O Nottingham Forest entrou para a elite dos vencedores da Taça dos Campeões Europeus ao conquistar a prova maior em 1979 e 1980.

Fundado em 1865 é dos clubes mais antigos do futebol mundial e conta com 14 troféus oficiais.

Longe vão os tempos em que o Nottingham Forest dava cartas pela Europa fora e dominava as competições internas. Actualmente a equipa inglesa compete na Championship.

O Nottingham era uma equipa mediana e sem grandes expectativas. Até à década de 70, o clube inglês apenas detinha duas FA Cup, e alguns títulos de divisões inferiores. Em Janeiro de 1976 tudo mudou quando chegou à cidade histórica de Robin Hood um técnico inglês que dava pelo nome de Brian Clough.

Na segunda temporada de Brian Clough o sucesso do Nottingham começou a ganhar contornos. Brian conseguiu subir de divisão e levar o clube para o principal campeonato inglês em busca da glória. Foi feita história na floresta encantada de Nottingham com o clube britânico a ser das poucas equipas a sagrar-se campeã nacional um ano depois de garantir a subida de divisão.

64 pontos em 42 jogos, contando com apenas 3 derrotas. Um registo incrível para quem acabara de chegar do segundo escalão inglês e sem grandes estrelas no plantel. União e força de vontade por todos os jogadores e equipa técnica, foram os ingredientes do título. O ponto alto dessa época foi a vitória por 4-0 em pleno Old Trafford. Mas engana-se quem pensa que os títulos ficaram por aqui.

A Taça da Liga e a Supertaça de 1978 também fizeram parte da vitrine de troféus. O Nottingham bateu o Liverpool na final da Taça da Liga por 1-0 e o Ipswich por 5-0 na Supertaça. Uma sensação única numa temporada inesquecível. Pela primeira vez na história do clube, iriam disputar a Taça dos Campeões Europeus.

Sonho Europeu

Clough conseguiu colocar o seu clube no topo da Europa quando poucos acreditavam que o Nottingham conseguisse tirar algo da Taça dos Campeões Europeus para além da experiência.

Nottingham Forest 1 - 0 Malmö

Trevor Francis marcou de cabeça o golo da vitória por 1 a 0 do Nottingham Forest ao Malmö na final da Taça dos Campeões Europeus de 1979

Na 1ª ronda a equipa do norte de Inglaterra eliminou os bicampeões europeus, Liverpool, por 2-0 no conjunto das duas mãos. A vitória frente ao Liverpool fez despertar os pupilos de Clough que começaram a olhar para a competição com outros olhos. A partir daquele momento o sonho comandava a vida.

Na 2ª ronda, o Forest não teve dificuldades em ultrapassar o AEK por uns expressivos 7-2 no conjunto dos dois jogos. Nos quartos-de-final calhou a equipa suíça do Grasshoppers, que foi despachada por um total de 5-2. O nível de exigência aumentou mas a equipa estava perto de fazer história. O Colónia foi a equipa que se seguiu com o Nottingham a vencer por 4-3. 3-3 em casa e 1-0 na Alemanha.

O derradeiro desafio foi frente ao Malmö da Suécia onde Trevor Francis foi a estrela do encontro. A aposta pessoal do treinador no médio-direito teve início na época de 1978/1979. Clough decidiu gastar o dinheiro da conquista do campeonato no jogador do Birmingham. “O jogador milionário” custou cerca de 1,2 milhões de euros, o que resultou na transferência mais cara da altura. Por impedimentos legais, Trevor só se estreou na final frente ao Malmö e não podia ter corrido melhor ao marcar o único golo da partida com um cabeceamento. O Nottingham Forest escrevia o seu nome na história do futebol.

A euforia foi tanta que o clube inglês abdicou de participar na Taça Internacional.

Reedição

As conquistas não se ficaram por ali. Faltavam mais títulos para demonstrar que não tinha sido uma obra do acaso.

Meses antes da conquista da prova máximo do futebol europeu, o Forest consumou a reconquista da Taça da Liga com uma vitória por 3-2 contra o Southampton em 1978/1979, na mesma temporada que o Liverpool voltou a sagrar-se campeão nacional.

Com a conquista da Taça dos Campeões, o clube inglês teve que disputar a Supertaça Europeia de 1979 frente ao Barcelona. A equipa de Brian Clough levou a melhor ao vencer em casa por 1-0 e ao empatar em Camp Nou 1-1. Mais uma conquista histórica que elevou o nome do Nottingham.

Nottingham Forest 1 - 0 Hamburg

Em 1980 o Nottingham Forest volta a chegar à final da Taça dos Campeões Europeus, e ganha-a, de novo por 1 a 0, ao Hamburg, num jogo apitado pelo árbitro português António Garrido

O clube partiu para a Taça dos Campeões de 1979/1980 motivado e com a confiança em alta.

O clube sueco, Osters, foi a primeira vítima da equipa treinada por Clough. Uma derrota por 3-1 no conjunto dos dois jogos, ditou a passagem à próxima fase do clube inglês.

Na 2ª ronda, o Nottingham bateu o Arges, da Roménia, por 4-1 nas duas mãos o que levou os ingleses até aos quartos-de-final, criando uma grande expectativa sobre a reconquista da prova.

O Dynamo Berlim foi o adversário que se seguiu. A sorte sorriu à equipa da Alemanha Oriental que conseguiu impor ao Forest a primeira derrota em provas internacionais. 1-0 em casa dos ingleses, foi o resultado da 1ª mão. Com muita determinação, a equipa de Nottingham virou a eliminatória e venceu fora por 3-1, garantindo a passagem às meias-finais.

Para chegar à final era necessário ultrapassar o poderoso Ajax. O primeiro jogo realizou-se em Inglaterra, o que possibilitou ao Nottingham deslocar-se à Holanda com uma vantagem de 2-0. Já em solo estrangeiro, o clube britânico perdeu 1-0 mas mesmo assim garantiu a presença na final.

António Garrido, árbitro português, apitou a final entre Nottingham e Hamburgo, que tinha eliminado o Real Madrid por um expressivo 5-3. O clube alemão tinha como maior destaque Felix Magath mas nem isso impediu que o Hamburgo perdesse. John Robertson foi o autor do único golo da partida, dando ao Nottingham e aos seus adeptos o título de bicampeões europeus, tornando-se assim no primeiro clube a ter mais títulos europeus do que campeonatos nacionais.

Boas Apostas!