Num Citrus Bowl com mais de 62 mil espetadores a preencherem as bancadas, o Orlando City e o New York City FC fizeram a sua estreia na Major League Soccer. Abre-se uma nova era para esta competição, que se consolidou no mercado norte-americano e aposta, esta temporada, em chegar a todo o mundo, sublinhando-se que esta partida, com estrelas mundiais como Kaká e David Villa em campo, foi transmitida para cem países diferentes. A MLS torna-se global.

No terreno de jogo, a nossa atenção debruçou-se sobre o Orlando City, equipa que tinha já uma história anterior, na USL, onde prepararam, nos últimos anos, a subida ao nível mais alto da hierarquia do futebol dos Estados Unidos. Sendo Adrian Heath, o técnico, uma figura muito reconhecida pelo trabalho feito nessa outra competição, havia a curiosidade de perceber como adaptava as suas novas contratações e, sobretudo, as expetativas, a uma realidade totalmente diferente.

Kaká está vivo

Orlando-City-v-NYCFC-431x324Obviamente que Kaká é a figura central dos Orlando City. O internacional brasileiro aproveitou esta primeira jornada para afirmar ao que veio – e Kaká veio para jogar ao nível a que está habituado. Oferecida toda a liberdade para procurar espaços do meio-campo para a frente, Kaká começou por tentar explorar uma posição mais central, zona que lhe estaria destinada, mas que apareceu muitas vezes bloqueada pela descida de Mix Diskerud no onze do New York City. Outro dos problemas de Kaká era a forma como os seus colegas de ataque correspondiam às suas ações. A maior intensidade surgia do lado direito do ataque, onde apesar de Molino parecer um jogador bastante mediano, trocava muito bem com Rafael Ramos para buscar centros para a área, onde Rivas tentava aparecer entre os centrais.

Perante as dificuldades para romper o esquema defensivo apresentado pelo adversário, a experiência de Adrian Heath entrou em campo. Neal passou a deslocar-se do lado esquerdo para o centro do terreno, ora recuando – oferecendo espaço para que Shea subisse na lateral e Kaká pudesse trabalhar a partir daí com o extremo e com Rivas a procurar a bola mais atrás -, ora aparecendo mais como número dez. Neal acabou por ser a peça tática da partida, a nível ofensivo permitindo a Kaká brilhar, mas também noutros momentos do jogo.

Como arrumar a equipa para a saída de bola

Uma das grandes dificuldades demonstradas pelo Orlando City nesta partida foi a saída de bola. Em termos teóricos, caberia aos centrais Collin e Hines a responsabilidade de trabalhar o primeiro passe, sabendo que Rafael Ramos e, sobretudo, Shea, subiriam quase de imediato no terreno para ocupar espaços adiantados. Com isto, seria importante que Okugo e Higuita se entendessem para oferecer linhas de passes no centro do terreno – de onde partiria a bola para entrar no meio-campo adversário.

Neal Orlando

Neal é a chave tática do Orlando City

Esta organização demorou bastante tempo a aparecer. Primeiro, Okugo e Higuita pareciam não entender-se quanto a decidir quem descia para um primeiro passe e quem se posicionaria para um segundo passe. Felizmente para o Orlando City, a preocupação defensiva do adversário estava centrada em Kaká e a pressão nessa zona não se fazia sentir tanto. Ainda assim, Adrian Heath acabou por compreender o problema que aparecia nessa zona do terreno e acabou por chamar Neal, no seu vaguear pelo meio-campo dando resposta aos problemas táticos do jogo, para ajudar a pensar melhor a saída de bola.

Assim acabou por acontecer, com Neal a aparecer muitas vezes entre Okugo (elemento mais defensivo do duplo pivô) e Higuita (mais capaz de aparecer ligeiramente adiantado, quase como um número 8), para dar resposta à saída de bola e retirar pressão dessa dupla.

Valeu a festa, mas há trabalho a fazer

O golo de Kaká, na marcação de um livre direto, acabou por garantir um empate que premiou o trabalho das duas equipas e ajudou a que todos ficassem contentes com a festa. No entanto, Adrian Heath tem grandes desafios pela frente. Collin não estará disponível para defrontar os Houston Dynamo, mas também será necessário procurar que o francês saiba refrear os seus ímpetos. No meio-campo, Neal terá a oportunidade de afinar o seu posicionamento, podendo também ajudar mais no momento defensivo, enquanto Shea e Rafael Ramos têm todas as características para oferecer largura ao ataque. Na estrutura da equipa, ficam em dúvida os papéis de Molino e Rivas, que terão que mostrar muito mais para tornar os Orlando City numa equipa perigosa na zona de finalização.

Boas Apostas!