Com alguns dos principais campeonatos da Europa a terem a sua primeira jornada no próximo fim-de-semana, apresentamos uma série de artigos de antevisão que servirão para medir as expetativas. Começamos com a Premier League, onde José Mourinho tentará levar o seu Chelsea, de novo, à glória, defrontando um grupo de adversários que soube reforçar-se bem para impedir um passeio aos Blues.

A arte de ser bicampeão com o mesmo plantel

Eden Hazard Chelsea

Hazard quer novo título

José Mourinho parte para a aventura e não parece mesmo ter outra opção que não a de ser o “Happy One”. O técnico português sabe bem da dificuldade que será tentar obter um segundo campeonato consecutivo sem grandes mexidas no plantel, mas também pressente que, consegui-lo, será razão para lhe verem reconhecidos os méritos (uma vez mais). Saíram do plantel, no entanto, algumas figuras que, no que toca a liderança de balneário, não deverão conseguir encontrar substituto, como Petr Cech e Didier Drogba. Chegam Asmir Begovic e Falcao para ocupar essas posições no banco, sendo que o colombiano, caso possa, realmente, ser recuperado, até poderá significar um upgrade no plantel. Mourinho conta, sobretudo, com o facto de vários dos seus jogadores estarem, este ano, mais maduros e preparados para enfrentar o desafio da Premier League (e da Liga dos Campeões, já agora). Eden Hazard, Willian e Óscar serão, sem dúvida alguma, os esteios de uma equipa que passará esta temporada na linha da frente.

Ataques ao mercado

O Manchester City terá feito o maior ataque ao mercado com a aquisição de Rahem Sterling ao Liverpool. Os Citizens mantém a sua estrutura base da temporada passada e conseguem ir buscar o jovem de maior potencial da Liga Inglesa. Assim consiga Sterling encaixar na frente de ataque da equipa de Manchester, logo o City deverá ter maior capacidade para não perder pontos frente a equipas de menor dimensão. Juntando-se ainda Fabian Delph a esta equipa, não sobram então dúvidas de que o City terá também mais solidez no meio-campo, espaço de terreno onde nem sempre souberam comprar ao nível da Premier League. Os dois jogadores contribuem ainda para dar alguma mentalidade britânica a um onze que, a espaços, parece despersonalizado.

O primeiro vencedor da temporada foi o Arsenal, que conquistou a Community Shield e entrará assim na Premier League com a moral em alta. Arsène Wenger terá alterado a sua política de contratações ao fazer o esforço para assinar com Petr Cech. O experiente guarda-redes de muitas lutas com a camisola do Chelsea é uma garantia de liderança e tranquilidade num plantel onde esses ingredientes estiveram em falta, quase tanto como faltou Ozil, primeiro fragilizado e, depois, lesionado. Se todas as suas estrelas estiverem à altura das exigências, o Arsenal poderá ter, este ano, uma palavra a dizer.

A fechar o quarteto de favoritos ao título, o Manchester United terá este ano o tudo ou nada de Louis van Gaal. Para além de, na segunda época do holandês à frente dos Red Devils, deixar de haver espaço para desculpas, o plantel beneficiou de novo investimento para montar a equipa à imagem do treinador. Dos quatro candidatos, o Manchester United será, também, aquele que terá mais novidades no seu onze. Na defesa, Darmian deverá encontrar lugar no flanco direito, enquanto o meio-campo sofre uma remodelação total com Schneiderlin e Schweinsteiger no meio e Memphis Depay a aparecer a partir das faixas. Rooney não conta, este ano, com a companhia nem de Falcao, nem de van Persie, parecendo ainda certa a saída de Di Maria. Será uma equipa à imagem de van Gaal que poderá valer-lhe o reconhecimento ou a porta da rua.

Segunda linha em eterna espera

Há duas épocas atrás sentia-se que o Liverpool poderia crescer para regressar à discussão do título (e não esteve tão longe assim de o conseguir), da mesma forma que uns anos antes o Tottenham também se intrometeu nos quatro primeiros. Mas hoje parece que estão, de novo, bem longe dessa possibilidade. Depois de ter perdido Suárez no ano passado, o Liverpool perdeu agora mais um dos poderosos S da frente de ataque. Sem Sterling, os Reds perdem também a capacidade de segurar um nome de enorme potencial futuro. Benteke, Ings ou Milner parecem todos incapazes de dar ao plantel a qualidade que um candidato ao título mereceria. Pior estará o Tottenham que aposta forte na continuidade. O ano passado viu-lhe escapar o regresso ao Top 4 e, sem conseguir investir o mesmo que os seus oponentes, aposta forte numa grande temporada de Harry Kane, tentando dessa forma repetir o efeito Bale que levou os Spurs à Liga dos Campeões.

Cedric Soares Southampton

Cedric é mais um português na Premier League

Nas últimas duas temporadas, foi o Southampton a equipa que conseguiu intrometer-se entre os mais poderosos. A chegada de Ronald Koeman terá sido também sinal de que os Saints querem cimentar a sua posição europeia, tendo voltado a atacar o mercado para tentar estar à altura do desafio. Jordy Clasie, Juanmi, Cuco Martina e Cedric Soares inserem-se, todos, na política de preencher com juventude as lacunas do plantel. Koeman vê sair algumas peças importantes, como Clyne ou Schneiderlin, mas tudo indica que podemos contar com o Southampton como parte integrante do núcleo dos mais fortes.

Haverá surpresas?

Quatro equipas perfilam-se como candidatos a surpreender nesta edição da Premier League, intrometendo-se nas lutas europeias. O Swansea nem poderá ser visto tanto como uma surpresa, porque tem estado, também de forma consistente, no topo das equipas que aparecem depois dos mais ricos. Gerry Monk tem sabido manter o espírito tático da equipa e com a chegada de Andre Ayew, espera-se ainda mais espetáculo “Made in Wales”. Também a confirmar um bom final de campeonato no ano passado, o Crystal Palace de Alan Pardew vê chegar um grande reforço para o meio-campo, o seu bem conhecido Yohan Cabaye, podendo potenciar desta forma as melhorias apresentadas após a mudança de treinador.

As outras duas surpresas serão, sobretudo, duas equipas que podem resgatar a sua posição na primeira metade da tabela. O Everton, de Roberto Martinez, mantém todos os seus principais jogadores e vê chegar Tom Cleverley e Deulofeu. Com mais tempo de trabalho, o técnico espanhol estará pronto para elevar a fasquia da exigência. Já o Newcastle aposta em Steven McLaren para recriar a potência futebolística que os Magpies já foram. Wijnaldum, Mitrovic e Mbemba são apostas de futuro que poderão, desde já, criar dividendos para a equipa do Newcastle.

As cartas estão lançadas para mais uma grande edição da Premier League. Sábado começam os primeiros jogos.