Três técnicos estrearam-se, esta temporada, na Liga NOS, percorrendo até aqui um caminho de cinco jogos que os deixa, a todos, na segunda metade da tabela. O Paços de Ferreira alcançou uma vitória nesta derradeira jornada, colocando Carlos Pinto como o melhor dos estreantes, enquanto o Moreirense de Pepa, apesar de uma grande vitória no campo do Feirense, só tem quatro pontos. A merecer análise, o facto de Paulo César Gusmão, técnico brasileiro que liderou o Marítimo neste início de temporada ter sido, também, o primeiro a ser demitido.

Entre a teoria e a prática

carlos-pinto

Carlos Pinto venceu em Setúbal e pode respirar

Carlos Pinto voltou a casa para se estrear como treinador na divisão-maior do futebol nacional. Enquanto pisou os relvados, Pinto sempre jogou com os olhos no horizonte, da mesma forma que, enquanto técnico, defende um futebol positivo, ofensivo, com a ambição de agradar esteticamente. Depois de vir subindo pelas divisões secundárias, Carlos Pinto tem um enorme desafio em Paços de Ferreira. Honrar o passado recente de um clube que vive próximo da fronteira das competições europeias.

Esta sua postura tem levado a que, fora de casa, o Paços de Ferreira seja da equipa que mais golos gera. Em Guimarães, acabou por ser o Vitória, o seu adversário, que o fez por cinco vezes, enquanto no último fim-de-semana, em Setúbal, o Paços conseguiu finalmente ganhar uma partida. Sinal positivo para um conjunto que acertou na contratação de Welthon, um jogador com características para brilhar no meio da tabela da Liga NOS, conjugando-o com os empréstimos de Ricardo Valente e Ivo Rodrigues, que oferecem a qualidade técnica que Carlos Pinto procura para a sua equipa.

Vencer é, no entanto, obrigatório para um Paços de Ferreira que se quer fixar na primeira metade da tabela. A segurança defensiva, que já foi colocada em causa nas análises à equipa dos castores, deverá ser um dos temas de reflexão de Carlos Pinto para as próximas semanas.

O comprimento da manta

pepa-moreirense

As ideias precisam de chegar aos jogadores

Esta mesma reflexão já terá tido Pepa. Mais jovem e com uma ascensão meteórica do Sanjoanense até Moreira de Cónegos, com uma época não terminada no Feirense que deixou muito boas sensações, em apenas cinco encontros podemos notar duas faces distintas na equipa do Moreirense. Nos primeiros encontros, apresentou um meio-campo com Francisco Geraldes e Neto na frente de Cauê, uma tripla que permitiu uma produção de jogo ofensivo bastante elevada, com essa qualidade a sentir-se no empate frente ao Paços e na vitória em Vila da Feira. No entanto, esse mesmo desenho não lhe permitiu vencer, em casa, o Marítimo, num jogo em que o resultado é algo enganador, e os últimos dois jogos lançaram algumas dúvidas sobre a capacidade da equipa.

Alvalade foi um jogo estranho, já que sem poder contar com o seu melhor jogador – Geraldes – o Moreirense deixou-se enlear pelo melhor jogo ofensivo dos leões. No Estoril, uma das piores exibições da equipa de Moreira de Cónegos, com dois elementos de características mais defensivas no meio-campo – Alan Schons junto de Cauê – e Geraldes sempre longe dos espaços de decisão. A sensação de que um plantel com muitas boas opções em termos técnicos não consegue colocar, no relvado, o seu melhor futebol é sempre aflitiva. E se há prova que se pode retirar da atual edição da Liga NOS é que as precauções defensivas acabam, várias vezes, por se transformar em exposição ao erro. É nesse território indefinido que Pepa tem que crescer.

O primeiro adeus

paulo-cesar-gusmao-maritimo

Início e fim de aventura europeia em cinco jogos

A passagem de Paulo César Gusmão pelo campeonato português estava condenado, à partida, por se tratar de uma opção que contraria o rumo natural da competição. Escolher um técnico com pouco ou nenhum conhecimento da Liga ou do futebol português, com a agravante de ser um nome que passou mais tempo pelas divisões secundárias brasileiras do que pela divisão principal, lançavam muitas dúvidas sobre a capacidade de, num curto espaço de tempo, oferecesse sinais positivos no Marítimo.

Ao desconhecimento, Paulo César Gusmão juntou alguns equívocos, na construção do plantel, na escolha dos jogadores e na forma de abordar as partidas. Ainda que na primeira jornada, em Alvalade, tenha mostrado algum atrevimento, na receção ao Vitória do Guimarães foi totalmente ultrapassado pelo adversário. Uma vitória em Moreira de Cónegos ofereceu alguma esperança, ainda que contra o rumo do encontro, mas as derrotas que se seguiram com o Rio Ave e no dérbi madeirense definiram a saída do treinador.

No balanço, uma vitória, um único golo marcado e quatro derrotas, para além de uma entrevista épica do seu preparador físico que se mostrou ao nível dos melhores autores do pensamento mágico com a frase “chorar no treino para poder sorrir no jogo”. Acabada a história de um dos treinadores estreantes nesta edição da Liga, o que espera o Marítimo é um novo começo, em plena segunda quinzena de setembro.