A Taça de Portugal é a festa do Povo. Começa no país profundo, em terras de nomes impronunciáveis, e termina no vale do Jamor, em pleno Estádio Nacional, ali, pertinho de Lisboa.

Enquanto uns fazem festa, e divertem-se, outros fazem contas. Tentam recuperar jogadores. Dar minutos de jogo a outros. Experimentar soluções e novas tácticas. Preparar caminho e equipa para outras ambições.

Para muitos outros também serve para sarar feridas. Compensar com gloriosas vitórias contra equipas de escalões mais baixos, as humilhantes derrotas sofridas entre iguais.

A Taça de Portugal é uma manta que serve para tapar e aconchegar tudo e todos. Ou quase. Porque, quando uns ganham, outros têm, invariavelmente, de perder.

Ontem também foi um dia desses, e mais ainda, desses que são poucos, mas vão existindo, assim, aos bochechos. Foi um dia de goleadas das antigas. Três jogos, três goleadas. Três equipas nos píncaros da glória. Três outras a descer aos infernos da vergonha.

As Goleadas

Ontem foi um dia de Taça gorda.

Três jogos, dos quatro destes quartos-de-final da Taça de Portugal jogados ontem e, os três jogos, a terminarem em goleadas à antiga.

O SC Braga derrotou, com estrondo, o Belenenses por 7 a 1.

O Rio Ave venceu, categoricamente, o Gil Vicente por 5 a 2.

O Sporting CP ganhou, ao Famalicão, por 4 a 0.

Só se espera que este vírus do golo tenha vindo para ficar. Que o golo é a alegria do futebol. O sal. O açúcar. O prazer. Pois que continue.

Sporting CP 4 - 0 Famalicão

Sem ter feito grande jogo, o Sporting CP poderia ter ampliado a vantagem, mas Murta, o guarda-redes famalicense, esteve em bom plano, não sendo de sua culpa os 4 golos que o Famalicão sofreu

O Sporting CP, a equipa com maiores ambições na prova depois das eliminações de SL Benfica e FC Porto, recebeu, em Alvalade, o Famalicão do Campeonato Nacional de Séniores e ganhou, com facilidade, por 4 a o. Mas, ao intervalo, a equipa da Primeira Liga só tinha marcado, ainda, um golo. Que os famalicenses escudaram-se muito bem e vinham com a lição estudada para dar trabalho aos leões.

É verdade que Marco Silva montou uma equipa com algumas novidades e deu oportunidade a quem não costuma jogar. Ontem foi dia para Tobias Figueiredo, Junya Tanaka, Ricardo Esgaio, Oriol Rosell e Daniel Podence, para além do guarda-redes Marcelo Boeck.

Sem ter feito grande jogo, o Sporting CP fez o suficiente para levar de vencida uma equipa dos escalões secundários, mas que tentou, até ser possível, vender caro a sua derrota. Os valores individuais acabaram por se sobrepor e a equipa leonina acabou por ganhar, naturalmente, sem ter-se desgastado muito. Quatro golos, marcados por Carrillo, João Mário, Paulo Oliveira e Fredy Montero, os três últimos com assistência de Tanaka que poderia ser considerado o homem do jogo.

Já o Famalicão, fez a festa possível, trouxe os seus adeptos a sul do Douro e, por alguns minutos, sonharam que seria possível. Faltou-lhes o golo.

Os Golos a Norte

Em Braga parece ter passado por lá um furacão.

O SC Braga recebeu o primo-divisionário Belenenses e, sem apelo nem agravo, ganhou por uns impensáveis 7 a 1.

Parecia estarmos perante o confronto de equipas de escalões muito diferentes, mas não. São duas equipas da Primeira Liga, que estão apenas separadas por 5 pontos, sendo uma a quinta classificada, e a outra a sétima classificada da Primeira Liga. Equipas que, à priori, para além de estarem no mesmo escalão, pertencem ao mesmo campeonato, mesmo que as ambições do SC Braga hoje, sejam maiores que as do Belenenses.

