Ou em bom português, Pequeno Grande Boavista.

A equipa de Petit garantiu a manutenção na Primeira Liga portuguesa. Um trabalho notável de todos os intervenientes.

Milagre

Petit é o homem do momento.

O treinador do Boavista conseguiu conduzir a equipa axadrezada à manutenção, depois de vencer o Moreirense, em casa, por 3-1, no passado dia 3 de Maio.

No arranque para esta temporada, o Boavista chegou à primeira divisão com uma certidão de descida. A sentença estava ditada à partida mas, jogadores e equipa técnica, mostraram dentro de campo que eram donos do seu próprio destino.

Poucos acreditariam que o clube conseguisse dar luta às restantes equipas, e muitos poucos sonhariam que, a faltarem 3 jornadas, o Boavista garantiria a manutenção.

Hoje, com 2 jogos por se disputar, o Boavista leva 34 pontos, fruto das 9 vitórias, 7 empates e 16 derrotas, somando 27 golos marcados e 47 sofridos.

O actual 13º classificado chegou há pouco menos de um ano ao principal escalão português depois de passagens, com menor grau de notoriedade, pela II Liga e II Divisão, equivalente ao terceiro escalão. Uma travessia pelo deserto que durou seis anos e que viu o seu fim chegar em Abril de 2014, quando foi decretado a reintegração do Boavista na Liga.

Petit

Petit, treinador, foi o principal obreiro de um grupo de trabalho em que poucos acreditavam

Em Maio de 2008, os axadrezados foram arrastados para a II Liga na sequência do processo Apito Final, tendo depois consumado a descida, desportivamente, para a II Divisão. Durante dois meses, a equipa que um dia se tinha sagrado campeã nacional, na época 2000/2001, ficou de fora das competições profissionais.

Em 2014/2015, chegou à Primeira Liga uma sombra da equipa de Jaime Pacheco, de há 14 anos atrás. Do boavistão europeu que, com uma ambição, determinação e vontade inimaginável, condições intrínsecas da equipa na temporada em causa. Pelo menos era o que pensavam todos os adeptos.

Particularidades que hoje também tão bem caracterizam o Boavista de Petit como treinador, e com jogadores praticamente desconhecidos no início da época.

A verdade é que o sonho comanda a vida e Petit não só garantiu a manutenção da sua equipa com um trabalho notável, como também conquistou os adeptos portugueses por ter contrariado todas as expectativas.

Com esta conquista, o técnico boavisteiro assume-se como um dos principais favoritos à conquista do Prémio de Melhor Treinador do Ano, juntamente com Jorge Jesus.

Bessa

O Estádio do Bessa foi um dos factores decisivos na manutenção do Boavista.

Uma das deslocações mais complicadas para qualquer equipa, não só pelo ambiente vivido nas bancadas, como também pelo relvado sintético e a necessidade de adaptação às condições exigentes.

Os portugueses apostavam qual seria o clube que iria acompanhar o Boavista na despromoção. Um lugar que ninguém queria preencher no arranque de época, mas que, hoje, já sabemos que não terá a companhia dos axadrezados.

A conquista dos primeiros pontos adivinhou-se como uma tarefa complicada, surgindo apenas na 4ª jornada, em casa, frente à Académica. Vitória por 1-0. Um dos resultados mais surpreendentes da época aconteceu na jornada seguinte, quando o Boavista se deslocou ao estádio vizinho do Porto, para empatar, a zero, numa grande demonstração de carácter e vontade de escrever o seu livro na história do futebol português.

Fary

Fary, já com 40 anos, ele que já foi o Melhor Marcador da Primeira Liga, jogou poucas vezes, mas revelou-se fundamental no banco e no balneário

O Bessa tem sido o palco dos milagres, somando até ao momento 8 das 9 vitórias em sua casa. Um percurso histórico que tem sido praticamente marcado pelos resultados caseiros.

Um dos grandes responsáveis por esta época é o treinador Petit. O antigo internacional português operou um trabalho inesperado. O treinador dos axadrezados foi a escolha certa para levar o Boavista à permanência. Um facto unânime, agora no final de época, mas pouco consensual no início quando muitos duvidavam da capacidade de liderança e da qualidade de Petit como treinador. As reservas e desconfianças deram mais motivos para que a equipa técnica e os jogadores se superassem.

A raça de Petit foi transportada para os seus jogadores. Uma situação tão visível que, quando vemos o Boavista a jogar, recordamos os tempos áureos de Petit, como médio do Boavista e do Benfica.

Muitos jogadores do Boavista saltaram directamente do anonimato para o corredor da fama, mas há um caso especial, que já era um velho conhecido dos adeptos do futebol português. Fary, que em tempos foi o melhor marcador da prova, 2002/2003, volta a vestir a camisola do Boavista para transportar para campo a união, a ambição e a responsabilidade que é jogar nos axadrezados. Utilizado em apenas 3 jogos, o avançado de 40 anos mostra-se mais útil no banco e no balneário, como capitão.

A Pantera Negra sobreviveu no regresso à Liga e promete estar mais forte na próxima época. Bem-vindo de volta, Boavista.

Boas Apostas!