Final de temporada em Espanha com Lionel Messi a marcar os acontecimentos na segunda metade da época. Assim, 2014/15 será lembrado como o ano em que a estrela argentina tocou o céu, deixando poucas dúvidas sobre a sua superioridade em relação a outros grandes nomes do futebol mundial. É a história a escrever-se diante dos nossos olhos, com o Barcelona a ganhar tudo o que havia para ganhar até agora.

1.

Messi Barcelona

Impossível parar Messi

Messi. Inigualável a forma como o argentino pegou na equipa depois de, no início de janeiro, ter ficado no banco numa derrota do Barcelona frente ao Real Sociedad e ter-se especulado que entre o argentino e o seu treinador não existiam possibilidades de reconciliação. Pelo contrário, terá sido aí que nasceu este ano do qual todos nos lembraremos. Mais importante do que os títulos do Barcelona, é a forma como Messi se tornou essencial para fazer a diferença frente a qualquer adversário, com Pep Guardiola, seu antigo treinador, a afirmar que pode-se parar uma equipa mas não se pode parar Messi. É isso que ficará na nossa memória. É essa a fasquia do inigualável no futebol atual.

2.
Luis Enrique tinha uma missão complicada neste seu regresso a Barcelona. Por um lado, carregava sobre as costas a herança de ser um técnico formado num estilo de jogo que foi ao longo de décadas alimentado no Barcelona, mesmo que não seja um radical seguidor de Johan Cruyff ou Pep Guardiola. Por outro, chegada depois de uma espécie de “annus horribilis” onde Gerardo Martino se arriscou a destruir boa parte da herança deixada pelos seus antecessores. Pelo meio, um ambiente de preparação de guerra pela presidência de uma instituição que, mesmo na união catalã se parece dividir. Fechando o ano com o título da Liga, a Taça do Rei e ainda com a possibilidade de atingir o título na Liga dos Campeões, Luis Enrique coloca-se, instantaneamente, na posição de técnico galardoado. Mesmo que muito do que aconteceu a este Barcelona seja devido a Messi, Luis Enrique teve o mérito de, mais na sombra do que nas luzes da ribalta, tratar dos pormenores que fazem os campeões.

3.

Cristiano Ronaldo

Nem outro Pichichi valeu sucessos a CR7

Pode-se marcar 48 golos numa Liga e ter tido um ano para esquecer? Sim, sem dúvida. Cristiano Ronaldo foi a melhor face de um Real Madrid que não teve a capacidade de exercer a sua superioridade em vários momentos da temporada. A inconsistência do jogo merengue parece chocar com os números que dão 92 pontos somados no final da Liga BBVA, menos dois, apenas, que o campeão, mas a partir do momento em que Luka Modric saiu de cena, lesionado, o meio-campo e toda a equipa do Real pareceu desligada. Cristiano Ronaldo continuou a marcar, mas o Real Madrid não foi capaz de vencer jogos decisivos, caindo no Campeonato, na Taça e na Liga dos Campeões. Com o técnico italiano de saída, especula-se que também o CR7 possa procurar outras paragens para dar rendimento ao seu futebol. Num mundo que parece demasiado pequeno para que Messi e Cristiano Ronaldo coabitem, é o português que fica com o ónus de ter que mudar.

4.
Este terá sido também o ano em que o Atlético de Madrid de Diego Simeone possa ter atingido o canto do cisne. Os colchoneros terminaram em terceiro lugar, mas com apenas mais um ponto do que Valencia e mais dois do que Sevilla, ficou claro que o projeto de um Atlético que dá luta aos dois grandes de Espanha foi uma história bonita enquanto durou, mas não tem bases para subsistir durante muito tempo. O efeito Simeone vai-se perdendo em esquemas demasiado defensivos nas partidas mais importantes, enquanto a força no mercado é ainda muito menor do que as dos dois rivais que estão acima na tabela. Com o crescimento das equipas que lhe perseguem o posto de entrada direta na Liga dos Campeões, nada deverá a ser como dantes para Simeone à frente do seu querido Atlético.

5.
Unai Emery fê-lo de novo. O Sevilla falhou o seu principal objetivo por um ponto, ficando em quinto lugar no campeonato, mas acaba por ganhar o bónus e entrar direto na Liga dos Campeões depois de vencer a Liga Europa. Uma equipa que soube posicionar-se perante os mais fortes da Liga BBVA e fazer o seu caminho na competição europeia sempre muito personalizada e atrevida, nunca virando a cara à possibilidade de jogar o jogo pelo jogo, olhos nos olhos. O feito de termos, no próximo verão, uma Supertaça Europeia dominada por equipas espanholas, diz muito do poderio financeiro dos dois grandes, mas também é prova da qualidade do que vai acontecendo na segunda linha deste campeonato.

6.

Carriço Sevilla

Carriço é figura em Sevilla

Num campeonato onde a comunidade portuguesa cresce de ano para ano, três nomes merecem especial relevância. Nuno Espírito Santo enfrentou as dúvidas dos analistas espanhóis com a sua rápida “promoção” do Rio Ave para o Valencia, não se livrando do epíteto de “protegido” de Jorge Mendes, até ao momento em que a sua equipa começou a demonstrar qualidades, acabando por garantir o acesso à Liga dos Campeões. Daniel Carriço também chegou a Espanha, à mais tempo, sem um currículo que fizesse dele uma estrela, mas depois de duas conquistas da Liga Europa, é hoje em dia um jogador respeitado pela forma como incarna as “ganas” tão apreciadas no país vizinho. Finalmente, Diogo Salomão, em mais uma temporada marcada pelas lesões, teve o condão de ser o autor do golo que salvou o Deportivo, para mais em terreno sagrado, Camp Nou. Para um dos portugueses menos notado da Liga BBVA, o feito de assegurar a continuidade do emblema galego entre os maiores oferece-lhe um lugar na galeria dos notáveis.

7.
No sobe e desce da Liga BBVA, a questão financeira joga um papel cada vez mais fundamental. Duas das equipas que subiram este ano à principal divisão voltam a cair na Liga Adelante, o Eibar e o Córdoba, com a terceira a livrar-se de tal sorte com o tal golo de Salomão, condenando dessa forma o Almería, outra das equipas notoriamente menos abastadas desta competição. Sinais dos tempos e maus augúrios para quem vem aí, não fosse o caso do Bétis ser uma equipa de outra estirpe. Mas com o Girona à beira de fazer história – na próxima semana pode garantir o acesso à Liga BBVA – as previsões não são, de facto, as melhores.