Ainda agora começou, e já está a parar. A Primeira Liga. Ou as Ligas de toda a Europa. E do Mundo.

É o regresso das selecções, depois do Campeonato do Mundo de 2014, no Brasil. Na Europa, o caso é já o início da campanha de apuramento para o Europeu de 2016, em França.

Para algumas selecções, é bom este regresso, para matar fantasmas, recuperar posição, prestígio. Para outras, nem por isso. É, de novo, o nervosismo que se instala. Levantam-se os medos que se queriam em esquecimento.

Mas para o grosso dos adeptos, os jogos das selecções é tão só mais um interlúdio nas ligas por onde navegam os clubes de eleição e, segundo alguns, onde se joga, realmente, futebol, e se vê os verdadeiros craques a fazerem tão bem o que só eles sabem fazer.

Por cá, em Portugal, e depois do descontentamento que foi o Mundial de futebol, a palavra de ordem é a famosa “tranquilidade” de Paulo Bento.

Depois da montanha ter parido um rato, na descoberta, depois de aturada e profunda análise à participação da Selecção Portuguesa no Brasil, de que a responsabilidade cabia, por inteiro, ao corpo clínico, os jogadores renovam-se para defrontar a Albânia, que “não é uma selecção fácil”, no dizer de João Moutinho, mas que estará, eventualmente, ao alcance dos nossos garbosos rapazes.

Porém, desengane-se quem julgar que a Selecção Portuguesa se regenerou, por mais novos nomes que a ela tenham sido chamados. Paulo Bento não é conhecido pelas suas revoluções, nem pelos rasgos de inspiração. Não esqueçamos: tranquilidade.

Ora vejamos um muito provável onze para o próximo Domingo, frente à acutilante selecção albanesa: Rui Patrício; João Pereira, Pepe, Ricardo Costa, Fábio Coentrão; Miguel Veloso, Raul Meireles, João Moutinho; Nani, Vieirinha, Éder. Perceberam? A renovação é o Éder (ou outro qualquer avançado), pois as lesões impossibilitaram a inclusão dos inefáveis Hélder Postiga e Hugo Almeida.

Sejamos claros, se estamos à espera de renovação da Selecção Portuguesa, ela nunca o será sob o domínio de Paulo Bento. Com este treinador, continua um núcleo muito próprio e muito próximo de si. Todos os nomes novos que foram agora chamados à Selecção, foram-no por impossibilidade de todos os outros nomes que lá faltam e que foram ao Brasil. Alguém tem dúvidas? É que até Pepe, responsável por aquela picardia que lhe valeu a expulsão, está convocado. Mas vamos lá, sempre com tranquilidade.

A Selecção Portuguesa

A primeira coisa que salta dizer sobre Portugal, o Grupo I de apuramento e a fase final do Europeu de 2016, sediado em França, é que a Selecção Portuguesa tem todas as condições para lá chegar.

Do Grupo I de apuramento, para além da Selecção Portuguesa, constam, também, as selecções da Albânia, da Arménia, da Dinamarca e da Sérvia. Tudo grandes potências futebolísticas mundiais. É claro que é irónico, o que se está a dizer. A verdade é que são selecções chatas, que obrigam à atenção. Mas achar que o Grupo é difícil, ou que Portugal pode ter dificuldades em encontrar o caminho do apuramento é, finalmente, assumir que Portugal não tem categoria para estar nas fases finais. Quem almeja estar entre as maiores equipas, e Portugal já demonstrou, muitas vezes, que é uma das grandes selecções de futebol do Mundo, não pode estar com medo deste grupo, nem vir dizer, como os jogadores agora aprenderam a dizer, em discursos ocos e demasiado simplistas, que a Albânia é uma Selecção difícil. Ainda por cima, são apuradas as 2 primeiras selecções de cada Grupo, e a melhor terceira selecção de todos os Grupos. Se isto não basta para se acabar com a tremedeira, significa que andamos todos enganados.

Então, continuamos com Rui Patrício e Eduardo na baliza, a quem se juntou Anthony Lopes, que já não é a primeira vez que é chamado aos trabalhos da selecção.

