Finalizados os encontros de seleções e chegados todos os jogadores que correram mundo nesta última semana – alguns deles estarão hoje a chegar depois de disputados jogos do Apuramento para a CAN 2015 -, os clubes portugueses regressam à realidade do quotidiano, com uma jornada que se dividirá por três dias consecutivos. Com o tema do fim-de-semana a passar, obrigatoriamente, pelo encontro de Guimarães, onde o Vitória local recebe o FC Porto, há mais pontos de interesse para seguir nesta quarta jornada.

Duelo de líderes

Moreno Vitória Guimaraes

Vitória quer manter-se na frente

Junto com o Rio Ave, Vitória de Guimarães e FC Porto são os líderes da Primeira Liga, com apenas um deles a poder continuar na frente. A equipa de Rui Vitória terá o seu teste mais exigente na prova, mas o mesmo se poderá aplicar a Julen Lopetegui. Começa no banco o interessante duelo que se vai travar no Afonso Henriques. Rui Vitória transformou o seu grupo de jovens na equipa mais atraente do arranque do campeonato. O trabalho desenvolvido a partir da equipa B e a segurança que lhe vai sendo oferecida pela Administração do clube, permitiram que o técnico assumisse riscos, estando agora a colher os resultados. Mas perante o FC Porto terá um adversário à sua altura, em termos de intensidade de jogo. Essa poderá ser uma sensação nova para os jovens vimaranenses, que ponderam aproveitar este encontro para mostrar que a sua liderança não é fruto do acaso, nem uma simples entrada com o pé direito. O Vitória está em jogo para regressar a um lugar europeu.

Um novo Benfica?

Setúbal poderá bem ser a cidade e o Estádio do Bonfim a morada da estreia de Júlio César, Cristante e Samaris com a camisola do Benfica. As três mais recentes contrações do clube da Luz – quando se fala da possibilidade de Jonas também vir a assinar -, cumpriram já o período necessário à adaptação às ideias do treinador, ainda que o grego tenha estado fora com a sua seleção. No que toca à baliza, parecem não haver dúvidas. Artur, apesar de na avaliação global ter sido um jogador com uma boa performance na baliza do Benfica, paga o preço de não conseguir estar à altura dos desafios mais exigentes – e uma vez tomado como um guarda-redes frágil, a sua confiança pareceu sempre sofrer com isso. Já no meio-campo, continuam a existir candidatos em quantidade e qualidade para arrumar a equipa. Samaris parece estar na linha para merecer a confiança de Jesus, com Crisante a ter que esperar no banco. Inevitavelmente que a chegada destes jogadores irá também mexer com a dinâmica dos encarnados, que não terão tarefa fácil face a um aguerrido Vitória de Setúbal.

A estreia de José Mota

Jose mota

José Mota no momento da apresentação

No fundo da tabela, o Gil Vicente é a única equipa que já estava na Primeira Liga e que não somou qualquer ponto – algo em que é acompanhada por Penafiel e Boavista. Isso terá sido a mais forte razão para que João de Deus se visse demitido e substituído por José Mota. Entre os dois técnicos, vivem ideias diferentes para uma equipa de futebol. João de Deus sempre se mostrou um técnico mais idealista em todas as equipas por onde passou. Organizando os seus jogadores em 4-3-3 largos, para ter sucesso precisa de ter um meio-campo de enorme intensidade, fechado por um pivô de muita qualidade técnica e física, e uma frente de ataque com opções. Depois de ter entrado muito bem o Gil Vicente, a saída de alguns atletas e a falta de adaptação de outros foram-no deixando refém das suas próprias ideias. Com José Mota, regressa à Primeira Liga mais um dos obstinados amantes de um futebol realista, que prepara a suas equipas para fechar espaços, lutar pela bola até à última consequência, invadir o campo com gritos que parecem transformar os seus jogadores em dedicados servos de um jogo em que cada ponto tem um pouco de sangue, suor e lágrimas. Boa sorte para esta nova aventura.