E este é, afinal, o último e único representante português na Liga dos Campeões.

O FC Porto já vinha apurado para esta última jornada do Grupo H da Liga dos Campeões, e, inclusivamente, já tinha garantido o primeiro lugar no grupo. Portanto, este último jogo com o Shakhtar Donetsk era mais um proforma.

Que o FC Porto entra sempre em todos os campos com a melhor equipa e sempre para ganhar, desataram a gritar todos os comentadores afectos ao emblema da cidade Invicta. Como se o jogo de Domingo fosse só mais um jogo, tão só importante como o jogo da Liga dos Campeões que já não iria alterar nada na forma. Ah, mas alteraria no conteúdo. Porque o FC Porto é o FC Porto.

Pois, mas o seu treinador não pensa da mesma forma que os comentadores e treinadores de bancada. Julen Lopetegui, consciente da pouca importância do jogo de Quarta-feira, muito menos ainda em comparação com o jogo de Domingo, procedeu a mais alterações que as habituais na forma de gerir o plantel, tendo em vista a importância do jogo com o SL Benfica. É que quem ganhar, arranca o primeiro lugar. Mais vantagem para o SL Benfica, mas o FC Poro joga em casa, e a história e as estatísticas garantem a vantagem, e o problema de Jorge Jesus com a pressão, é mesmo um problema.

Na Liga dos Campeões

Temos assim que o FC Porto foi a jogo com uma equipa ao contrário do que tem sido.

Começou logo pela baliza, onde André Fernández se estreou. Num jogo que não lhe exigiu muito trabalho, esteve com toda a atenção do Mundo, tendo o golo surgido de um canto cedido por uma excelente defesa a negar o golo à equipa ucraniana.

FC Porto 1 - 1 Shakhtar Donetsk

Já com os oitavos-de-final da Liga dos Campeões e o primeiro lugar assegurados, o FC Porto jogou com uma equipa secundária para se precaver para o jogo com o SL Benfica, e empatou a 1 golo com o Shakhtar

Na defesa, o único titular indiscutível, foi, e é, Alex Sandro. Pelo seu lado esquerdo foi difícil ao Shakhtar construir jogadas de perigo. Como central esteve Maicon, um habitual sem ser indiscutível, e depois, nas restantes duas posições da defesa, estiveram Marcano, a central, mas que com a lesão de Rúben Neves subiu para trinco, tendo feito um jogo sofrível, e Ricardo, adaptado à esquerda com algumas dificuldades para parar o ataque adversário.

A meio do campo houve Rúben Neves enquanto durou. Ainda na primeira parte lesionou-se e teve de ser substituído. Marcano foi fazer a sua posição, mas Marcano não é Rúben Neves. Para o lugar de Marcano, a central, entrou Martins Indi, o habitual titular e que estaria, provavelmente, guardado para Domingo. Depois, Quintero e Evandro, limitaram-se a gerir o centro do terreno, mas sem grandes deslumbres, discretos e com algumas falhas e percas de bola que, no entanto, o Shakhtar não soube aproveitar da melhor maneira.

Quanto ao ataque, a grande surpresa foi mesmo Aboubakar, autor do golo que impediu a derrota do FC Porto na Liga dos Campeões e em casa, com um grande remate. Mas no resto, Aboubakar esteve, tal como Ricardo Quaresma e Adrián Lópes, uns furos abaixo do que a equipa espera e necessitava. No caso de Quaresma, registe-se a ideia já aqui avançada várias vezes, mesmo quando respeitam à Selecção Nacional: Ricardo Quaresma tende a render muito mais quando é lançado a jogo já com ele em andamento. Quando entra de início, Quaresma tem muitas dificuldades em enquadrar o seu jogo. Por seu lado, Adrián López continua a desiludir e a não aproveitar as oportunidades nem a justificar a sua aquisição e ainda mais pelos valores que foram. Um verdadeiro desastre.

As coisas só não correram tão mal ao FC Porto porque Julen Lopetegui teve a sorte do seu lado, especialmente nos pés de Aboubakar pois, ao contrário de Jorge Jesus, que com o mesmo empate em casa, embora a zero, e já sem futuro na Europa, ganhou outra equipa e vários, bastantes, jogadores, Lopetegui, que tem melhor banco, não.

No fim, Lopetegui mostrou-se satisfeito com a prestação e, não querendo falar do jogo com o SL Benfica, lá foi dizendo que é um jogo com uma grande dimensão.

Num Mundo ao contrário, o FC Porto empatou em casa com uma equipa ucraniana porque quis poupar jogadores para enfrentar o SL Benfica. Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades?

Na Primeira Liga

Mas agora que passou a semana, os jogos da Liga dos Campeões, fossem a feijões ou a milhões, está, esta equipa do FC Porto, inteiramente voltada para receber o SL Benfica no seu Dragão.

Jogadores descansado, fugidos a maselas e lesões, escapados a castigos, tudo está a postos.

FC Porto 2 - 1 SL Benfica 2014

Na temporada passada, já com o SL Benfica campeão, o FC Porto ganhou em casa, na última jornada, por 2 a 1. Esta época, para o bem ou para o mal, as coisas estão diferentes

Se a tradição mandasse, o FC Porto era já, a priori, o virtual vencedor. Mas a tradição vale o que vale e só vale enquanto se mantém. Há alturas em que tudo muda e, por vezes, não se sabe muito bem como nem porquê.

Então temos assim duas equipas na sua máxima força, uma delas, o FC Porto, com melhor banco, a outra, com uma descoberta de novos jogadores que se desconheciam. Estará aí, nesses outros elementos, a chave da vitória?

Embora seja o FC Porto que persegue o SL Benfica, a pressão estará toda em cima da equipa de Jorge Jesus. Ao FC Porto, a vitória dará o primeiro lugar, coisa que já não acontece há algum tempo. Depois, é conhecida a incapacidade encarnada para ultrapassar estas pressões, ou seja, se o FC Porto se coloca à frente, muito dificilmente o SL Benfica consegue recuperar o lugar. Se, por outro lado, o SL Benfica ganha, alarga para 6 pontos o fosso entre as duas equipas, o que não querendo dizer nada (o SL Benfica já os perdeu assim, num abrir e fechar de olhos), dará à equipa da Luz o alento que carece desde que foi afastado das competições europeias. E se se pensar que na reabertura do mercado, o SL Benfica irá vender um ou dois jogadores de nomeada, a vitória e o alargamento da distância ganha ainda maior valor.

Mas o FC Porto em casa, mesmo com Lopetegui e as suas maquinações estratégicas esquisitas, será muito difícil de bater, o que irá tornar este, um jogo bastante interessante.

Isto se o Mundo estiver direito. Mas é o que se pretende: um grande jogo e, se possível, com muitos golos.

Boas Apostas!