Pep Guardiola baniu dos treinos os jogadores do Manchester City que chegaram de férias com uns quilinhos a mais. Não é novo nem nada de extraordinário em alta competição. O corpo de um atleta está sujeito a uma série de condicionalismos para estar na sua melhor condição. Desde os tempos do Barcelona que o catalão era conhecido por impor uma série de regras estritas aos jogadores.

Não deixar nada ao acaso

Pep Guardiola pode ter aquele ar mais polido mas nunca foi homem de meias-tintas. Mesmo enquanto jogador era daqueles que tratavam o corpo como um templo, ou como uma máquina sofisticada que é preciso manter com todos os cuidados. Nada mais natural do que exigir o mesmo profissionalismo aos seus jogadores. Desde os tempos do Barcelona que era conhecido por impor ao plantel uma série de regras muitos estritas, que iam do comportamento em campo à imagem que projetavam fora dele. Havia até aquele pormenor em que ele via com maus olhos a chegada dos jogadores ao centro de treinos em carros de luxo, as limitações dos penteados e das tatuagens, porque entendia que tudo isso eram distrações e que os jogadores de futebol de um clube como o Barça têm responsabilidade social de representarem a instituição em todos os momentos.

Ribéry, que não precisa que lhe digam o que fazer, não ia muito à bola com as regras de Guardiola.

Ribéry, que não precisa que lhe digam o que fazer, não ia muito à bola com as regras de Guardiola.

Libertem o Ribéry

Alguns entendem isto como um excesso e talvez seja, mas faz parte da construção mental de Guardiola, que é um pensador e em que tudo tem que ser coerente. Esta semana Frank Ribéry aproveitou para mandar umas alfinetadas ao antigo treinador, agradecendo a dádiva dos céus que é Carlo Ancelotti. O francês, que nunca primou pela disciplina, não ia muito à bola com o catalão e agora aproveita para dizer que o técnico italiano o libertou. As palavras que dedicou a Guardiola dizem tanto de quem as profere como do destinatário. Insinuou, como que desculpando, que era um técnico jovem e pouco experiente. Que falava de mais e que ele, Ribéry, não precisava de uma treinador que lhe dissesse o que fazer em campo quando tinha a bola.

O peso a mais não afeta apenas a prestação dos jogadores, também os torna propensos a lesões.

O peso a mais não afeta apenas a prestação dos jogadores, também aumenta o risco de lesões.

Passar na balança

Soube-se que Guardiola baniu dos treinos de conjunto alguns jogadores do Manchester City que chegaram de férias com uns quilinhos a mais. O catalão falou especificamente de Samir Nasri, que disse já ter perdido algum peso entretanto. Também desdramatizou, explicando as preocupações. É que o francês passou por uma lesão séria na época passada e o excesso de peso é uma dos fatores para esse tipo de lesões, que têm a ver com a sobrecarga de articulações. Os jornais falam também de Aguero, como estando nesse grupo sob vigilância. Nas estruturas altamente profissionalizadas é natural este acompanhamento da condição física de cada elemento. Da alimentação às cargas de ginásio, peso ideal e até historial de lesões, cada jogador tem o seu plano individual. Não se trata de uma punição mas de uma consciencialização dos atletas e exigir profissionalismo. O que custa a entender é que ainda haja situações destas ao mais alto nível. Um treinador exigente como Guardiola sabe que vai precisar de enorme disponibilidade física dos seus jogadores para aplicar as suas ideias e lidar com a intensidade e pressão dos adversários.

Boas Apostas!