Por força de problemas físicos dos titulares Benfica e Porto foram obrigados a uma renovação acelerada nas respetivas balizas. Sendo uma posição que mexe com a confiança do grupo muito podia ter corrido mal. Não seria a primeira vez que um guarda-redes de qualidade sente dificuldades na adaptação à titularidade. Descansem Águias e Dragões, Oblak e Fabiano pegaram de raiz. Estamos em boas mãos.

Agarrar à primeira

Artur Moreira lesionou-se no ombro a 15 de Dezembro, num jogo contra o Olhanense. Oblak saltou do banco para o substituir e nunca mais voltou à situação de suplente. Até aí, no esquema de rotatividade de Jorge Jesus, o esloveno era o guarda-redes benfiquista das Taças. Coincidência ou não, o jovem de 21 anos leva 13 jogos na Liga Zon Sagres e durante esse período os Encarnados ainda não perderam um único jogo, com 12 vitórias e apenas 1 empate.

Jan Oblak nasceu na pequena cidade de Skofja Loka, na Eslovénia, e fez a sua trajetória de formação entre o clube local, o Locan, e o Olimpija Ljubljana. Fez a sua estreia na equipa principal da capital eslovena na época de 2009/10, com apenas 16 anos. O Olimpija acabou no quero lugar da liga e Oblak só não esteve entre os postes em quatro partidas. O Benfica foi buscá-lo no verão de 2010 mas o jogador foi imediatamente posto a rodar, no Beira-Mar. Seguiram-se passagens pelo Olhanense, União de Leiria e Rio Ave, antes do regresso atribulado à casa-mãe. Em Julho do ano passado o guardião não se apresentou na Luz para a pré-época, alegando que já não tinha contrato com os Encarnados. Dias mais tarde, e já com um novo contrato que o liga ao clube até 2018, o esloveno foi reintegrado no grupo e o incidente anterior foi rotulado de “um mal-entendido”. Independentemente dos pormenores do episódio, esta pode bem vir a revelar-se a melhor contratação da temporada para as Águias. Desde que assumiu a titularidade, Oblak consentiu apenas 3 golos na liga portuguesa e igual número nos confrontos da Liga Europa. Não admira portanto que tanto a Juventus como o Nápoles já o tenho referenciado como potencial reforço. Os olheiros do Everton também vieram observar o jovem guarda-redes encarnado.

Qualidade entre os postes

Fabiano FC Porto

Fabiano assumiu o posto em Alvalade

Fabiano Ribeiro de Freitas, natural de Mundo Novo, Baía, Brasil, nasceu a 29 de Fevereiro de 1988. Foi aos 18 anos para o S. Paulo mas esteve emprestado a vários emblemas menores. Veio para Portugal em 2011, para alinhar pelo Olhanense. Um ano mais tarde estava comprometido com os Azuis e Brancos, num contrato para quatro temporadas. Integrou-se bem nos Olivais e além dos habituais jogos da Taças também deu uma ajuda pontual em partidas do Porto B. Sempre era uma forma de ganhar minutos, já que a titularidade de Helton era um fato incontestado no Dragão. O inesperado aconteceu durante ida do FC Porto a Alvalade, para defrontar o Sporting. Aos 62 minutos Helton lesiona-se e as expressões de dor indicavam o pior. A infelicidade do veterano guarda-redes dos Dragões, que fez uma rutura total do tendão de Aquiles e assim fica afastado do resto da época, obrigou Fabiano a assumir o lugar entre os portes, sem aviso prévio. “Estou muito feliz e a realizar um dos objetivos da minha vida. Tenho de manter a cabeça no lugar e os pés no chão. A responsabilidade é muito grande, tenho que estar ao nível do FC Porto”, foram as palavras do gigante brasileiro na primeira conferência de imprensa no Dragão. Habituado a ter muito trabalho e a estar mais exposto nos clubes mais modestos por onde andou, Fabiano está consciente de que agora o espera um desafio diferente. “Quando estamos numa grande equipa a bola chega-nos poucas vezes às mãos, mas nos treinos trabalhamos com o intuito de estarmos concentrados durante 90 minutos.”

O seu primeiro jogo como titular da baliza do Porto foi a dramática viagem a San Paolo, para a segunda mão dos oitavos da Liga Europa, e Fabiano não defraudou. Se aos 69′ Ghilas conseguiu começar a dar a volta à eliminatória foi porque o brasileiro evitou que os napolitanos ganhassem vantagem. Durante a primeira metade da partida os homens de Rafa Benitez massacraram os Dragões. Para piorar a coisa o brasileiro tinha à sua frente uma linha defensiva em que se estreavam dois jovens da equipa B, Reyes e Ricardo. Ainda assim conseguiu manter a baliza portista invicta. As estatísticas registaram doze defesas do guardião azul e branco, sete ocasiões de golo eminente.

Helton tem manifestado apoio ao colega e compatriota, tanto em mensagens privadas como em testemunhos nas redes sociais, que Fabiano não se cansa de agradecer.

Boas Apostas!