A Liga Inglesa está de volta em grande estilo. Mais ou menos folgados, os três favoritos entraram com o pé direito. Leicester deixa-se surpreender por um Hull City acima das expetativas. Arsenal corresponde ao pouco que se esperava. Liverpool deslumbra com golos espetaculares mas tem que ter atenção aos festejos antecipados. O Everton de Koeman já dá lições defensivas e Shaqiri rouba o Boro de uma estreia de sonho. Venha a próxima jornada.

Hull surpreende o campeão

O Leicester City abriu a jornada de estreia e entrou no campeonato com uma derrota. Mais do que evidencia de algum problema no atual campeão da Premier League, o resultado é mérito de um Hull City que não deixou que as dificuldades internas – treinador interino, reforços zero, clube à venda e lesões importantes – se refletissem na exibição em campo.

Gunners sem munições e o risco dos festejos antecipados

Klopp reconheceu que o excesso nos festejos desconcentrou a equipa. lLição aprendida?

Klopp reconheceu que o excesso nos festejos desconcentrou a equipa. Lição aprendida?

Logo a seguir os Gunners recebiam o Liverpool no Emirates e correspondiam ao que deles se esperava. Mais um arranque em falso. Arsène Wenger perde em casa, frente a um concorrente direto, e culpa a juventude de alguns elementos do plantel. Com Mertesacker e Gabriel Paulista lesionados para vários meses o Arsenal não se decide a contratar um central. Koscielny regressou mais tarde, em virtude da participação no Euro, e supostamente ainda não está em forma. A equipa alinhou com Callum Chambers e Rob Holding que, sejamos sinceros, não deixaram os parentes na lama. Antes de comprometer o jogo na defesa o clube londrino já tinha perdido o meio-campo.

A equipa de Jurgen Klopp está com uma energia contagiante e marca golos deliciosos. O livre de Philippe Coutinho e o lance do golo de Sadio Mané são candidatos a tento da jornada. Percebe-se o entusiasmo – afinal estavam a vencer um rival por 4-1 – mas aconselha-se maior contenção nos festejos antecipados.

O xadrez de Guardiola

Pep Guardiola estreia-se na Premier League com um triunfo. Não foi brilhante – nem podia ser – mas já deu para perceber movimentações interessantes introduzidas pelo técnico catalão. Os laterais, Sagna e Clichy, avançam para cobrir o centro do terreno, Fernandinho recua para assistir os centrais, David Silva sobe para se juntar a De Bruyne no apoio ao ponta de laça, com os extremos a alargar ao máximo a frente de ataque. O 4-2-3-1 é apenas uma referência para quando a equipa não tem a posse de bola, o que acontece quando o rei faz anos. Não é fácil conseguir resultados imediatos quando há muito a aprender. Tão ou mais interessante do que aquilo que se passou em campo foram os que não puseram lá o pé. Joe Hart, Otamendi e Touré de fora.

Talismã sueco

Mourinho também arrancou a vencer em Old Trafford. Era só o Bournemouth, eu sei, mas o triunfo não deixou dúvidas nem foi sofrido, coisa a que os adeptos dos Red Devils já estavam habituados. O treinador português parece ter acertado em cheio ao trazer Ibrahimovic consigo e o sueco pode-se tornar uma espécie de talismã para o Manchester United.

Everton de Koeman já dá lições defensivas

Idrissa Gueye é peça essencial para o equilíbrio defensivo do Everton.

Idrissa Gueye é peça essencial para o equilíbrio defensivo do Everton.

Um dos encontros da jornada de sábado foi o que opôs Toffees e Spurs em Goodison Park. Impressiona a mudança de atitude dos jogadores da casa. Aguerridos, pressionantes, confiantes, isto é tudo dedo de Ronald Koeman. Mas o mais espantoso foi ver o Everton dar uma lição defensiva, algo que era completamente alienígena à formação comandada por Martínez. Jagielka, Funes Mori, Holgate, Gareth Barry e Idrissa Gueye constituem já um corpo articulado dentro da estrutura da equipa.

O Middlesbrough este a um triz de conseguir uma estreia de sonho na Premier League. Álvaro Negredo marcou cedo e durante longos períodos o Boro dominou a partida. Mas um remate portentoso de Xherdan Shaqiri anulou o esforço tão meritório dos homens de Aitor Karanka. Um ponto que sabe a pouco mas deixa água na boca para o que há de vir.

O dérbi londrino que ninguém merecia perder

O treinador italiano festejou o golo de Diego Costa como se do campeonato se tratasse.

O treinador italiano festejou o golo de Diego Costa como se do campeonato se tratasse.

A jornada de abertura terminou na noite de segunda-feira, com uma partida eletrizante em Stamford Bridge. Chelsea e West Ham refletiam no relvado a entrega dos respetivos treinadores e talvez os Hammers não merecessem a derrota. O efeito Antonio Conte é evidente na atitude dos Blues, de Ivanovic a Hazard, passando por Diego Costa. Por falar nele, o espano-brasileiro foi decisivo no desfecho e mereceu cânticos das bancadas. O golo marcado a um minuto do fim deixou o treinador italiano em delírio. A forma como Conte festejou este triunfo, agarrado aos adeptos, espelha bem a sua mentalidade ganhadora. Todos os jogos contam e são para disputar até ao fim.

Boas Apostas!