O futebol depara-se hoje com vários desafios, sendo um deles o racismo.

A intolerância racial não deve ser palco de protagonismo em pleno Séc. XXI, e o futebol não foge à regra. Uma mensagem clara: não ao racismo!

Democracia Racial

Não ao racismo!O futebol é um fenómeno universal, conquistou os quatro cantos do mundo e quebrou paradigmas sociais, contudo, a luta contra o racismo está longe de acabar.

Um dos maiores paradoxos sociais do futebol prende-se com o facto da actividade futebolística ser depreciada pela alta sociedade que considerava o desporto destinado aos homens pobres, negros e marginais, mas por outro lado, a designada alta sociedade pretendia representar o futebol e ampliá-lo a uma escala mundial.

Racismo na Bancada

Não sendo um exclusivo da bancada, é de lá que partem muitas atitudes racistas, em especial sobre os jogadores adversários

O projecto de expansão do futebol passou por várias fases e caracterizou-se por ser um processo de carácter multifacetado, abrangendo várias esferas sociais. A diversidade cultural é hoje uma componente essencial no desporto em geral, especialmente no futebol. Só assim foi possível criar o desporto que hoje adoramos.

A globalização proporcionou-nos um conceito de futebol universal. Visto e jogado por todos em qualquer parte do Mundo.

Infelizmente, a democracia racial não tem vivido os melhores dias dentro das quatro linhas. Cada vez mais se sucedem casos de racismo, começando desde logo nos escalões de formação. Um cenário preocupante e que se afigura como um dos principais desafios da FIFA.

Nos dias que correm a formação passou a ser vista como um local de competição, onde o que mais importa é vencer a qualquer custo. Valores destes não devem ter lugar no nosso futebol.

O futebol é uma escola de vida e os jovens devem ser ensinados a respeitar os próximos. Um exemplo que tem de vir das bancadas, algo que não acontece muito pela culpa de se ter incutido uma filosofia de vitória em qualquer jogo. Uma sede desmedida e descontextualizada sobre o que deve ser o futebol de formação. Um tema que deixamos para outro artigo.

Polémica

São vários os casos de jogadores que sofreram na pele actos racistas. Como casos mais conhecidos temos Arouca, médio do Santos, Boateng, Daniel Alves, Balotelli, Tinga, ex-jogador do Sporting, Yaya Touré, Roberto Carlos, Selassie, defesa checo, Eto’o, entre outros.

Trata-se de exemplos de jogadores que foram alvos de cânticos ou acções racistas, em algumas situações até mesmo em competições internacionais.

Racismo e Mario Balotelli

Mario Balotelli, como muitos outros grandes jogadores, tem sido alvo de acções racistas

Eusébio e Pelé são alguns dos maiores ídolos do futebol e têm ambos uma característica em comum. São negros e foram coroados reis. Devemos atender aos melhores exemplos para demonstrar que a diversidade cultural veio para ficar e que a discriminação racial já não tem lugar no futebol que pretendemos.

O Brasil é desde sempre uma das melhores selecções do Mundo e conta com jogadores de raça negra que muito deram ao futebol, elevando a qualidade da canarinha. Muitos deles passaram por momentos complicados, tendo sido apontados como bode expiatório de alguns insucessos imprevistos. Carregaram sobre as costas esse fardo mas conseguiram libertar-se e comentar que o racismo existia em plena selecção brasileira.

Paulo Cezar Caju, ex-jogador e tricampeão mundial pelo Brasil em 1970, foi um dos primeiros atletas a abordar o preconceito existente no futebol. Fê-lo em 1974, depois do fracasso do Brasil no Mundial da Alemanha, com a selecção a terminar no 4º lugar.

Um dos mais recentes casos de racismo surgiu no futebol europeu, num torneio Sub-10. A partida entre o PSG e o Milan, terminou com a vitória dos italianos por 4-0, mas não sem antes os jovens negros do emblema milanês serem vaiados sempre que tocavam na bola.

Prova que o futebol ainda tem um longo caminho pela frente no que toca ao combate ao racismo, começando desde logo nos escalões de formação. Exige-se uma maior educação a todos os atletas e pais para que se possa extinguir um dos maiores problemas que o futebol vive nos dias de hoje.

Surge a necessidade de alertar as pessoas para esta realidade e consciencializá-las para a importância do combate ao racismo.

A democracia racial deve deixar de ser um mito, sendo para isso necessário tomar acções que condicionem a promoção deste preconceito ético.

Boas Apostas!