Na defesa, temos João Pereira, André Almeida, Pepe, Luís Neto, Ricardo Costa, Rúben Vezo, Fábio Coentrão e Antunes. As surpresas estão em Rúben Vezo e Antunes. O primeiro, defesa central do Valencia, desde o início da época, fez toda a sua formação no Vitória Futebol Clube, o Vitória de Setúbal, e é a primeira vez que é chamado à Selecção. O segundo, defesa esquerdo do Málaga, tem passado por vários clubes, nomeadamente em Itália, desde que despontou no Paços de Ferreira. Já foi chamado várias vezes à Selecção, mas não é do núcleo duro. E não se espera que nenhum dos dois seja titular.

Ricardo Horta

Ricardo Horta, do Vitória de Setúbal para o Málaga e a estreia na Selecção Nacional

Para o meio-campo foram chamados Miguel Veloso, William Carvalho, Raul Meireles, Adrien Silva, André Gomes, João Moutinho e Pedro Tiba. Conhecendo Paulo Bento, Adrien Silva, do Sporting CP, André Gomes, do Valencia e Pedro Tiba, do Sporting Braga, deverão ver o jogo do banco. A dúvida será sobre quem será o trinco, Miguel Veloso ou William Carvalho, visto que ambos fazem parte do universo do treinador, podendo, até, jogar os dois juntos.

No ataque é onde as certezas são menos, até porque as primeiras escolhas não foram chamadas por lesão, como é o caso de Cristiano Ronaldo, Hélder Postiga e Hugo Almeida. Os avançados escolhidos são Nani, Ivan Cavaleiro, Vieirinha, Bruma, Éder e Ricardo Horta. Mas não se errará muito ao apostar no tridente Nani-Vieirinha-Éder. São nomes a que o seleccionador já está habituado. Ivan Cavaleiro, que está no Deportivo da Corunha, Bruma, do Galatasaray e Ricardo Horta, do Málaga, são possibilidades para o decorrer do jogo, principalmente se o jogo estiver a correr menos bem e for preciso tentar algo de diferente.

Mas uma coisa é certa. O jogo com a Albânia será para ganhar. E não só por ser um jogo em casa. É que se Portugal não consegue superiorizar-se a uma Selecção como a albanesa, é melhor arrumar já as botas.

Por isso se estranha este discurso demasiado cauteloso. Quase de coitadinho. Ainda por cima, de um grupo de trabalho inocentado de todos e quaisquer problemas da campanha do Brasil 2014.

As Outras Selecções

Mas não é só a Selecção Portuguesa que inicia as hostilidades este próximo fim-de-semana.

Mesmo as selecções que não começam já a competir, realizam partidas amigáveis com outras selecções. Este é um fim-de-semana para as selecções. Que começou já ontem com um escândalo desportivo. A campeã Mundial em título, a Alemanha, foi cilindrada em casa pela vice-campeã Mundial, a Argentina. O jogo foi no Espirit Arena, em Dusseldorf, e o resultado foi 2 a 4. E aos 50 minutos de jogo, a Argentina ganhava por 4 a 0. É obra. É que, com uma ou outra mexida, de parte a parte (Lionel Messi não jogou), as duas equipas foram muito próximas das que fizeram o Mundial e a final. Bom, segundo rezam as crónicas, houve um diabo à solta, de seu nome Ángel di María, que tudo levou à frente. 1 golo e 3 assistências. Haverá um Real Madrid arrependido por o ter deixado partir.

Ontem também jogaram outras equipas, 2 delas pertencentes ao Grupo I, onde está a Selecção Portuguesa. A Selecção da Arménia foi perder 2 a 0 à Letónia. A Selecção da Dinamarca, um dos adversários mais complicados com que Portugal tem de se defrontar, foi derrotada em casa pela Turquia, por 2 a 1.

Estas mesmas selecções ir-se-ão encontrar no próximo Domingo, na Dinamarca, para o primeiro jogo oficial do Grupo I.

Ainda ontem também se encontraram as selecções de Inglaterra e da Noruega, e o resultado foi um nulo.

Hoje também haverá vários jogos, dos quais se poderão destacar o Itália – Holanda e o França – Espanha. Uma Selecção Espanhola também em renovação.

Nos jogos particulares, há ainda a destacar o regresso da Selecção Brasileira aos jogos depois do pesadelo que foi o Campeonato do Mundo, no próximo Sábado, para defrontar a Selecção da Colômbia. Um jogo a gerar expectativas.

Entre jogos particulares e oficiais, há muita coisa nova a descobrir neste próximos dias, e que se prolonga até à próxima Terça-feira, dia 9 de Setembro. Sempre com muita tranquilidade.

Boas Apostas!