A temporada 2013/14 da Premier League foi das mais emotivas da Europa, tendo sido decidida apenas na última jornada depois de o Manchester City ter derrotado o West Ham por 2-0, somando assim o seu 4º título de campeão inglês depois de ter já vencido as edições do campeonato de 1936/37, 1967/68 e ainda a mais recente de 2011/12.

Este título foi então o fruto de 38 partidas das quais triunfaram em 27, tendo ainda empatado 5, perdido 6, sofrido 37 e marcado 102 golos, marca esta que lhes confere também o homólogo de melhor ataque da Liga. Quanto às partidas em que perderam pontos, das derrotas apenas uma foi sofrida enquanto jogavam como conjunto da casa, o que se repetiu com os empates, tendo este sido cedido na recepção ao Sunderland, na jornada 26 a duas bolas e o desaire sido sofrido diante do Chelsea de José Mourinho por 1-0 à passagem da jornada 24. Ainda assim, os Citizens continuam a justificar o título sendo a equipa com melhor registo caseiro, 17 vitórias, um empate e uma derrota em 19 partidas.

Os números da armada Citizen

Yayá Touré, o principal motor do Manchester City ao longo da época.

Yayá Touré, o principal motor do Manchester City ao longo da época.

De qualquer forma, torna-se injusto para quem faz parte de todo este conjunto que é o Manchester City que o título seja falado apenas em nome da equipa e não, também, dos jogadores que se entregaram de corpo e alma ao jogo fazendo com que o campeonato passasse do sonho para a realidade. É então a este capítulo que nos queremos focar visto que os Citizens foram a equipa com a 2ª maior percentagem de posse de bola (57.6%) atrás do Liverpool (58.6%) o que não teria sido possível sem jogadores como, por exemplo, Samir Nasri que acertou 91.5% dos passes em 34 jogos. Por outro lado, Yayá Touré foi o jogador que mais passou na equipa do City, tendo feito uma média de 71.5 passes por jogo com uma percentagem de sucesso de uns incríveis 90.1%, o que somado às 9 assistências e aos 20 golos que apontou (marcas que lhe conferem o estatuto de melhor marcador e assistente da equipa na temporada) fazem com que este costa marfinense seja um dos candidatos a jogador do ano dos azuis de Manchester.

Para obter estas marcas, em especial a de melhor marcador da equipa, Touré beneficiou da debilidade física de Kun Aguero que nesta época disputou apenas 23 jogos onde marcou 17 jogos, mais 1 que o 3º melhor marcador do conjunto Edin Dzeko que não passou dos 16 golos em 31 jogos. Estes dois homens foram também os mais rematadores deste Manchester City, com o bósnio a faze-lo numa média de 3.3 vezes por jogo e o argentino em 3.7 vezes, o que adjunto aos quase 2 dribles acertados por partida (1.9), às 6 assistências e aos 17 golos justificam a marca de cinco vezes melhor em campo, igual à de Yaya Touré que marcou presença em mais 12 partidas que o atleta argentino. É claro que para terem atingido esta marca de golos, Aguero e Dzeko contaram com o excelente trabalho dos médios, Touré já aqui referido, com 9 assistências, e ainda David Silva que atingiu a mesma marca de passes para golos, encontrando-se depois três jogadores na marca das 7 assistências, sendo eles Jesús Navas, Samir Nasri e Alexander Kolarov.

A nível defensivo podemos destacar mais dois argentinos, o primeiro é capitão dos Citizens, Pablo Zabaleta, a quem a garra vale a melhor média média de desarmes por jogo – 3.4. Depois temos Martin Demichelis que, como elemento mais velho do plantel (33 anos) fez jus à sua experiência e conhecimento para interceptar uma média de 2.6 jogadas por jogo oferecendo assim aos restantes elementos defensivos da equipa uma outra tranquilidade. Para isto contou também com o apoio de Fernandinho que se comportou como elemento mais recuado do meio campo e se encontra logo atrás dos defesas no que toca a desarmes (média de 2.9 por jogo) e intercepções (1.8 por jogo).

