Na Holanda, Portugal despacha a congénere alemã em jogo do Europeu por 3-0, relegando “Die Mannschaaft” para fora da prova. Soa o alarme na federação alemã. Urge repensar-se o sistema de formação do país, que serve a selecção principal, e definem-se estratégias sólidas. Esperam-se resultados a longo prazo, trabalhando as “fornadas” de jogadores que se encontram no início do seu percurso. Entre muitos outros – alguns deles actualmente campeões do mundo – está Niklas Stark, um petiz de apenas 5 anos, que dá os primeiros passos no modesto FSV Ipsheim – convido o leitor a visitar o site do clube que provavelmente nada evoluiu desde que Stark ali jogou, mas contém um “post” recente em que parabeniza o atleta por ter sido congratulado com uma distinção individual.

Embora tenha iniciado o percurso no FSV Ipsheim – provavelmente porque o TSV Neustadt/Aisch não continha escalões de formação para atletas em tão tenra idade – regressou ao clube da terra natal aos 7 anos, mas também só permaneceu durante dois anos. Em ano de europeu em Portugal – sim, a Alemanha voltou a fracassar e nem sequer passou da fase de grupos, mas tinha o mérito de ter sido vice-campeã mundial em 2002 e nem é isso que está em questão – o talento do miúdo Niklas Stark não passa em claro ao vizinho FC Nurnberg, que se chega à frente e recruta o jovem para os seus escalões de formação.

Os anos foram passando. Niklas viu a Alemanha ser terceira no Mundial em casa, – o leitor certamente saberá à custa de quem – alcançar o estatuto inglório de vice-campeã da Europa na Suíça, repetir o resultado que havia alcançado em casa na África do Sul, ficar pelas meias-finais no Europeu 2012, e mais recentemente, atingir o topo ao sagrar-se campeão mundial com um trabalho de 14 anos a dar os seus frutos. Stark cresceu, e no ano em que a máquina alemã arrasou (n)o Brasil, também foi pedra basilar do sucesso da sua geração no campeonato europeu sub-19, disputado na Hungria. Já com lampejos de “Never Ending Story”, será escusado pedir ao leitor que faça um exercício de memória para relembrar à custa de quem os alemães enriqueceram o palmarés na categoria…

Assim joga

Niklas StarkO capitão da selecção alemã sub-19 que recentemente se sagrou campeão da europa define-se pela versatilidade, dando garantias de que oferece qualidade em qualquer das posições para a qual seja talhado. Niklas Stark pode atuar a defesa central ou mais subido, como médio defensivo. Pensa o jogo como um médio, é muito forte na saída, e desempenha de modo bastante satisfatório ambos os papéis, apresentando qualidade de passe e taxa de sucesso assinaláveis, bem como uma rigidez táctica pouco comum num intérprete da sua idade. No eixo, Stark pode atuar descaído tanto sobre a esquerda como sobre a direita, embora seja mais usual vê-lo pela direita tal como se verificou durante o Europeu de sub-19.

Curiosamente, começou o Europeu enquanto médio-defensivo, num duplo-pivot defensivo com Mukhtar a seu lado. Enquanto médio-defensivo, pela qualidade no posicionamento, é um jogador que dá equilíbrio à equipa, sabe mover-se sem bola, e com ela decide quase sempre bem, jogando pela certa.

Fisicamente interessante, apresenta bons argumentos na protecção do esférico. Aparece bem na área contrária, realçando a assistência de cabeça frente à Bulgária e o golo já em cima da hora à Sérvia, no Europeu, Ao elevado nível e assinalável maturidade competitiva não será alheio o facto de ter sido aposta recorrente no Nurnberg, na Bundesliga, apesar de ter descido de divisão. De qualquer modo, a 2 Bundesliga é um espaço perfeito para o agora internacional sub-21 prosseguir a respectiva evolução. Tem sido aposta, e por esta altura, é um dos totalistas do conjunto da Baviera. A acompanhar!

Ficha Técnica

Nome: Niklas Stark
Clube: FC Nurnberg
Nacionalidade: Alemã
Nascimento: 1995-04-14 (19 anos)
Posição: Defesa Central / Médio Defensivo
Pé: Direito
Altura: 190 cm
Peso: 77 kg

Boas Apostas!