A jornada 23 da Liga BBVA ajudou a clarificar o quadro no topo da tabela, com Real Madrid e FC Barcelona a vencerem os seus encontros, enquanto o Atlético de Madrid escorregou em Vigo, perante o Celta, e vê perigar a sua candidatura ao título. São agora sete os pontos que separem os colchoneros dos merengues, tornando a vida de Diego Simeone bem mais difícil e sugerindo que a história desta Liga poderá reduzir-se a uma luta a dois.

O preço do ataque

Fernando Torres Atletico Madrid

Os colchoneros ficaram em branco

O Atlético de Madrid estreava em Vigo um onze claramente mais ofensivo. O técnico argentino dispõe, neste momento, de três opções para o centro do ataque, com Mandzukic e Fernando Torres a serem os seus preferidos, enquanto Raul Jimenez também se constitui como opção. Simeone quis experimentar a utilização dos dois primeiros em simultâneo, devolvendo Griezmann a uma das alas, mas não conseguiu, com isso, vencer a dura luta a meio-campo. Já vimos isto acontecer com outras equipas. O modelo mais seguro num 4x5x1, que se pode transformar em 4x4x2 no momento defensivo, é testado para manter as três linhas mais clássicas também no ataque, perdendo assim alguma efetividade perante conjuntos, como é o caso do Celta de Vigo, que não hesitou em recorrer a um trio mais fixo na intermediária.

Os colchoneros não conseguiam pegar no jogo, frente a um Celta que é equipa de altos e baixos e, neste domingo, esteve claramente em alta. Diego Simeone não quis esperar e mexeu na equipa ao intervalo, mas sem Koke nem Arda Turan, a criatividade da sua equipa andava ausente do relvado. Isso permitiu que o Celta de Vigo assumisse o controlo da partida e chegasse ao golo, deixando o Atlético mais longe dos primeiros lugares. Sendo certo que Simeone não é homem para desistir dos seus objetivos, a verdade é que as contas ficam agora bem mais complicadas. Perante a necessidade de recuperar sete pontos para o Real Madrid, o Atlético bem pode olhar para outras provas, como a Liga dos Campeões, como o seu principal objetivo a partir de agora.

Villarreal também não se aguentou

Joel Campbell Villarreal

Chegada de Campbell lança novas questões táticas

O Submarino Amarelo tenta, um ano mais, o seu regresso à Liga dos Campeões, e os resultados das últimas semanas alimentavam a esperança dessa possibilidade. No entanto, numa viagem sempre complicada ao terreno do Rayo Vallecano, o Villarreal não se aguentou e voltou a deixar fugir os seus principais adversários. Paco Jémez é um técnico que vive um pouco fora do seu ambiente natural, com as suas ideias e os seus princípios a parecerem sempre pouco adaptados à necessidade de luta que uma equipa como o Rayo necessita para sobreviver. No entanto, essa teimosia do treinador dá frutos em muitos jogos do campeonato, como este perante o Villarreal, já que ambas as equipas se apresentaram abertas e sem complexos na luta pelos três pontos.

As opções de Marcelino cresceram, no mercado de inverno, com a chegada de Joel Campbell. O costarriquenho volta a ter uma oportunidade de mostrar que as suas exibições no Mundial não foram uma exceção. Sem espaço no Arsenal, Campbell chega à Liga Espanhola e a consequência direta foi o atirar do russo Cheryshev para o banco. Marcelino terá que repensar a sua organização com os talentos que tem ao seu dispor. Se Campbell lhe oferece resistência física e criatividade, Cheryshev é um verdadeiro dono da bola e pode ajudar a explorar outros caminhos para a chegada ao golo. Sem ter um ponta-de-lança tradicional, já que Giovani dos Santos é também um vagabundo na frente de ataque, o Villarreal acabou engolido por um Rayo que esteve sempre mais perto, e quis sempre mais, pela forma como se dispôs em campo, alcançar esta vitória.

Não sendo, propriamente, um adeus ao seu objetivo principal, a vida do Submarino Amarelo poderá ter que continuar noutras águas que não as dos milhões.