Uma das mais recorrentes imagens em jogos dos Citizens, sem excepção à competição.

Uma das mais recorrentes imagens em jogos dos Citizens, sem excepção à competição.

Em questões de disciplina, o Manchester City foi a 7ª pior equipa desta edição da Premier League ao somar 72 cartolinas amarelas e 1 vermelha, esta amostrada a Vincent Kompany aos 10′ minutos da jornada 30 na vitória por 2-0 na casa do Hull City. Para o exagerado número de cartões amarelos houve um enorme contributo daquele que seria suposto dar o exemplo – Pablo Zabaleta que com 11 cartões foi o jogador mais amarelado de todo o campeonato. Logo a seguir ao argentino, Fernandinho com 8 e Javi García com 7 foram também um grande contributo para o número de admoestações dos Citizens, sendo que a estes é descartada a responsabilidade pelo facto de actuarem numa posição equivalente à de trinco propícia às faltas. Em sentido inverso David Silva e Alexander Kolarov (curiosamente um defesa) foram os jogadores que mais faltas arrancaram aos adversários com 1.5 e 1.2 por jogo, respectivamente.

Os 23 “novos” campeões

No fim de contas foram 23 os jogadores a sagraram-se campeões ingleses nesta temporada 2013/14, com Matija Nastasic, central croata, a ser o mais novo com apenas 21 anos, seguindo-se-lhe o médio inglês Jack Rodwell de 23. Com isto acrescentamos também que 17 destes 23 campeões possuem idades superiores a 26 anos o que foi também um grande contributo devido à sua maturidade e experiência, fulcral para o sucesso de qualquer conjunto em competições como a Premier League onde é preciso acreditar até ao fim, relembrando com isto que apenas a 6 jornadas do final da prova o Manchester City sofreu uma derrota (por 3-2 na casa do Liverpool) e um empate (cedido em casa diante do Sunderland a duas bolas) mas nem assim deixou de crer e as cinco vitórias consecutivas nos cinco seguintes jogos onde a pressão estava ao rubro mostraram isso mesmo, que os jogadores souberam acreditar e tiveram força e personalidade suficiente para oferecerem ao técnico, Manuel Pellegrini no seu primeiro ano à frente da equipa o título de campeões de Inglaterra. Destes 23, cinco acompanharam o técnico chileno na viagem para Manchester no início da temporada, com três a desempenharem papéis fulcrais na conquista deste título, tendo eles sido Martín Demichelis, Fernandinho e Jesús Navas, enquanto que Álvaro Negredo depois de um bom começo acabou por se desvanecer e Stevan Jovetic, fustigado por lesões, não conseguiu impor-se no plantel durante toda a temporada.

Os 23 “novos” campeões do Manchester City foram então:

Guarda-Redes: Joe Hart e Costel Pantilimon

Defesas: Matija Nastasic, Vincent Kompany, Joleon Lescott, Martín Demichelis, Micah Richards, Dedryck Boyata, Gaël Clichy, Alexander Kolarov e Pablo Zabaleta.

Médios: Javi Garcia, Fernandinho, Jack Rodwell, Yaya Touré, James Milner, Samir Nasri, Jesús Navas e David Silva.

Avançados: Álvaro Negredo, Edin Dzeko, Stevan Jovetic e Kun Aguero.

Conclusão

O Manchester City pode então não ter o melhor marcador da Premier League, que foi Luís Suárez do Liverpool com 31 tentos, pode também não ter o melhor assistente, que foi Steven Gerard também dos Red’s com 13 passes para golo, e pode também não ter conseguido a melhor defesa, que foi conseguida pelo Chelsea que sofreu apenas 27 golos, mas conseguiu ter o maior número de jogadores com exibições mais constantes e consistentes, o que acabou então por naturalmente lhes valer o maior número de golos marcados, o maior número de vitórias e, claro, o maior número de pontos.

Boas Apostas!