima do título, mais difícil se torna não lá chegar. E quanto mais uma equipa sente ser difícil apanhar outra, mais impossível se torna.

O Campeão em Título

No início da época, ninguém dava nada por esta equipa que tinha acabado de ser campeã da Primeira Liga e ganho mais dois troféus nacionais: a Taça de Portugal e a Taça da Liga.

Uma equipa fortíssima, que jogava junta de olhos fechados, com classe e rigor, tinha sido desbaratada. Os novos nomes não passavam disso mesmo, novos nomes a que é preciso colocar algum futebol em cima para se perceber o que é que valem e que os jogos da pré-época não auguraram nada de bom.

Pois, a um jogo do final da primeira volta, esta equipa desequilibrada do SL Benfica está com 6 pontos de vantagem sobre o segundo classificado.

Lima

Ausente dos golos esta época, Lima foi o improvável herói benfiquista no Dragão ao marcar os 2 golos da vitória do SL Benfica sobre o FC Porto

Se se tiver em conta que esta primeira metade da Liga foi jogada em contenção, com a falta de muitos dos jogadores titulares da época passada e que foram vendidos, ou ainda com as lesões de peças importantes que se eternizaram no tempo e que começam agora a ser debeladas, nos novos jogadores que estão a chegar nesta janela de Inverno, para além da aposta em valores, já seguros, das camadas mais jovens e que têm acompanhado a equipa dos grandes e, nalguns casos, acumulado alguns minutos, e ainda, o não desgaste na Europa por ter sido eliminado cedo na Liga dos Campeões, sem passagem pela Liga Europa (os males que vêm por bem) e, também, a ausência na Taça de Portugal, eliminado em casa por um SC Braga que se coloca em bicos dos pés para ser o 4º grande (embora nunca tivesse ganho o campeonato, ao contrário de Belenenses e Boavista), pode dizer-se que, os tempos que se avizinham, no Estado da Luz, têm tudo para serem agradáveis.

Claro que o SL Benfica não pode pôr-se à sombra da bananeira, na certeza de que tudo está controlado e ganho, mas é por isso que um treinador como Jorge Jesus, já há seis anos à frente dos destinos do clube, é importante, porque já conhece o seu destino pela forma como já o experimentou várias e diferentes vezes, com os diferentes resultados que se conhecem. Jesus sabe que o seguro morreu de velho e, melhor que jogar bem, é ganhar os jogos. E é nisso que está focado, sabendo também a importância do SL Benfica renovar o título e ganhar o único e importante troféu que tem para ganhar esta época (embora possa, ainda, vir a fazer o triplete como no ano passado, já que ganhou no início da época a Supertaça, e ainda está a correr pela Taça da Liga).

Por isso é muito importante este jogo de final de meia-época com o Marítimo, num campo tradicionalmente difícil para os encarnados, onde na época passada perderam, mas de onde arrancaram para a conquista do título.

Manter, no mínimo, estes mesmos 6 pontos de diferença para o FC Porto é de uma grande importância. E a equipa está consciente disso.

O Principal Adversário

O FC Porto tem sido, nos últimos 30 anos, o principal clube nacional, com o maior número de troféus e competições ganhas, mas que, nos últimos tempos tem acreditado que o nome, por si só, faz tudo. Foi assim que o FC Porto foi campeão, duas vezes, com Vítor Pereira. Foi assim com a aposta de risco, na época passada, com a escolha de Paulo Fonseca e, este ano, com Julen Lopetegui, a quem deram uma máquina que, parece, tem dificuldade em conduzir.

Desde o início da época que se percebeu (e toda a gente o afirma), que esta equipa do FC Porto é a melhor dos últimos anos. Muito forte, competitiva, com grande jogadores capazes de, sozinhos, inverter jogos, ainda não conseguiu ser afinada, embora nos últimos jogos, Julen Lopetegui parece ter, finalmente, encontrado um onze base mais-ou-menos estável.

Ricardo Quaresma

Inicialmente proscrito por Julen Lopetegui, Ricardo Quaresma acabaria por se revelar como a solução para muitos jogos difíceis de resolver

Foi, aliás, com as experiências executadas pelo treinador ao longo de quase toda esta primeira metade do campeonato, que levou a este afastamento dos dragões do primeiro lugar e a ficar para trás na tabela classificativa. E só não está pior porque, um dos jogadores proscritos pelo treinador no início da Primeira Liga, apareceu a espaços para lhe salvar a vida, arrancando vitórias, para a equipa, que se adivinhavam difíceis, senão mesmo impossíveis.

Este FC Porto também foi um tanto iludido com os resultados obtidos na Liga dos Campeões e na facilidade do seu acessível grupo. Estes resultados camuflaram as constantes alterações, resultante das indefinições de um treinador que se descobriu com uma equipa fabulosa nas mãos e quis ir utilizando tudo, sem criar bases, raízes, constância.

Depois de muita insistência por parte da bancada, Julen Lopetegui lá deu o braço a torcer e, na pausa da Liga dos Campeões, e mais focado na Primeira Liga, lá conseguiu coser uma equipa base que começou a dar frutos e a tornar o futebol do Porto mais consistente, mas ainda pouco eficaz.

