Benfica, Porto e Sporting chegam à sétima jornada e a mais a uma paragem para jogos de seleção como os únicos invictos na Primeira Liga portuguesa, comprovando, uma vez mais, que os grandes serão os grandes e não deverão existir muitas alterações a esse domínio. A única equipa que se consegue intrometer entre os três nomes esperados no topo da tabela é o Vitória de Guimarães, que ao ter regressado às vitórias na passada sexta-feira, frente ao Boavista, segurou o terceiro lugar.

talisca benficaCom 19 pontos, fruto de apenas um empate frente aos Leões como exceção às vitórias, o Benfica é o líder. Jorge Jesus agarra-se ao conjunto de jogadores que lhe oferece mais garantias e, partilhando a rotação do plantel com a Liga dos Campeões, assume a Primeira Liga como o objetivo primordial da temporada. Talisca é a figura desta reta inicial. O jovem e longilíneo médio-ofensivo chegou à espera de jogar alguns passos mais recuado no retângulo de jogo, mas com Enzo Pérez a ficar na Luz, coube-lhe utilizar os seus talentos no apoio do ponta-de-lança, cobrindo assim a posição que ficou menos apetrechada no plantel de Jorge Jesus. O brasileiro tem cumprido com qualidade, marcando mais um golo, este domingo, ao Arouca.

Com 15 pontos, o FC Porto vai adaptando-se, mais do que aos métodos, às ideas de Julen Lopetegui, que pratica uma gestão pouco habitual num plantel profissional. O espanhol encontrou um grupo de jogadores muito reforçado à sua imagem e, sobretudo, adaptado às exigências de contínua dedicação e concentração no jogo. Com isso em mente, o FC Porto demora a mostrar brilhantismo, mas o empate em Alvalade, fruto de uma segunda parte em que o talento andou mais à solta e a organização do espanhol se atreveu a libertar os génios, manteve-o sem derrotas e na linha da frente a perseguir o Benfica. Com a Liga dos Campeões a oferecer-lhe um grupo onde não encontra opositores do topo europeu, o FC Porto poderá continuar a gerir o seu esforço e a alcançar resultados que permitam a Lopetegui não correr mais riscos do que aqueles que está disposto a provar com o projeto desportivo.

O Sporting, com 13 pontos, tem, neste momento, mais empates do que vitórias, mostrando-se mais goleador fora de casa do que perante o seu público. Isso acaba por ser um número que demonstra bem as dificuldades da equipa de Marco Silva em impor um jogo de posse perante adversários de linhas recuadas. A introdução de Nani como desequilibrador só agora começa a ser melhor lida pelos seus colegas de equipa, enquanto o técnico procurou em João Mário o tipo de inteligência de jogo que não encontrava na dupla formada por Adrien e André Martins. No entanto, o grande problema do Sporting parece estar na sua linha defensiva. Sem apresentar uma dupla de centrais que ofereça confiança ao resto da equipa, William Carvalho vai ficando refém dessa fragilidades. O pivô internacional parece partir para uma temporada de menor fulgor, mas com menor resposta dos seus colegas mais recuados para sair a jogar, tem-lhe sobrado as culpas pela falta de intensidade.

Enquanto é certo que o Vitória de Guimarães se continuará a posicionar como uma das equipas mais fortes no ataque ao quarto lugar, a persistência de equipas como o Marítimo, o Rio Ave ou o Sporting de Braga prometem uma luta bem intensa pelos lugares europeus. O filme volta aos estádios no final deste mês.