O antigo internacional da Irlanda do Norte tornou-se padre depois de abandonar os relvados.

Uma viagem que começa no Manchester United e termina no Vaticano.

Sonho

Mulryne nasceu em Belfast, a 1 de Janeiro de 1978, um dos primeiros bebés do ano.

A sua aventura no mundo do futebol começou cedo. Uma viagem que teve início de forma mais vincada em 1994, no Manchester United. O norte-irlandês fez parte da equipa que venceu a FA Youth Cup, em 1995, tornando-se internacional da selecção principal antes de se estrear pelos seniores do Manchester United. Fevereiro de 1997 ficou marcado pela sua estreia na selecção, num jogo frente à Bélgica. O médio de 19 anos teve de esperar até Outubro para vestir, pela primeira vez, a camisola do Manchester United. A ocasião não foi a melhor, com uma derrota por 2-0, frente ao Ipswich, para a Capital One Cup ou Coca Cola Cup, nome dado na altura.

O médio partilhou o balneário com jogadores como David Beckham, Nicky Butt, Paul Scholes, Andy Cole e Ole Gunnar Solskjaer. A geração de ouro de Sir Alex Ferguson.

O seu único jogo na Premier League, com o Manchester United, aconteceu na época 1997/1998. Mulryne alinhou nos 90 minutos na vitória, por 2-0, dos red devils ao Barnsley, jogo a contar para a última jornada.

A falta de oportunidades fez com que Phil se mudasse para o Norwich City, onde somou os minutos que não conseguiu em Old Trafford. Deixou de ser a sombra para assumir um papel principal. Um erro que lhe viria a custar caro.

Padre

Phil Mulryne reunia todas as características para triunfar no Manchester United: aliava qualidade, instinto e uma geração de companheiros capazes de conquistar o Mundo. Um cenário perfeito para os talentos aparecerem.

Com a mudança para o Norwich, Phil demonstrava uma confiança única, característica comum aos jovens que, aos 21 anos, têm o Mundo aos seus pés.

Entre 1999 e 2005, completou 161 jogos pelo Norwich, e apontou 18 golos, mas o pior estava para vir. Numa noite de concentração da selecção da Irlanda do Norte, Phil decidiu contornar as regras e ir beber umas cervejas para um pub perto do hotel.

A sua saída chegou aos ouvidos do seleccionador que não teve dúvidas em mandar o médio para casa. Nesse momento a situação tornou-se complicada para Phil. Decidiu mudar de ares e rumar para o País de Gales, onde vestiu a camisola do Cardiff. A experiência não funcionou e seguiu-se o Leyton Orient e o King’s Lynn, novamente sem sucesso.

Phil Mulryne no Manchester United

Com as muito poucas oportunidades no Manchester United, de sir Alex Ferguson, Phil Mulryne mudou-se para o Norwich City

A sua carreira acabara mesmo antes de começar. Em 2008 abandonou os relvados. As lesões não lhe permitiam continuar e as portas já estavam fechadas.

A sensação de vazio pairou sobre o norte-irlandês que começou, a pouco-e-pouco, a encontrar um novo rumo. Mulryne regressou a Belfast onde passou a dedicar-se a trabalhos de caridade e a ajudar os mais necessitados. O antigo jogador do Manchester United sentiu-se mais completo.

A igreja preencheu o vazio que sentia e que nem o futebol lhe pôde dar. Depois de alguns anos de indecisões e dúvidas, Mulryne tomou uma decisão.

Aquele jogador rebelde que fugia das concentrações para beber cervejas começou a estudar para se tornar sacerdote.

Aos 37 anos, Phil Mulryne procura dar um novo rumo à sua vida. O antigo jogador de futebol somou 27 internacionalizações pela selecção principal, e 3 golos, assim como mais de 125 jogos, e 15 golos, pelos clubes que representou.

A história do ex-médio serve para provar que existe vida depois do futebol e que não devemos desperdiçar as oportunidades que nos são concedidas.

Mulryne passou do menino de Ferguson para a Igreja Católica, uma viagem única para o rapaz de Belfast. O futebol voltou a cruzar-se com a religião. Uma ligação comum entre a fé e o desporto.

Boas Apostas!