E assim terminam as invencibilidades, com uma derrota. Não há nada melhor para manter os pés bem assentes em terra.

Talvez fosse a melhor coisa que poderia ter acontecido à equipa de Rui Jorge, perceber que é humana, imperfeita e, como todas as outras, também podem ser derrotadas. A caminho de um Campeonato da Europa, em Junho de 2015, na República Checa, nada melhor que uma derrota, ainda por cima concludente, para agarrar a força e a vontade de uma equipa que já demonstrou ser suficientemente competente para ser campeã, mas que corria o risco da soberba. A derrota, antes agora que depois, foi um grito contra a lassidão. Mostrar como para se cair, basta estar levantado. E mostrarem-se atentos.

Foi mais de ano e meio de invencibilidade. Foram quase dois anos em que  Selecção Sub-21 construiu um trajecto invejável de invencibilidade, garantindo a presença na fase final do Europeu de Sub-21.

Mas não é preciso ter medo desta derrota. Aliás, pode quase dizer-se que ela foi programada. Não desejada, mas era esperada. Rui Jorge, o seleccionador, alterou por completo a estrutura da equipa, a pensar, talvez, que o Europeu é só daqui a 1 ano, e que é necessário adaptar outros jogadores a uma equipa rotinada, mas também viciada, vitoriosa, mas que, invariavelmente, irá ter de sofrer alterações, algumas delas a ver com a idade dos jogadores.

Rui Jorge deu-se ao trabalho de fazer o que lhe compete, ou seja, o seu trabalho de casa, projectando um torneio que sucederá, somente, daqui a 1 ano. Assim, deu oportunidade de se mostrar, a jogadores que não participaram nesta caminhada de apuramento para o Europeu. E ao fazê-lo, o seleccionador está a alargar o leque de possíveis jogadores e, no fundo, a facilitar o seu próprio trabalho no futuro.

Não espanta, por isso, a derrota de ontem.

A espantar, isso sim, a forma algo atabalhoada como entrou, em especial a defesa que, aos 6′ de jogo já tinha sofrido um golo. Houve depois algum acerto, e uma boa resposta, com a equipa portuguesa a tentar repor a igualdade, mas acabaram por ser os jovens ingleses a aumentar a vantagem, e logo mesmo antes do intervalo.

No entanto, no reatamento, os Sub-21 portugueses entraram a todo o gás e 3′ depois do reinício do jogo, Bernardo Silva reduziu o marcador. E quando Portugal se lançava, afogueado, sobre a equipa inglesa, tentando forçar o empate, a Selecção de Inglaterra voltou a aumentar o resultado, com o terceiro golo marcado 10′ minutos depois do golo português.

Até ao final, ainda houve mais algumas oportunidades, para ambos os lados, mas os ingleses controlaram muito bem o jogo a meio-campo e acabaram por anular a pretensão dos portugueses. O final chegaria com o resultado em 3 a 1, favorável aos Sub-21 de Inglaterra.

O Futuro

Ora, foram bastantes as novidades agora experimentadas por Rui Jorge.

Inglaterra 3 - 1 Portugal Sub-21

A Selecção Portuguesa de Sub-21 perdeu por 3 a 1 com a Selecção Inglesa, mas Rui Jorge projectou, neste jogo, o futuro

Rui Silva, do Nacional, Tobias Figueiredo, do Sporting CP, Rafa, do FC Porto e Bruno Fernandes, da Udinese, habituais jogadores das selecções mais jovens de Portugal, estrearam-de nos Sub-21 e logo como titulares. Mas o seleccionador não se ficou por estas experiências iniciais. Com o decorrer do jogo fez entrar outras jovens apostas que se estreavam neste escalão. Foi assim que ainda jogaram Bruno Gaspar, do Vitória de Guimarães, João Cancelo, do Valencia CF, Fábio Sturgeon, do Belenenses e João Teixeira, do SL Benfica.

Se o resultado do confronto foi negativo, o futebol que se descobriu nestes novos jogadores, aptos e disponíveis para os Sub-21, deixam um travo de esperança numa equipa que vai como candidata a vencer o Europeu de Sub-21, em Junho, na República Checa.

Claro que há muitas coisas ainda a limar, em especial na defesa, responsável por terem sofrido 3 golos. Claro que houve alguns jogadores, habituais titulares deste escalão, alguns furos abaixo daquilo que costumam mostrar, como o lateral direito Ricardo Esgaio, do Sporting CP, ou Rúben Neves, do FC Porto, que não foi o esteiro que costuma ser, e que se habituou a ser, especialmente no seu clube.

Claro que também houve jogadores que conseguiram manter a habitual alta rotação, como o extremo Bruma, do Galatasaray, o mais inconformado dos jogadores nacionais, o avançado Bernardo Silva, do AS Monaco, e autor do único golo dos portugueses, e ainda, Carlos Mané, do Sporting CP, que após entrar trouxe outra velocidade e mais problemas para o último reduto inglês.

No fim deste jogo, só se pode dizer que Rui Jorge está a fazer muito bem o que lhe compete. Manteve invicta esta equipa enquanto foi necessário para percorrer o caminho para chegar onde chegou, e agora, com as necessidades alteradas, não teve medo de perder um jogo onde o que mais lhe interessava era ver o desenvolvimento de outros jogadores que pretenderá encaixar na equipa que vai querer levar à República Checa.

Foi um perfeito exemplo do perder agora para vencer depois.

Boas Apostas!