E ontem, no final da 33ª jornada na Primeira Liga, o SL Benfica, mesmo não tendo ganho o jogo frente ao Vitória Guimarães, sagrou-se campeão nacional, pela segunda vez consecutiva, facto que não acontecia há 31 anos.

Beneficiando do facto de o FC Porto não ter conseguido vencer no Restelo, frente ao Belenenses, ao SL Benfica bastou um empate a zero para conseguir o seu 34º título de campeão nacional, na forma de um bi-campeonato.

O último treinador a ganhar um bi-campeonato tinha sido Sven-Göran Eriksson, com as épocas de 1982/1983 e 1983/1984.

Mas não se julgue que foi tudo rosas no jogo de ontem. Não foi. O SL Benfica até começou bastante bem, forte, personalizado, a pressionar e a desperdiçar várias oportunidades da golo feitas, mas a partir de certa altura, e até pelo reequilíbrio conseguido pela equipa da casa, o SL Benfica perdeu a ascendência e o jogo tendeu para a mornura. Por vezes até, tornado-se chato, não fosse, para os adeptos benfiquistas, a esperança de um golo fortuito que desse o campeonato. Não aconteceu ali, no D. Afonso Henriques. Aconteceu no Restelo. E foi comemorado pelos encarnados como se fosse um golo da sua equipa.

Ao empatar o jogo em casa frente ao FC Porto, o Belenenses dava o título ao SL Benfica.

Uma Entrada de Águia

Mas o SL Benfica até entrou bastante forte, querendo marcar cedo e, mandar para trás das costas os nervos do costume se o golo não surgisse, se o Guimarães marcasse golo, se o FC Porto ganhasse…

Com a equipa do costume, com a alteração de Samaris, castigado, por Fejsa, recuperado de uma lesão de um ano, e com o regresso de Nico Gaitán, os encarnados entraram no castelo para ganhar.

Salvio

Sálvio chegou a colocar a bola na baliza de Douglas, mas o árbitro anulou a jogada

Logo aos 3 minutos de jogo, Jonas, o inevitável Jonas que ontem acabaria por ficar em branco e ver o seu adversário directo, Jackson Martinez, distanciar-se com mais um golo, cabeceou uma bola à trave, na resposta a um cruzamento de Gaitán.

Um minuto passado, Lima, o inevitável Lima dos golos-feitos perdido, voltou a perder um golo-feito quando, isolado por Jonas, e já com Douglas praticamente batido, atirou por cima da barra.

Aos 4 minutos de jogo o SL Benfica poderia estar a ganhar por 2 a 0. Mas não estava. Continuava empatado. Mas, estranhamente, os nervos não se apossaram da equipa. E, nas bancadas, a festa encarnada, continuava.

Mas ainda houve tempo para mais. Até à meia-hora de jogo, Sálvio ainda meteu a bola dentro da baliza de Douglas, mas o árbitro já tinha assinalado, mal, uma deslocação de Maxi. O mesmo Maxi e Jonas por duas vezes, voltaram a ter nos pés a possibilidade de fazer golo, e de colocar o SL Benfica em vantagem, mas a defesa vitoriana e o guarda-redes Douglas não estiveram pelos ajustes.

A partir da maia-hora de jogo, as oportunidades das águias como que desapareceram. O SL Benfica continuava dono e senhor do jogo – no final do encontro o SL Benfica tinha 63% de posse de bola, contra 37% por parte do Vitória Guimarães, e com 12 remates contra 5 -, mas o jogo estava a ser jogado mais a meio-campo, sem grandes perigos, de parte-a-parte.

O SL Benfica parecia estar resignado com o empate, mesmo sabendo que, na semana seguinte, na Luz, não lhe bastaria o empate contra o Marítimo. Empatando ontem, teria de ganhar obrigatoriamente, na Luz. O que poderia vir a ser um problema.

Como o Belenenses Entra no Caminho do Título

Mais graves se tornam as coisas para o SL Benfica quando, à beira do intervalo, Jackson Martinez, no Restelo, faz o golo dos dragões e coloca o FC Porto em vantagem no marcador, frente ao Belenenses, aproximando-se do SL Benfica, com 1 mero ponto a separá-los.

Mas voltando do intervalo, provavelmente a saber o resultado do jogo do Restelo, o SL Benfica não mudou a estratégia do último quarto-de-hora da primeira-parte. O Vitória Guimarães também se fechou mais, percebendo que não queria arcar com a responsabilidade do adversário comemorar o título do seu recinto. O jogo ficou-se por ali, pelo meio-campo. Tornou-se um jogo um pouco feio. Enfadonho, até, por vezes.

Jonas

Jonas ficou em branco, e viu Jackson Martinez distanciar-se ainda mais

Mas eis, senão quando, um bruá nas bancadas do Estádio D. Afonso Henriques, dava a alegria que os benfiquistas procuravam: no Restelo, a 5 minutos do fim do jogo, Tiago Caeiro, que tinha entrado há 10 minutos em jogo, marca o golo do empate do Belenenses. Claro que, para o Belenenses esse empate significava que os azuis do Restelo ainda estavam na luta pela Europa, mas para os benfiquistas, significava que, naquele momento, o SL Benfica era o virtual campeão nacional.

Mais certeza chegou ainda quando o jogo acabou no Restelo com o FC Porto a empatar com o Belenenses e Julen Lopetegui ajoelhado no relvado, vendo tudo a fugir-lhe.

No castelo, o nervosismo chegou. O FC Porto empatara. O SL Benfica estava empatado, mas o árbitro dera 6 minutos mais de jogo. Jorge Jesus andava nervoso, de um lado para o outro, galgando a sua área técnica.

No entanto, a equipa do SL Benfica que estava lá dentro do relvado, continuava a dominar o jogo. Mesmo sem grandes oportunidades de golo, assumindo que lhe bastava o empate, e o controlo da bola, mantiveram o jogo assim até ao final. E no fim, quando o árbitro apitou para o término do jogo, o SL Benfica ganhou o campeonato nacional da Primeira Liga, pela segunda vez consecutiva.

Do estádio a festa passou para as ruas de Guimarães, de Lisboa, de todas as cidades e vilas de Portugal e um pouco por todo o Mundo. O SL Benfica acabara de vencer o seu 34º título de campeão nacional.

Boas Apostas!