Tamagnini Manuel Gomes Baptista foi um dos grandes ídolos do SL Benfica, onde jogou entre 1968 e 1986. Era ponta-de-lança, exímio marcador de golos e tinha uma característica que o marcou para sempre: nunca sujava os calções, pois raramente caía. Era conhecido pelo nome de Nené.

Nené nasceu em 1949 em Leça da Palmeira, no norte do país, mas cedo foi para Moçambique com os pais onde, aos 15 anos, começou a dar nas vistas no Ferroviário de Manga, na Beira. E tanto deu nas vistas que o SL Benfica, que tinha muitos olheiros pelo ultramar, de onde tinha vindo, aliás, Eusébio da Silva Ferreira, mandou-o vir para a metrópole. E assim, aos 17 anos, Nené chega ao SL Benfica, pronto para conquistar o Mundo.

SL Benfica

Estreou-se na equipa principal com Otto Glória. Ganhou o seu lugar na equipa com Jimmy Hagan. E passou de extremo-direito a ponta-de-lança com Mário Wilson. Começou cedo a marcar golos. Muitos golos. E não precisou de muito tempo para ganhar também, e por direito próprio, o seu lugar na Selecção Nacional, ao serviço da qual ainda conseguiu chegar ao Euro ’84 de tão grandes e gratas memórias, numa equipa feita com Bento, Álvaro Magalhães, Chalana, Fernando Gomes e Jordão. Deste Europeu ainda disse o jogador que teve o seu melhor momento pela Selecção quando, no jogo contra a Roménia, saltou do banco para, aos 35 anos, marcar o golo que levaria a equipa das quinas às meias-finais.

O início da titularidade de Nené foi também uma marca que identificou o final de uma geração, a de ’60, que tinha marcado a ouro uma época e que estava, agora, a ser substituída por uma outra geração que mostrava ter todas as condições para repetir os êxitos da década passada. Nené e o seu número 7 foram assim o fim e o princípio.

Número 7

Nené no SL Benfica

Nené era o jogador que nunca sujava os calções, mas fartava-se de marcar golos, e foi o jogador que mais jogos fez pelo SL Benfica

O número 7 do SL Benfica (sim, muitos anos antes de David Beckham e de Cristiano Ronaldo, o CR7, já Nené era um número 7) não era um jogador muito atlético, nem muito possante, mas tinha uma grande agilidade e uma enorme capacidade de desmarcação e de aparecer, sorrateiro, na cara do golo que, raramente falhava. Não era costume ir ao chão, mesmo não sendo muito forte, pois evitava sempre o contacto, o que fazia com que chegasse ao fim de um jogo com os calções imaculadamente brancos. Ao semanário Expresso afirmou: “Ó meu amigo, que eu saiba, os golos marcam-se de pé e não deitado. Poupei a lavandaria do Benfica.”

Num tempo em que a paixão ao clube era maior que o desejo pelo dinheiro, em que o futebol ainda não era um negócio como se veio a tornar, que ainda não mexia com milhões de euros em transferências e comissões e salários, Nené, como muitos outros jogadores dessas épocas, nunca chegou a conhecer outro clube enquanto sénior, jogando toda a vida no SL Benfica. Mas houve interesse por parte de grandes clubes europeus, como o Real Madrid e o Arsenal. Mas os tempos eram outros. E Nené continuou no Estádio da Luz. Para gáudio dos benfiquistas.

Nené fez 16 anos de águia ao peito. 16 anos como jogador do SL Benfica. 16 anos em que foi, maioritariamente, o avançado-centro da equipa. Começou primeiro como extremo-direito, mas logo depois passou a ponta-de-lança. E marcador de golos. De lugar fixo e marcado, do qual foi difícil afastá-lo. Mesmo na Selecção Nacional foi difícil tirar-lhe o lugar. Nené era um jogador vocacionado para a área e para o golo. Poderia passar um jogo inteiro ausente, mas quando aparecia, era mortal. Um homem-golo.

Fez, ao todo, e numa época de menor quantidade de jogos internacionais, e em que a Selecção Portuguesa estava, amiúde, afastada das grandes competições, 66 internacionalizações A e marcou 22 golos pela Selecção.

Os Números

Pelo seu clube foi 10 vezes campeão nacional. Ganhou 8 Taças de Portugal e 2 Supertaças. Foi o Melhor Marcador por 2 vezes.

Nené fez perto de 600 jogos oficiais pelos encarnados e foi o terceiro melhor marcador do SL Benfica, logo atrás de Eusébio e José Águas.

Depois de pendurar as botas, Nené continuou ligado ao clube da sua vida. Nené foi Coordenador do Departamento de Formação do Sport Lisboa e Benfica e treinador da formação desde os anos ’80 até hoje.

Para a história, e para além de todos os títulos e marcas que deixou no futebol nacional, um, bem importante: foi o jogador que mais jogos fez pelo Sport Lisboa e Benfica.

Boas Apostas!