Segunda-feira à noite sempre foi um momento tradicional do futebol inglês, com o “Monday Night Football” a ecoar nas mentes de quem, por via das antenas parabólicas, acompanhava as transmissões dos primórdios da Premier League na Sky Sports. Por isso mesmo, sempre que esse dia da semana merece honras de grande duelo, os jogos parecem ganhar um gostinho especial. Assim foi ontem no Emirates Stadium, onde Arsenal e Liverpool deram um intenso espetáculo de futebol, mesmo terminando empatados a zero.

Arsène Wenger e a matemática

Irá o técnico francês ao mercado, nesta última semana, para buscar reforços para o ataque ou preferirá o Arsenal manter-se dedicado a Giroud como o seu homem para fazer o trabalho de área, não necessariamente, os golos? O futebol do Arsenal, pelo que foi ontem visto, merece mais. Petr Cech ocupa a baliza como um verdadeiro gigante, tendo impedido que o conjunto de Liverpool pudesse ter chegado ao golo nesta partida. No meio-campo, a dupla composta por Coquelin e Cazorla inspira confiança que o trio de médios mais adiantados – Ramsey, Ozil e Alexis insiste em perfumar com bom futebol. Está nos pés destes três jogadores aquilo que se poderá chamar de modelo de jogo de Wenger. O técnico não domina a equipa, é a criatividade dos seus jogadores que o faz, pelo que haverá espaço para melhorar aquilo que o Arsenal vale.

Alexis Arsenal

Alexis inquieto

Com Olivier Giroud como elemento mais adiantado da equipa, o Arsenal nunca irá conquistar um título na Premier League. Não que o francês não tenha imensa utilidade numa equipa de topo. É um jogador muito inteligente em termos de posicionamento, joga muito bem de costas para a baliza e cria espaços para as penetrações do referido trio do meio-campo. Mas perante defensivas sempre muito bem preparadas e com pequena percentagem de erros cometidos, o ponta-de-lança de um campeão tem que ser um predador. O Arsenal, obviamente, sofre por não o ter. Wenger ainda tenta disfarçar essa lacuna com a chamada da cavalaria, impondo uma velocidade no jogo que só elementos como Walcott ou Oxlade-Chamberlain podem imprimir. Mas não chega. Para fazer melhor, não chega.

Liverpool: primórdios de uma reconstrução

Brendan Rodgers entrou em modo reconstrução no seu plantel e as mudanças operadas em todos os sectores são bem reveladoras de um trabalho que terá, obrigatoriamente, de dar resultados já esta temporada. A existência de Christian Benteke na frente de ataque muda bastante a forma de operar dos Reds. O belga é um portento, demostrando enorme capacidade de disputar os lances pelo ar e servindo como alvo para muitas das saídas em profundidade gizadas por Rodgers. Mas, ao mesmo tempo, a presença de Benteke no meio pede uma presença bem diferente daquela que Coutinho tinha na equipa. Chegou Roberto Firmino – que está ainda a pisar o terreno para o avaliar -, mas a mudança de modelo é agora bastante visível. No Emirates, Benteke providenciou a luta, mas faltou uma mais elevada nota artística dos seus companheiros para conseguir fazer perigar, de forma material, a baliza do Arsenal.

Benteke Liverpool

Como parar Benteke?

No meio-campo, a intensidade é palavra de ordem e a chegada de Milner parece ceder ao seu técnico um autêntico camaleão que, jogando pela ala ou pelo centro, tem sempre uma dinâmica muito forte de procura de bola. Defensivamente, a equipa também parece apresentar opções, ainda que seja no banco que talvez o Liverpool possa procurar melhoras. Ontem, Ings, Origi e Sakho foram preteridos perante jogadores mais jovens, sendo que, provavelmente, Rodgers pensou, em primeiro lugar, em manter o equilíbrio nas zonas recuadas, com o passar dos minutos. Mas fica também a nota de que a confiança do técnico nos seus jogadores será essencial para levar o Liverpool, de volta, à luta por um lugar na Liga dos Campeões.