E como por magia, segue um grupo de portugueses na vice-liderança da Liga Espanhola.

Parece mentira, mas é a mais pura das verdades.

O Valencia CF, é hoje treinado pelo português Nuno Espírito Santo que, não sendo da família dos banqueiros, é o finalista-vencido da Taça de Portugal e da Taça da Liga da época de 2013/2014, ao comando da modesta equipa do Rio Ave.

Esta época de 2014/2015 começou com Nuno Espírito Santo, em upgrade, aos comandos do Valencia CF, equipa espanhola, da parte de cima da tabela, mas, normalmente, longe dos crónicos candidatos à vitória: FC Barcelona, Real Madrid e Atlético Madrid. Até agora. O Valencia CF de Nuno Espírito Santo, segue na vice-liderança da Liga Espanhola, com 14 pontos, os mesmos que Atlético Madrid, com quem partilha a posição, e somente 2 pontos atrás do FC Barcelona, o líder, à sexta jornada da temporada.

Mas Nuno Espírito Santo não está sozinho. Aliás, para ser um grupo, tem de haver mais que um. E assim, junto com o treinador, seguem em Valencia, o adjunto Rui Silva e o preparador físico António Dias, os defesas João Pereira, João Cancelo (emprestado pelo SL Benfica) e Rúben Vezo e ainda o médio André Gomes. Mas a estes portugueses, ainda se poderá juntar o defesa argentino Nicolás Otamendi (que foi jogador do FC Porto), o médio brasileiro Filipe Augusto (que está emprestado pelo Rio Ave), e o avançado Rodrigo (que jogou no SL Benfica), jogadores que passaram tempo, nos últimos anos, em Portugal. E este conjunto, retalhado, com alguns (a maioria) espanhóis à mistura, lá vão fazendo das suas pela Liga BBVA.

Mas aqui a questão principal é: André Gomes, que é o médio de ataque desta equipa do Valencia, não tinha lugar no SL Benfica. Era um suplente utilizado, muito utilizado nos últimos tempos, é certo, mas por lesões na sua área de influência no campo. André Gomes era suplente de uma equipa campeã nacional, mas é titular numa equipa que está em segundo lugar numa das mais competitivas ligas de futebol, a espanhola.

Seria suplente porque o SL Benfica é uma equipa muito melhor que o Valencia, e com mais recursos e mais e melhores jogadores para cada posição, ou era suplente por ser português?

Não está aqui a tentar arranjar-se desculpas para a não utilização de jogadores portugueses nas equipas nacionais em deterimento de jogadores estranjeiros. Mas o que parece é que as oportunidades para jogadores estranjeiros são sempre mais que muitas e os jogadores portugueses são mandados rodar, na maior parte dos casos em equipas menores e, na sua grande maioria, são jogadores que acabam por se perder, nunca dando o salto que deles se esperava e desaparecendo do mapa.

André Gomes

André Gomes, de suplente no SL Benfica a titular no Valencia CF

Isto vem a propósito, também, dos jogadores jovens que o SL Benfica emprestou: o defesa direito João Cancelo, precisamente ao Valencia, o médio de ataque Bernardo Silva, ao AS Monaco, o extremo Ivan Cavaleiro, ao Deportivo La Coruña e o avançado Candeias, este já um pouco mais velho, ao FC Nürnberg.

As notícias que têm vindo na comunicação social sobre estes jogadores, é que estão a fazer boas prestações. Alguns mesmo, como João Cancelo (quando joga) e Bernardo Silva, a dar bastante nas vistas nas suas equipas e nos seus campeonatos. Não poderiam ter continuado no SL Benfica? João Cancelo não poderia ser uma alternativa a Maxi Pereira? Bernardo Silva mais uma peça para um ataque onde Lima teima em não disparar? Projectando o futuro?

Vejamos, os jogadores que têm passado pelo SL Benfica nos últimos anos, têm estado em bom plano nos clubes para onde têm ido. Portugueses ou estrangeiros. Seja no Zenit ou no Valencia. Mas essa experiencia não poderia/deveria ser potencializada? Em se tratando de activos, não deveriam ser postos a render? Diga-se render futebol, para mais tarde render euros. Porque está muito tempo e dinheiro posto na formação de jogadores que, muitas vezes, são descartados.

Veja-se o caso do Sporting CP. Da equipa que entrou na Sexta-feira passada para defrontar o FC Porto, uma grande e importante parte é resultado da Academia. É certo que depois o Sporting tem deixado sair os jogadores muito cedo e acaba por não fazer muitas mais valias com as suas transferências. No entremeio estaria a solução. E isto valerá para todos os clubes portugueses.

A Selecção Portuguesa agradeceria. Fernando Santos também.

E o brilharete que os jogadores nacionais estão a fazer por onde passam, seja em Espanha seja na Rússia, poderia ser começado a fazer em casa antes de, inevitavelmente, sairem deixando memória e sinal da classe do seu futebol.

Para já, satisfaçamo-nos com a vice-liderança de uma equipa cheia de portugueses e “aportuguesados” na Liga Espanhola, uma das ligas mais competitivas e interessantes do Mundo. E pensemos como quase passaram despecebidos cá por casa.

Boas Apostas!