Mas pronto. No fundo, foi feito tabula rasa de todas essas verdades factuais. O SC Braga entrou em campo com o objctivo de ser um dos finalistas da Taça de Portugal e, aos 16 minutos de jogo já vencia por 1 a 0, golo do defesa central Aderlan Santos. Depois, houve uma certa cadência na marcação dos outros golos, um por jogador, com Rafa a fazer o 2 a 0, aos 22 minutos, Rúben Micael a fechar a primeira-parte aos 43′ com o 3 a 0. No recomeço, o SC Braga não deixou os jogadores do Belenenses chegarem a entrar em campo pois, aos 48 minutos já estava marcado o 4 a 0 por Felipe Pardo. Fábio Nunes, que tinha entrado ao intervalo para a equipa de Lisboa, consegue reduzir aos 57 minutos, colocando o marcador em 4 a 1, mas foi sol de pouca duração pois, aos 68 minutos, Éder volta a marcar para o SC Braga e a aumentar o marcador para 5 a 1, com Alan, aos 77 minutos a fazer o 6 a 1 e com Pedro Tiba a fechar as contas ao minuto 89.

Deve dizer-se, em defesa do Belenenses que, o SC Braga de Sérgio Conceição entrou tão furioso e rápido em campo, que o Belenenses não teve tempo para conseguir organizar as ideias, muito menos o jogo. E a expulsão de Deyverson, logo antes do intervalo, não veio ajudar as coisas, quando o resultado já estava em 3 a 0. No entanto o jogador mereceu o castigo pela entrada violenta sobre o adversário.

Rio Ave 5 - 2 Gil Vicente

Um jogo de resultado mais complicado do que se poderia aferir à primeira vista. Boa réplica do Gil Vicente a um Rio Ave forte

Mas já antes, na Terça-feira, também a norte, outra goleada tinha acontecido. O Rio Ave recebeu, em Vila do Conde, o Gil Vicente, equipa vizinha, ali de Barcelos, e derrotou-a por 5 a 2. E começou a delinear-se bem cedo, a marcha do marcador, logo aos 5 minutos, mesmo que o Gil Vicente ainda viesse a empatar o encontro por breves minutos. Aos 5 minutos de jogo, Diego Lopes, numa recarga, inaugurou o marcador. E a primeira-parte ficaria assim, com a equipa da casa a ganhar pela margem mínima. Foi já na segunda-parte, aos 54 minutos que o Rio Ave aumenta a vantagem, para os 2 a 0, na sequência de uma grande penalidade marcada por Ukra, a sacionar uma falta cometida dentro da área, depois de duas grandes defesas consecutivas de Adriano, guarda-redes do Gil Vicente.

E como a equipa de Barcelos não estava contente com o estado das coisas, na continuação da sua insatisfação com o último lugar na tabela classificativa da Primeira Liga, vai daí e empata o jogo a 2 golos, marcando o primeiro aos 65 minutos, por João Vilela, num remate, bem colocado, do meio da rua, e o segundo aos 72 minutos por intermédio de Simy.

Mas durou pouco esse encosto gilista. Quatro minutos mais tarde, aos 76, Pedro Moreira desfaz o empate, ao marcar golo na resposta de um passe de Ukra. Logo quase de seguida, e na resposta a outra assistência de Ukra, foi a vez de Lionn marcar golo e ampliar a vantagem do Rio Ave para os 4 a 2. Aos 89 minutos, Hassan, no coração da área cabeceia para dentro das redes do Gil Vicente, fechando a contagem nos 5 a 2.

O que se Segue

Hoje ainda vai acontecer mais um jogo, o último, para encerrar estes quartos-de-final da Taça de Portugal. E logo um derby funchalense. Marítimo e Nacional defrontam-se naquele que promete ser um grande jogo, mesmo que possa não acompanhar os outros jogos em quantidade de golos. O Marítimo é a equipa que está a jogar melhor futebol. O Nacional está a ter uma época aquém das expectativas, mas num derby, não há certezas.

A equipa que ganhar este confronto irá defrontar o Sporting CP, em duas mãos, a 4 de Março e a 8 de Abril, nas meias-finais da Taça de Portugal. A outra meia-final será disputada entre o SC Braga e o Rio Ave.

Serão os vencedores desses confrontos a duas mãos que se irão encontrar, na final da Taça de Portugal, no Estádio Nacional, no Jamor.

Boas Apostas!