Até ao fecho, a 1 de Setembro, os meios desportivos não falavam de outra coisa: as movimentações de jogadores, com grande destaque para os nomes sonantes e as verbas avultadas. Há quem defenda que o mercado de verão devia ser encurtado. Os campeonatos arrancam e durante quase um mês ainda a modalidade é dominada pela especulação sobre reforços de última hora. Mas por trás do que preenche páginas de jornais e blogues há a economia do futebol. A crise só existe para alguns e os números continuam a impressionar, de tão redondos.

Agora que o mercado está fechado, pelo menos até Janeiro, podemos analisar com mais calma os números de que se faz esta janela de transferências no futebol profissional. Foram dois meses longos de possibilidades avançadas e logo desmentidas, jogadores desviados e grandes contratações. Parece tempo a mais até porque, de facto, há apenas dois momentos fortes. Logo na abertura da janela, quem tem as opções tomadas e o dinheiro para bater, despacha as entradas e saídas. Os outros, por incapacidade de investimento ou desfalques tardios, arrastam as compras até ao último momento. Mas essa seria uma outra conversa.

Os cinco grandes mercados

Analisemos então os cinco maiores mercados futebolísticos, por enquanto ainda todos europeus – Inglaterra, Espanha, Alemanha, França e Itália. Os dados são recolhidos pelo organismo mundial, a FIFA. Desde logo podemos verificar que o número de jogadores e valores envolvidos em 2014 se mantém ao nível do ano anterior. No verão de 2013 houve setecentos e sessenta e quatro jogadores a mudar de clube, desta vez o contingente subiu para setecentos e setenta e três profissionais. A verba global transacionada foi, em ambos os períodos, de pouco mais de mil milhões de euros. Uma das tendências que os números globais revelam é um crescimento nas movimentações entre os cinco principais campeonatos europeus. 2014 registou um aumento de 14% nestas transferências específicas. Considerando apenas as contratações com um valor de transferência divulgado, o valor médio gasto por jogador cresceu vinte por cento – 7.8 milhões de euros para 9.3 – no intervalo de um ano.

Mãos largas em Inglaterra e Espanha

Mas se nos debruçarmos sobre cada um dos cinco grandes separadamente, vemos que os números confirmam a impressão generalizada de que Ingleses e Espanhóis lideram o ranking dos gastos. São os únicos dois que aumentaram o investimento, relativamente a 2013. Mas entre eles existem diferenças. O mercado inglês tem tido evolução progressiva e contínua nos últimos quatro anos, crescendo em média sessenta e cinco por cento a cada ano. Já em Espanha, gastou-se este ano três vezes e meia mais do que 2013. Mas 2012 foi um ano de forte redução na despesa com os plantéis. No extremo oposto estão os clubes franceses e italianos, onde se sentiu uma quebra de sessenta por cento no investimento em pessoal. Em França esta baixa é facilmente associada à mudança na política de contratações dos dois gigantes financeiros – Paris Saint-Germain e AS Mónaco – que aparentemente esgotaram os mealheiros. Se em 2013, a esta altura do campeonato, tinham gasto entre os dois duzentos e vinte e sete milhões, este verão ficaram abaixo dos sessenta. O mesmo aconteceu em Itália com os habituais gastadores que inflacionavam o mercado, com Milan e Juventus à cabeça. Os Alemães são, sem dúvida, os mais sensatos nestas coisas, sem grandes oscilações, positivas ou negativas, nas últimas temporadas.

Empréstimos ganham dimensão

Uma das tendências que emerge deste verão de transferências foi o maior recurso a empréstimos. O expediente era muito comum para dar rodagem jovens talentos com poucas oportunidades de brilhar nos clubes a que pertencem, assim como para excedentes com salários elevados. Mas agora acontece mesmo com grandes nomes – o exemplo mais paradigmático talvez seja o de Radamel Falcão, cedido ao Manchester United. No que respeita aos valores envolvidos, os dados sobre esta prática são mais difíceis de compilar, até porque os gastos e contrapartidas são mitigados entre percentagens de salário, valores de empréstimo e direitos de preferência.

Boas Apostas!