O SL Benfica está fora das competições europeias e dezembro só começa na próxima semana. Parece um pouco irreal que os encarnados não consigam, sequer, terminar em quarto lugar num grupo onde jogou frente a Bayer Leverkusen, AS Monaco e Zenit São Petersburgo. No momento do sorteio, os encarnados pareciam ter tido a sorte de não encontrar nenhum dos gigantes europeus, ainda que se adivinhasse algum equilíbrio. No entanto, o discurso de Jorge Jesus sempre pareceu colocar a Liga dos Campeões para segundo plano. Será que o seu pior ano na Europa se pode vir a transformar no seu melhor ano?

Fiel ao onze

Jorge Jesus benfica

Jesus com razões para se preocupar

O técnico português sempre foi muito fiel às suas escolhas, mantendo-se, o mais que pode, agarrado a um onze que lhe ofereça garantias. Este ano, encontramos um conjunto de nomes que têm estado nos grandes feitos do Benfica, como Maxi Pereira, Luisão, Enzo Pérez ou a dupla Salvio e Gaitán. Lima continua a ser a referência ofensiva da equipa mas, num plantel que não tem um verdadeiro ponta-de-lança ao estilo matador, os encarnados perderam, claramente, poder de fogo. No que toca a novidades, Eliseu conquistou a lateral esquerda mas uma lesão deixou-o fora de combate. Samaris tem imensas dificuldades para agarrar o lugar como pivô da equipa, parecendo jogar por falta de concorrência. Já no meio-campo ofensivo Talisca conquistou a posição como melhor reforço da temporada, mas o desenho da equipa parece obrigar, como aconteceu ontem em São Petersburgo, a abdicar da sua presença em campo quando a equipa quer ser mais ofensiva.

Outra das questões que assombra o técnico é o facto deste, em vários encontros onde não alcançou a vitória, não ter gasto as três substituições possíveis, algo que se repetiu no encontro frente ao Zenit. A única opção ofensiva que o treinador tinha no banco, no final do encontro, era Pizzi, que até pode ser visto como a grande vítima desta falta de confiança de Jorge Jesus. Pizzi é um jogador que, no futebol português, está ao nível dos grandes clubes. No entanto, não tem merecido sequer confiança para ser um jogador que é utilizado saído do banco. Como se poderá perceber isto num plantel que terá sido construído para alcançar diferentes objetivos na Primeira Liga, mas, também, na Europa?

O melhor ano poderá ser o pior de Jorge Jesus

 Enzo Perez

Enzo Perez perto da saída

Reformulamos, então, o título, para chegar onde Jorge Jesus deverá temer que as coisas se encaminhem, neste momento. Com a saída da Liga dos Campeões e a respetiva fraca prestação em termos financeiros, adivinha-se a necessidade de vendas no Estádio da Luz. Gaitán será o melhor candidato a sair, o mesmo acontecendo com Enzo Pérez. Perder qualquer um destes jogadores poderia ferir as ambições dos encarnados, mas num panorama em que o clube só terá que disputar partidas do calendário nacional, o desafio ao técnico deverá passar por lutar pelo título com menos uma ou duas referências.

No final da temporada, é provável que Salvio e Talisca acabem, também, por seguir o mesmo caminho, o que deixará o Benfica de Jorge Jesus totalmente irreconhecível. O melhor ano do Benfica em termos de possíveis vendas parece estar à porta. Para o treinador, a satisfação de ajudar a vender atletas poderá não ser suficiente se, ao mesmo tempo, não alcançar todos os títulos em Portugal ou continuar a não se sentir disponível para lutar na Europa. A verdade é que o grande sucesso de Jorge Jesus na frente dos encarnados se tem prendido com os negócios feitos pelo clube nas vendas de jogadores. Em termos desportivos, o Benfica sempre sentiu muitas dificuldades frente aos adversários que estão, pelo menos, ao seu nível.

Restará saber qual a medida do sucesso no Estádio da Luz. Para quem tem seguido as decisões de Luís Filipe Vieira, não deve ser difícil de perceber.