É estranho. Muito estranho. Mas a primeira palavra que me surge quando quero falar de Jorge Jesus após um jogo contra um adversário directo, é medo.

Já por diversas vezes o treinador do SL Benfica entra a medo em campo. Normalmente em campo adversário. Mas também já o fez em casa. No será por acaso que, em jogos com adversários directos (FC Porto ou Sporting CP), Jorge Jesus tem tendência para inventar. Normalmente dá-se mal. Joga para o empate e as coisas não correm bem. Não foi por acaso que surgiu o trauma do minuto 92.

Ontem, em Alvalade, acabou por ter sorte, no meio do seu inevitável azar. Desta vez o minuto 92 foi dele. Mas a que preço?

Jorge Jesus que tem feito um trabalho meritório no SL Benfica, deixa levar-se por uma arrogância muito própria que a maior parte das vezes o deixa à beira do erro. Não é por acaso que, em 5 temporadas no SL Benfica, Jorge Jesus foi somente 2 vezes campeão da Primeira Liga.

Ainda esta semana, Jorge Jesus veio pra os jornais clamar que, se quisesse ganhar mais troféus, teria de ir lá para fora que, com o SL Benfica nunca o conseguiria. Se Jorge Jesus é, e quer ser, tão bom quanto amiúde afirma que é, tem de se lembrar que José Mourinho e André Villas-Boas ganharam na Europa com equipas portuguesas. Boas equipas, as do FC Porto, que tiveram a possibilidade de treinar, é certo, mas também já Jorge Jesus teve, várias vezes, muito boas equipas para conseguir, lá fora, o que ainda não conseguiu. Chegou a finais. Mas não conseguiu ir mais longe. Porquê? Por medo. Porque equipa, tinha-as. Bastaria lembrar a final da Liga Europa perdida para um Chelsea cinzento e fraco.

No final do jogo de ontem, Marco Silva, o treinador do Sporting CP dizia que a sua equipa tinha sido a única a tentar ganhar o jogo. E tinha razão. Jorge Jesus desistiu de vencer o jogo de ontem antes ainda de entrar em campo.

O FC Porto está a 4 pontos do SL Benfica. A fazer pressão sobre Jorge Jesus. E vai aguentar?

A Má Gestão

Jorge Jesus tem uma certa tendência para gerir (mal) os resultados. Em vez de se lançar à luta com a célebre máxima de o-Benfica-entra-em-todos-os-jogos-para-ganhar, Jorge Jesus prefere a sua máxima de quero-chegar-ao-fim-e-ganhar. O problema é que essa estratégia do treinador do SL Benfica não tem dado resultado porque, como também se diz muitas vezes e com razão, quem-joga-para-o-empate-arrisca-se-a-perder.

Jefferson no Estoril

Estava o SL Benfica na ante-câmara do título quando, Jefferson, no Estoril, troca as voltas a Jorge Jesus, começando, aí, a sua descida aos infernos

Ontem, com a escolha de uma equipa montada para defender, Jorge Jesus ia perdendo o jogo. Primeiro, porque perdeu o meio-campo. A contenção não produz jogadas. Depois, não conseguiu chegar à frente com a bola jogável para permitir aos avançados fazerem o que se espera deles. O SL Benfica fez 4 remates à baliza de Rui Patrício, o primeiro dos quais já próximo da meia-hora de jogo. É pouco, muito pouco. É o resultado do medo.

Com Nico Gaitán lesionado, coube a Ola John e a Salvio a responsabilidade de assistir as bolas aos avançados. Só que raramente os extremos conseguiram puxar a bola para a colocar na cabeça ou nos pés dos avançados, Lima e Jonas, porque o meio-campo não construia jogadas que lhes permitissem mandar nessa zona do terreno. A Samaris e a André Almeida coube-lhes cortar as jogadas do Sporting CP, e embora durante certa parte do tempo de jogo, um e outro jogador até tenham estado superlativos, no geral nunca conseguiram superiorizar-se ao triângulo sportinguista que foi sempre superior e conseguiu municiar, bastantes vezes, o seu ataque.

É verdade que a defesa do SL Benfica, e inclusivamente o seu guarda-redes, que tanto medo tinha antecipado, estiveram muito bem. E foi isso que obstou para que o Sporting CP não conseguisse concretizar mais golos. Raramente o ataque leonino se conseguiu superiorizar à defesa encarnada. Ganhava o meio-campo, mas era desarmado no último terço do terreno.

Quando, já muito perto do final do encontro, Jefferson, um defesa, consegue, finalmente, marcar um golo, Jorge Jesus viu chegar todos os fantasmas que o têm atormentado nestes últimos ano, Kelvin à cabeça. O que fazer, agora, encostado ao fim do jogo?

Jorge Jesus tem perdido os jogos que tem feito para o empate.

A Salvação Vem de Rompante

E quando já todos os benfiquistas enterravam a cabeça na areia, e Jorge Jesus começava a pensar qual o discurso de defesa que deveria encetar no contacto com a comunicação social, e quando já os sportinguistas cobiçavam a entrada na guerra pelo título de campeão nacional, um maior balde de água fria tomba sobre Alvalade na forma do seu mais improvável construtor: Jardel, de novo, outro defesa.

Jefferson no Sporting CP

De novo Jefferson, agora no Sporting CP, a querer tramar a vida de Jorge Jesus e quase a conseguir

Jardel, um central mal-amado pela massa associativa, que só Jorge Jesus consegue descobrir valências (principalmente quando se antecipa Lisandro López e César como dois potenciais excelentíssimos defesas centrais de futuro), é que se reinventa e, na última jogada do encontro, empurra a bola para dentro da baliza de Rui Patrício, incrédulo, como todos os jogadores do Sporting CP, e adeptos, mesmo os benfiquistas, e faz o que já ninguém conseguiria imaginar: o empate do SL Benfica em Alvalade, um certo afastar dos leões no caminho do título e um aproximar do FC Porto que, podendo ser grave, para já prefere-se esquecer. Rui Patrício que tinha sido um mero espectador durante quase todo o encontro, é derrotado num lance furtuito.

No final, Jorge Jesus ainda clamou que depois de estar a perder, fizera o que lhe restava: ou levava o segundo golo, ou empatava. A sorte protege os audazes, costuma dizer-se. Mas se é de sorte que se fala (e Pizzi rende André Almeida aos 89′ e Derley rende Samaris aos 92′), não se fala, concerteza de audazes, que foi coisa que Jorge Jesus não foi.

Sem ter feito nada para isso, o SL Benfica marcou um golo que lhe deu o empate que, afinal, foi a única coisa que o SL Benfica procurou aos longos dos 90′ de jogo.

Jorge Jesus que, já se disse, tem feito coisas muito boas na equipa do SL Benfica, também tem feito muita asneira, principalmente a motivada pelo medo. Esta equipa não merecia isto. Mesmo que, no final do campeonato, e se o SL Benfica for campeão, Jorge Jesus conseguir a proeza de ganhar a Primeira Liga com uma equipa muito mais fraca que a do ano passado, e que esteve em construção ao longo do ano. Mas na verdade, se o SL Benfica for campeão não foi porque o Jorge Jesus operou um milagre com os elementos que tinha à sua disposição, mas sim que o FC Porto de Julen Lopetegui conseguiu a proeza de não ser campeão com a grande equipa que lhe colocaram nas mãos.

Boas Apostas!