É necessário lembrar que o FC Porto ainda não ganhou aos seus mais directos adversários, tendo perdido com o SL Benfica, em pleno Estádio do Dragão, e empatado em Alvalade, com o Sporting CP, que também os eliminou da Taça de Portugal.

Com a excelente equipa que o FC Porto tem, e depois do seu treinador ter finalmente percebido as vantagens de uma equipa serena e segura, estável, à qual será necessário somente algumas, pequenas, afinações ao longo da época, esta equipa está finalmente a correr atrás do prejuízo e a forçar o primeiro lugar. Vamos a ver se ainda vai a tempo, ou se estes 6 pontos que o separam do SL Benfica não são já intransponíveis. É que o mês de Fevereiro não se afigura nada fácil para a equipa do Porto

Para já, este fim-de-semana tem de ir espetar mais um prego na agonia do Penafiel, se quiser continuar a pressionar as águias.

O Terceiro Clube

Mal-grado as vontades presidenciais, o Sporting CP não conseguiu mostrar garra para correr atrás do título.

Nada que não se esperasse, afinal esta é uma equipa, ainda, em construção. Foram enganados pelos excelentes resultados da época passada. Mas essa foi um época irrepetível (e o Sporting CP estava totalmente focado nas competições nacionais, não tendo o desgaste das competições europeias). Mas era um plantel curto e jovem.

Tanaka

Tanaka, que só nos últimos jogos é que começou a ser utilizado por Marco Silva, tem-se revelado o grande reforço sportinguista da janela de Inverno

Ora, este ano, o Sporting CP, também é, essencialmente, uma equipa muito jovem. Já não tão curta porque Marco Silva, o novo treinador desta equipa, tem descoberto coisas boas na Academia, mas são jogadores ainda em formação. Jogadores que precisam de tempo, de minutos de jogo, de incentivo, de uma equipa com bom ambiente e calma, sem ter de correr atrás do que não consegue, mas solidificando o que lhe é possível.

Se este ano o terceiro lugar do Sporting CP parece uma inevitabilidade, isto deve-se mais ao acerto do FC Porto (que o não teve na época passada), do que a irresponsabilidades da equipa técnica sportinguista. Até porque este ano há Nani. E sabe-se o quão importante tem sido.

A guerra surda a que se assistiu nos últimos tempos, entre o presidente e o técnico, só veio agravar os processos de crescimento da equipa. Bruno de Carvalho ambicionava correr, este ano já, em direcção ao título, mas este Sporting, até pela mudança de treinador e alterações na equipa (sairam e entraram novos jogadores) é uma equipa em construção. Precisa de tempo. A equipa técnica precisa de tempo. O onze por ela escolhida, precisa de tempo. Os jovens jogadores que vêm da equipa B, ou dos juniores, precisam de tempo. E tempo é o que o presidente da equipa não queria dar e que acabou por perceber que, afinal, precisava de o dar. Algo que a bancada soube perceber. E fez ver ao presidente. Se o braço de ferro entre presidente e treinador terminasse, como se esperava, com a demissão do treinador, era outra época para o lixo e um recomeçar, de novo, de todo um processo.

Agora com as coisas mais calmas, o Sporting CP tem de se preocupar em manter este terceiro lugar que ainda dá acesso à Liga dos Campeões.

Este fim-de-semana termina a primeira volta do campeonato com a recepção ao Rio Ave, uma das equipas sensação da Primeira Liga. É preciso foco. Calma. E perceber que uma construção é um processo longo e moroso, não é filho de natureza espontânea.

As Outras Equipas

SC Braga 0 - 0 Vitória Guimarães 2014

Primeiro jogo a zeros, entre Braga e Guimarães, na Pedreira, promete forte luta no confronto da segunda volta

É relativamente tranquilo afirmar que, as outras equipas da Europa vão ser as do Minho: Vitória de Guimarães e SC Braga. A expectativa está em saber quem fica à frente de quem. Neste momento a equipa de Guimarães está em quarto lugar, com 3 pontos de vantagem sobre os seus vizinhos de Braga. Mas isto é um jogo. É uma vitória ou uma derrota. A qualquer momento pode ser invertido, o que garante um interessante campeonato entre estas duas equipas que, ainda por cima, são rivais.

No fundo da tabela, Gil Vicente e Penafiel, parecem ter já a sorte da descida decidida. Mas Académica e Vitória de Setúbal não estão muito melhor. A que se pode acrescentar, ainda, Arouca, Nacional e Boavista, que não estão assim tão distantes pontualmente que não sejam chamados à luta pela sobrevivência.

A meio da tabela andam por lá as restantes equipas que, se estão seguras, ou quase, da sua permanência, também não têm veleidades de algo mais.

Mas são estas as pedras que vão tentar incomodar quem quer ganhar a Primeira Liga e quem não quer descer de divisão. Quem ganhar estes confrontos levará a melhor.

E se esta semana é boa para ver como termina esta primeira volta, os jogos da próxima semana garantem-nos a vontade com que as equipas aparecem para lutar pelos seus objecivos.

Boas Apostas!