Já passaram uns dias do dérbi de Lisboa, jogo que Sporting e Benfica terminaram empatados, e é a frio que fazemos o rescaldo de um jogo que prometia muito, por aquilo que estava em causa antes do seu início, mas que acabou por se revelar numa grande desilusão para todos aqueles que gostam de futebol.

Muita disputa no dérbi de Lisboa

Muita disputa no dérbi de Lisboa

Os dois treinadores, nas suas análises, quiseram-nos fazer crer que ambas as equipas tinham sido bem sucedidas na aproximação ao jogo. O Sporting porque teve mais bola e mais oportunidades, o Benfica porque controlou praticamente toda a partida, tendo tido a sorte de empatar nos descontos. Permitam-nos discordar. A posse de bola do Sporting foi, quase sempre, permitida pelo Benfica. Os encarnados posicionaram-se recuados no terreno, expectantes por aquilo que o Sporting pudesse fazer, controlando em cima os jogadores que mais perigo poderiam causar, como eram os casos de Nani, Adrien Silva e Carrilo. João Mário, a jogar mais dentro do bloco da equipa encarnada, acabou por ser o jogador que beneficiou de liberdade para se mexer na teia e, com isso, acabou por ser um dos jogadores em maior destaque no momento ofensivo do Sporting. Já o Benfica falhou também os seus intentos porque, apesar de uma postura mais defensiva, Jorge Jesus acreditou sempre que poderia surpreender o Sporting, fosse por um rasgo de um dos seus extremos, que estiveram apagadíssimos, fosse pela dinâmica da sua dupla de avançados.

O golo de Jefferson só valeu um ponto.

O golo de Jefferson só valeu um ponto.

Chegados ao final do encontro, podemos bem dizer que o jogo valeu pelos seus últimos oito minutos. O Sporting conseguiu a sua melhor oportunidade uns segundos apenas antes do golo, quando João Mário se isolou para defesa de Artur. A bola acabou por sobrar para Jefferson que marcou um golo que representava, apenas, uma pequena justiça para a equipa que procurou vencer, ainda que com muitas fragilidades e com pouco perigo criado junto da baliza adversária. No entanto, o jogo não terminou no minuto 87. Jorge Jesus teve que colocar o máximo de gente possível na frente de ataque, mas a substituição chave terá sido aquela que fez sair Nani para dar lugar a Capel. A troca até estaria prevista para acontecer antes do golo e, a ver-se em vantagem, Marco Silva protelou e usou esta troca para perder tempo. O problema foi que, sem Nani, o Sporting perdeu o último elemento do trio de ataque que tem capacidade para segurar a bola. Os leões fizeram um ataque atabalhoado, perderam a bola, e Tanaka, no meio-campo, não teve a presença de espírito para não fazer falta sobre Pizzi.

No golo do Benfica, Jorge Jesus salienta a destreza tática do posicionamento dos seus jogadores. No entanto, parece mais um erro generalizado da defesa do Sporting, que em nenhum momento arrisca atacar a bola, com receio de fazer falta na sua área, do que do posicionamento dos encarnados. O Benfica tinha muita gente na área dos leões, mas isso não é estratégia, foi uma consequência de beneficiar de um livre indireto nos últimos segundos de uma partida.

Os dois técnicos tentaram valorizar o trabalho das respetivas equipas, mas para a maioria de nós, o que aconteceu neste encontro foi uma visão daquilo que poderá vir a ser o (triste) futuro do futebol português. E não gostamos…