Comecemos pela tradução literal do conceito de “handicap”, termo inglês que designa uma situação de vantagem ou desvantagem ou obstáculo/incapacidade. Aplicado à indústria das apostas desportivas, é a tradução para “vantagem”/”desvantagem” que faz mais sentido.

A seguir aos mercados de 1×2 (vitória, empate ou derrota) e aos de golos, os mercados que envolvem handicaps são dos mais procurados pelos apostadores, estando intimamente ligados aos mercados de hipótese dupla. Existem dois principais tipos de handicap: europeu e asiático. Ambas as opções obedecem ao mesmo fundamento mas possuem duas ligeiras diferenças que explicaremos mais à frente.

Os handicaps são, primeiro que tudo, utilizados em encontros que se perspetivam desequilibrados. No fundo, ao invés de o encontro começar 0-0, há uma equipa que entra em vantagem (handicap positivo “+”) e outra que entre em desvantagem (handicap negativo “-“).

Imaginemos, por exemplo, um encontro entre Barcelona e Getafe.

O apostador “A” acredita que o Barcelona vai vencer o encontro, mas acredita que a odd que contempla a sua simples vitória não vale o risco. No entanto, considerando que acredita numa vitória por uma margem superior a um golo de diferença, pode optar por associar um handicap -1 ao Barcelona. Para a aposta ser ganha, o Barcelona deve vencer o Getafe por dois ou mais golos de diferença.

Já o apostador “B” acha que o Getafe poderá realizar um bom jogo em Camp Nou, regressar a casa com pontos e, no limite, não perder por uma margem superior a um golo de diferença. Caso o apostador “B” seja corajoso ao ponto de acreditar que o conjunto dos arredores da capital espanhola vai pontuar em Camp Nou, poderá optar pelo handicap +1 com uma grande odd. Se quiser optar por uma opção mais segura (dentro do risco), pode sempre optar pelo handicap +2.

Resultados

O apostador “A” lucrará com a sua aposta se o Barcelona vencer por uma margem superior a um golo de diferença (1-0, 2-0, 3-0, 3-1 […]). Já o apostador “B”, se optar pelo handicap +2, lucrará caso o Getafe vença, empate ou não perca por uma margem superior a um golo de diferença.

E se o Barcelona vencer por 1-0 ou 2-1? O apostador “A” perde o valor investido?

É esta a questão que nos permite introduzir a diferença entre os handicaps europeus e os handicaps asiáticos. O apostador “A” optou por um handicap -1. Seja ele europeu ou asiático, para que a aposta seja ganha, o Barcelona terá que vencer sempre por uma margem superior a um golo de diferença. Porém, a principal diferença entre os dois handicaps reside na questão da devolução. Se o handicap -1 escolhido for de tipologia europeia, o valor é perdido caso o encontro termine com uma diferença de um golo. Já se o handicap -1 eleito for do tipo asiático, o montante investido pelo apostador é devolvido.

Handicaps e empates

No handicap asiático, o apostador só pode associar essa mesma opção a uma das equipas em confronto (1 ou 2). Já no handicap europeu, é possível associa-lo ao empate. Ao associar o handicap +1 ao empate, isso significa que uma das equipas terá que vencer no máximo por um golo de diferença. Caso o encontro termine com uma margem superior, a aposta será perdida.

DV no Placard

O conceito de handicap está sobretudo associado à indústria de apostas online. No caso do popular jogo “Placard”, os mercados de handicap têm o nome de “DV”.

Os handicaps só servem para apostar em futebol?

Não. Os handicaps correspondem a vantagens/desvantagens e, como tal, faz todo o sentido que estejam presentes em quase todas as modalidades disponíveis para aposta online. No basquetebol, por exemplo, são dos mercados mais procurados, funcionando praticamente da mesma forma que no futebol: tanto é possível “retirar” pontos ao favorito como atribuir pontos ao “underdog”. As margens de handicap flutuam ao longo do jogo, tornando-se interessante apostar ao vivo.

No ténis, por exemplo, também é possível recorrer aos handicaps. Considerando a especificidade da modalidade, os mesmos costumam estar aplicados ao número de sets.

Boas apostas!