Depois da Geração de Ouro de 1991 e a Geração Coragem em 2011, Portugal volta a ter motivos para sorrir quanto ao futuro das suas selecções. Podemos apelidar os Sub-21 de Geração Esperança.

Com 8 jogos e 8 vitórias num grupo constituído por Israel, Noruega, Azerbaijão e Macedónia, Portugal apresentou um registo histórico. 22 golos marcados e 6 sofridos demonstram a coesão defensiva e a capacidade finalizadora da selecção orientada por Rui Jorge.

Em 2013, Portugal ficou em 2º lugar e não alcançou o play-off pela diferença de um golo. Uma decisão que fez crescer os jogadores e equipa técnica para encarar os jogos desta fase de apuramento de maneira diferente. A selecção cresceu e ganhou com isso como os resultados o comprovam.

Play-Off

Para garantir o lugar no Europeu Sub-21 de 2015, na República Checa, não chegava ficar em 1º lugar no grupo. A Holanda era a selecção que estava a meio-caminho do Europeu de 2015, a única que podia impedir Portugal de alcançar o seu objectivo.

No jogo da primeira mão, em Alkmaar, Portugal levou a melhor e venceu por 2-0. Os meninos de Rui Jorge foram superiores em todos os momentos do jogo e praticamente decidiram a eliminatória contra uma selecção de muito talento individual mas com as ideias colectivas pouco consolidadas.

Na segunda mão, em Paços de Ferreira, podemos ser facilmente manipulados pelo resultado final. Vitória por 5-4 que mais parece um resultado de hóquei, modalidade onde Portugal Sub-20 se sagrou tetracampeão europeu. Portugal soube explorar as fragilidades defensivas da Holanda mas também sentiu dificuldades em travar as investidas pelo corredor esquerdo e o futebol mais directo. A selecção nacional jogou com bloco alto e pressionou de forma intensa e alta na primeira fase de construção da Holanda, obrigando os defesas a cometerem erros o que vez com que Portugal ganhasse muitas vezes a bola no meio-campo adversário.

Europeu 2015

Nenhuma selecção nacional de Sub-21 passou à fase final de um Europeu só com vitórias. Esta geração alcançou uma marca histórica e pode não ficar por aqui.

Rafa

Rafa é o exemplo dos jovens que, a espaços, vão sendo chamados à Selecção A

Desde 2007 que Portugal não participava em fases finais de Europeus. Nesse mesmo ano, os Sub-21 terminaram a fase de grupos em 3º lugar com 4 pontos, menos 3 que a Holanda, menos 1 que a Bélgica e mais 4 que Israel. No jogo de apuramento para os Jogos Olímpicos, Itália levou a melhor no desempate das grandes penalidades, vencendo por 4-3.

A campanha de Portugal no Europeu Sub-19 no passado mês de Julho e as prestações durante o Apuramento para o Europeu Sub-21 permitem-nos sonhar com um futuro risonho. Rony Lopes começou a desenhar recentemente os seus primeiros capítulos nos Sub-21 mas André Silva, Rafa, Tomás Podstawski e Ivo Rodrigues podem ser os próximos a dar o salto. Importa ainda referir que Portugal vai disputar o Mundial Sub-20 em Maio de 2015 na Nova Zelândia e o Europeu Sub-21 em Junho de 2015 na República Checa pelo que não será compatível convocar dois jogadores para ambas as competições.

Mais importante do que conquistar os títulos é garantir a renovação da selecção principal, criando condições para que estes jovens que estão a despertar agora no futebol profissional possam fazer uma transição para a selecção principal sem grandes complicações. O lote de jogadores convocáveis para cada competição vai depender muito dos objectivos de cada selecção.

Relativamente ao Europeu, existem selecção de grande qualidade como é o caso da Suécia, Sérvia, Itália, Inglaterra e Alemanha, para além da Dinamarca e da República Checa.

Figuras

Rui Jorge é o grande obreiro deste sucesso. O seleccionador nacional conseguiu formar um núcleo duro de jovens talentosos, ambiciosos e com grande inteligência táctica.

Portugal deve manter a sua estrutura táctica no Europeu, isto é, 4x4x2 losango com dois avançados móveis com capacidade de finalização e de exploração de espaços nas costas da defesa ou entre-linhas. O sistema alternativa é o 4x3x3 mas face à falta de avançados mais fixos e que sejam a principal referência da equipa, Rui Jorge tem adaptado os extremos aos lugares de avançados móveis, casos de Ricardo, Ivan Cavaleiro e Mané.

Bernardo Silva

Bernardo Silva, titularidade no AS Monaco e na Selecção Sub-21

De Raphael Guerreiro a Bernardo Silva, passando por Sérgio Oliveira e Ricardo Pereira. Estas são algumas das principais figuras dos Sub-21 depois de William Carvalho, André Gomes e João Mário terem subido para a selecção principal.

Raphael é um lateral-esquerdo muito competente nos processos defensivos e ofensivos. Tem sido considerado por muitos como um dos melhores laterais do campeonato francês. A sua consistência regular faz com que seja seguido por grandes clubes europeus, podendo mesmo sair do Lorient no próximo período de transferências.

Bernardo Silva dispensa apresentações. O médio-ofensivo do Mónaco, por empréstimo do Benfica, deslumbrou a época passada ao serviço da equipa secundária dos encarnados. Esta temporada tem vindo a somar minutos nos grandes palcos europeus, sob orientação de Leonardo Jardim.

Sérgio Oliveira é o capitão e o pilar da estabilidade do meio-campo de Portugal. Os anos parecem não passar pelo médio do Paços de Ferreira. Desde muito novo tem sido presença assídua nas selecções jovens. Hoje, com 22 anos, tem uma excelente oportunidade para demonstrar todo o potencial que lhe era atribuído.

Ricardo Pereira, extremo de grande qualidade que tem desempenhado o papel de avançado móvel. O jovem do Porto é o melhor marcador de Portugal com 5 golos em 10 jogos.

Destaque ainda para Paulo Oliveira que foi o único totalista. O central que tem vindo a ganhar o seu espaço no Sporting já cimentou o seu lugar na selecção.

Boas Apostas!