2016 está aí, mas a grande notícia dos anos que se seguem no futebol português parece ter sido o mês de dezembro. Naquele que poderá ter sido o primeiro grande embate entre operadores de televisão por cabo após a compra da MEO pela Altice, os clubes portugueses viram chegar propostas de números até há bem pouco tempo impensáveis. Assim, a grande maioria das equipas da Liga fechou 2015 a contar entradas de dinheiro para um futuro próximo, faltando, no entanto, perceber, qual o real impacto que isso poderá ter no nível da competição. Para lá do dinheiro, e estando em vésperas de clássico, também não dá para fugir a uma conversa sobre futuro sem falar do Sporting – Porto e da liderança na Liga NOS. Mas vamos por partes.

O meu contrato milionário é maior do que o teu

Benfica NOSSe para a grande maioria dos adeptos aquilo que parece interessar é o valor que o seu clube vai receber pela venda de direitos, publicidade e derivados, a realidade estará bem aquém dessas conversas. É que a vantagem competitiva não se faz na comparação de contratos entre os três grandes. De uma forma algum básica, vai ser mais “fácil” ser campeão em Portugal, já que o fosso – que sempre foi enorme – entre os três grandes e as restantes equipas se mantém bem cavado e sólido. A novidade aqui prende-se apenas com o facto de o Sporting conseguir fazer um contrato ao nível dos outros dois concorrentes, uma realidade que há dois ou três anos atrás parecia impossível.

Mas, no entanto, o que estes contratos e as suas durações nos revelam é que o nível das equipas na Liga NOS vai continuar a baixar em relação às grandes competições europeias. A capacidade de equipas como o Norwich, o Stoke City, o Deportivo da Corunha ou o Augsburgo discutirem com os grandes portugueses a contratação de jogadores aumenta, cabendo às equipas portuguesas a capacidade de continuarem a dar alguma luta na Liga dos Campeões para não desaparecerem das prioridades dos jovens talentos mundiais. O desafio também se coloca, cada vez mais, ao nível do scouting, já que a vantagem competitiva que as equipas portuguesas revelaram na década de 90 e na primeira década do Século XXI tem vindo a ser ultrapassada com uma profunda mudança na forma de identificar talento pelo mundo inteiro e também pela contratação de técnicos e especialistas portugueses por equipas de países mais ricos.

O campeonato joga-se dentro ou fora dos relvados?

Lopetegui JesusNunca um treinador que está em primeiro lugar da Liga NOS foi tão assobiado no Dragão. A equipa portista só perdeu, durante o ano de 2015, com o Marítimo, no entanto, isso foi o suficiente para perder o título, falhar a final da Taça da Liga e passar o ano com os ouvidos a arder. Julen Lopetegui está no centro do vulcão, não por aquilo que a sua equipa consegue fazer mas, sobretudo, pelo que não consegue – o potencial dos seus plantéis parece nunca ser totalmente cumprido devido às ondas provocadas pelas escolhas do treinador.

No relvado onde se jogará o primeiro clássico de 2016, habita uma equipa que vive em posição diametralmente diferente. Jorge Jesus inspirou o Sporting a ser um conjunto que não teme os principais rivais e, com reforços à altura, começou a mudar a face dos leões. No entanto, 2015 fechou com uma eliminação da Taça de Portugal e uma derrota na Liga NOS que lhe “roubou” o primeiro lugar. Maior pressão para o clássico? Jesus não o sente assim. O desafio para este ano é estar na luta do título, não ser o favorito, e continuar nas proximidades do FC Porto e afastado do Benfica parece garantir estar dentro dos objetivos.

Os dados estão lançados e, depois deste clássico, haverá mais duas jornadas na próxima semana para afinar, ainda mais, as previsões para o ano de 2016. Vai valer a pena o que será preciso esperar!