Bardarbunga. Parece uma onomatopeia, mas não é.

Eyjafjallajökull. Parece um bater aleatório nas letras de um teclado, criando uma falsa palavra, impossível de ser lida, mas não é.

Estas duas palavras, bem esquisitas para nós, portugueses, são os nomes de dois vulcões islandeses. O primeiro ficou conhecido mais recentemente por ter entrado em erupção em Agosto último e ter criado alguma ansiedade na comunidade científica, por ser um vulcão grande e estar localizado no maior glaciar da Islândia. As erupções acompanharam um anormal número de sismos. No entanto, assim veio, logo foi. Adormeceu como acordou. Depressa.

O segundo pôs a Europa em alerta máximo em 2010. Este vulcão de nome impronunciável, tem uma cratera com um diâmetro de 3 a 4 quilómetros. Quando entrou em erupção, lançou uma enorme coluna de fumo e expeliu tanta cinza que o tráfego aéreo no norte da Europa esteve fechado durante algum tempo por questões de segurança.

Mas os vulcões da Europa não são só os que expelem lava e cinza e criam enormes colunas de fumo, com nomes impronunciáveis.

Os nacionalismos são uma espécie de vulcões prestes a entrar em actividade. E alguns estão há tanto tempo sob pressão que não se sabe o que pode acontecer quando, finalmente, explodirem.

Há algumas semanas, a Escócia decidiu, em referendo, continuar a fazer parte do Reino Unido de Sua Majestade, a Rainha.

Na Irlanda do Norte, pela primeira vez desde há muitos anos, os simpatizantes da Rainha e os Republicanos resolveram acalmar e tentar viver em paz.

Na Catalunha aguçam-se os desejos de independência de uma Espanha feita de várias nações. Mas a constituição do reino não facilita os desejos.

Mas no centro da Europa… No centro da Europa situam-se os maiores vulcões prestes a explodir. E esses, quando explodiram, fizeram muita asneira.

O Caso do Drone

O centro-leste da Europa sempre foi um barril de pólvora de povos e nações que se odeiam.

No século XX, ali durante um pequeno período, houve alguma paz. Depois da Segunda Guerra Mundial, um certo Marechal Josip Broz Tito, conseguiu manter unidas, contra-natura, um conjunto de nações que se odiava entre si: Sérvia, Croácia, Eslovénia, Macedónia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Kosovo. Cada uma destas nações com as suas particularidades e, muito importante, a sua religião.

Mas à volta desta agremiação de nações, existiam (existem) outras que, de igual modo, odeiam e clamam por regiões que afinal de quem é que são? É de uma luta por posições estratégicas, afirmações regionais e por pedaços de terra que se esgrimem razões, nasceram guerras e se mataram homens.

Uma dessas nações é a Albânia. A mesma Albânia cuja Selecção de futebol veio ganhar à Selecção Portuguesa em Aveiro, em jogo a contar para a fase de qualificação para o Europeu de 2016. Esta Albânia que clama por uma Grande Albânia.

Sérvia - Albânia

Assim terminou o jogo entre sérvios e albaneses depois da chegada do drone

A Albânia é um pequeno país montanhoso que desde tempos milenares viveu em permanentes conflitos. O seu território foi invadido inúmeras vezes. Vários impérios agregaram as suas terras (como o Otomano). Mas os albaneses, povo de quem se sabe pouco, sempre sobreviveu às suas catástrofes. Já no século XX foi fascista, comunista, rompeu com a União Soviética, aproximou-se da China, de quem se veio a afastar depois, e isolou-se. Esta Albânia que existe hoje, proclama a ideia de uma Grande Albânia que se prolonga para dentro dos territórios da Sérvia, da Macedónia, do Montenegro, do Kosovo e da Grécia.

É bem conhecida a má relação que a Albânia e a Sérvia têm. Foi, aliás, bem combatida no Kosovo, que ambos pretendiam.

Agora, no futebol, e prevendo acções bem pouco edificantes, para não dizer mais, a UEFA declarou que nos jogos entre as duas selecções não poderia ter espectadores da Selecção visitante.

Esta última Terça-feira, dia 14 de Outubro, no mesmo dia em que a Selecção Portuguesa foi derrotar a Selecção Dinamarquesa, na Dinamarca, a Selecção da Sérvia recebia a Selecção da Albânia, as duas no mesmo Grupo I da Selecção Nacional.

Ora, o jogo entre as duas selecções dos balcãs começou sem espectadores albaneses, ou melhor, com um pequeno grupo de VIP albaneses que estava alojado nuns camarotes.

Ao aproximar-se a hora do intervalo, apareceu um drone a sobrevoar o estádio onde estava a decorrer o jogo, trazendo, pendurada, uma bandeira albanesa. O drone desceu sobre o relvado e um dos jogadores sérvios, mais concretamente o ex-benfiquista Mitrovic, agarrou a bandeira e puxou-a do drone. Ora, os jogadores albaneses não gostaram do que viram e depressa se envolveram em confrontos físicos. O árbitro interrompeu o jogo. E nunca mais voltou a recomeçar.

Guerra nos Estádios

Isto que se passou na Sérvia, no jogo entre as selecções da casa e da Albânia, não é nada novo.

Mesmo nos jogos em Portugal, entre os diferentes clubes, há um ambiente de guerrilha constante, muitas vezes motivada por gente que deveria ter mais juizinho. Basta lembrar as palavras do presidente do Sporting CP sobre a ida ao Estádio do Dragão para esta eliminatória da Taça de Portugal, dizendo que, qualquer dia poderia sair de lá morto.

Por vezes a rivalidade, que pode ser saudável, ganha contornos pouco adradáveis e chega ao insulto, ao confronto físico e, algumas vezes, termina mal, muito mal.

Alguns jogos na América do Sul são exemplo disso. Como, também, a morte do jogador colombiano depois de uma má prestação numa Mundial de futebol. Ou o desastre do Estádio de Heysel, na Bélgica. Ou a explosão, num estádio na Nigéria, pelo grupo Boko Haram.

Estádio Heysel

O desastre no Estádio Heysel, na Bélgica, um vulcão em erupção

Mas também o caso do very light que, em Portugal, vitimou um espectador do Sporting CP numa final da Taça de Portugal. Ou os constantes assaltos às estações de serviço por grupos de adeptos organizados (normalmente, das claques). Adeptos esses que, nos jogos entre as grandes equipas, tendem à desordem, ao confronto e por vezes, quase à guerrilha.

Na verdade, o futebol aparece unicamente como desculpa para a barbárie. Há gente que vive a desordem, o caos, o crime, como justificação para as suas frustrações. Gente pequenina, mas em ebulição.

Tudo isto é, por vezes, tão ou mais perigoso que o dois vulcões islandeses referidos no início deste texto, o Eyjafjallajökull e o Bardarbunga. E só quando se perder por completo o controle, e estragar o que era uma momento de escape e de salutar disputa, é que se vai perguntar que raio andámos nós a fazer ao permitir estas acções.

Dizia o antigo jogador do FC Porto e SL Benfica, Drulovic que há países que não podem defrontar-se. Ora, isso não é resposta. Nem sequer significa nada. É, tão só, o assumir de uma animalidade que não está de acordo com o homem.

O futebol, como qualquer outro desporto, é uma disputa. Onde o interesse é meter uma bola na baliza adversária, e não permitir que o adversário faça o mesmo. Mas com lisura. Mas isto é só para pessoas.

Boas Apostas!