Soaram os alarmes mediáticos depois do almoço desta quinta-feira, José Mourinho não é mais treinador do Chelsea. Esta resolução começou a adivinhar-se durante o dia de ontem, quando a reunião entre administradores do clube e o técnico português foi anunciada. A medida parece ter sido pensada e repensada, não sendo fruto de um gesto brusco ou irrefletido. Depois de, a meio da semana passada, o Chelsea ter garantido a continuidade na Liga dos Campeões, o encontro jogado em Leicester, na segunda-feira, ainda soava a oportunidade para marcar uma mudança de rumo para os Blues. A derrota perante o conjunto de Claudio Ranieri, no entanto, desfez a ilusão de que alguma coisa poderia mudar.

Pode até sublinhar-se que os acontecimentos de Leicester mostraram bem aquilo que foi o Chelsea em 2015 e, em última análise, aquilo que tornou necessário o afastamento de José Mourinho. Uma equipa demasiado presa nos seus movimentos, com uma enorme falta de intensidade e, sobretudo, sem qualquer chama no momento ofensivo, totalmente dependente das pequenas chispas criadas por Diego Costa na sua pose quixotesca. José Mourinho queixou-se, uma vez mais, dos seus jogadores e da sua falta de respeito pelo plano de jogo, mas parece difícil aceitar que o problema do Chelsea está nos jogadores, antes naquele que teria por missão não se agarrar excessivamente a um plano que não parece dar resultados.

Há um ano atrás

Jose Mourinho

Segundo despedimento em Stamford Bridge

Os problemas do Chelsea começaram há cerca de um ano atrás, quando depois de um início de temporada fantástico, os Blues entenderam que já só precisavam de gerir a sua vantagem para conquistar a Premier League. 2015 acabou por se transformar, desta forma, num ano horrível para o conjunto de Stamford Bridge, vendo Hazard perder o seu brilho e a equipa a acabar manipulada para ser uma máquina de defender resultados. Até ao final da temporada de 2014/15, o Chelsea perdeu por três vezes, duas na Premier League e uma na Taça de Inglaterra, sendo que empatou por nove vezes, duas delas na Liga dos Campeões, acabando eliminado pelo Paris SG. Em outras nove ocasiões, as suas vitórias foram conseguidas apenas por um golo de diferença, oferecendo uma imagem mais pálida daquilo que havia prometido ser o Chelsea.

No entanto, uma Taça da Liga e o título da Premier League pareciam ser o suficiente para acreditar que José Mourinho poderia continuar na frente dos destinos dos Blues por muitos e bons anos, como ele próprio parecia desejar. Se é verdade que parece difícil encontrar um melhor treinador para o Chelsea, também é verdade que este José Mourinho já não é o Mourinho que dominou a Europa há uns anos atrás. Em termos táticos, o seu programa não melhorou em nada depois da passagem pelo Real Madrid. Em termos mentais, a sua aproximação aos plantéis que gere tem sempre sentido imensas dificuldades de aceitação/integração, ora porque os jogadores mudaram, ora porque lhe falta um núcleo central de atletas que acreditem depender dele para alcançar o sucesso, como se passou no FC Porto, nos primeiros anos de Chelsea ou no Inter de Milão.

E agora, o futuro?

Será o fim de uma parceria estratégica entre técnicos?

Será o fim de uma parceria estratégica entre técnicos?

José Mourinho deverá retirar-se de qualquer conjuntura em termos de hipótese para bancos que venham a ficar livres até ao final da temporada. Na verdade, num verão que promete ser bastante profícuo em termos de vagas em grandes equipas, será impossível não acreditar que Mourinho surja como possibilidade para várias delas. Os lugares mais apetecíveis, em termos de poderio económico, estarão no Bayern de Munique, no Real Madrid e nos dois emblemas de Manchester. Por outro lado, projetos como os do Paris SG também terão tudo para desejar um nome como o de Mourinho.

O problema parece ser, no entanto, mais profundo. Não bastará a José Mourinho anunciar-se numa qualquer conferência como um “happy one” que, claramente, ele não é. Vai ser preciso ir muito além disso. Até porque a falha no Chelsea, este ano, foi mais profunda do que apenas uma falta de contacto com os jogadores. O repensar do seu papel passará, também, pelo repensar da sua equipa técnica. E se é verdade que Rui Faria sempre pareceu fundamental nos sucessos de Mourinho, talvez este seja o momento para que o técnico procure um novo número dois, que volte a apresentar, em termos de treino e de preparação tática, a inovação que Faria representou há 12 anos atrás. Não se trata de culpar o número 2, nem sequer de considerar que o mesmo já não tem valor para estar na equipa técnica de Mourinho. Mas a verdade é que, se uma equipa procura mudar quando as coisas não correm bem, então também esta equipa precisará de renovação. Talvez os próximos seis meses sem trabalho sejam uma excelente oportunidade para entender isso mesmo.

Até já, José.